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7 em cada 10 formados em licenciatura EAD de português e matemática ficam abaixo do básico

7 em cada 10 formados em licenciatura EAD de português e matemática ficam abaixo do básico

7 em cada 10 formados em licenciatura EAD de português e matemática ficam abaixo do básico

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Os resultados de 2025 da avaliação federal sobre a formação de professores mostram que a fragilidade dos cursos a distância (EAD) é maior nas áreas em que há mais necessidade e importância na educação básica: matemática e letras (português-inglês).

Sete em cada dez formados no ano passado em cursos de licenciatura EAD nessas duas áreas -a grande maioria em instituições privadas- não conseguiram desempenho acima do básico, de acordo com os dados do Enade das Licenciaturas do ano passado e divulgados pelo MEC (Ministério da Educação) nesta quarta-feira (20).

Os resultados de letras-português-inglês e de matemática no EAD, ambos com apenas 33% dos concluintes acima do básico, são os piores entre 16 áreas de formação tradicionais (só as licenciaturas em música tiveram desempenho inferior, mas têm poucos concluintes).

Na média de todas as áreas, 47% dos 116.982 concluintes que fizeram a prova conseguiram ficar acima do considerado básico pelo MEC. Entre os cursos presenciais, a média acima do básico foi de 74% dos 79.077 concluintes que fizeram a prova.

Os níveis de desempenho de letras (português-inglês) e matemática também são mais positivos nos cursos presenciais. O primeiro tem 73% de concluintes acima do básico e matemática, 53%.

Os conteúdos de português e matemática são considerados centrais na educação básica e a carga horária dessas áreas é maior nas escolas. As avaliações de larga escala e os indicadores educacionais, como o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), concentram-se nessas disciplinas.

O Enade das Licenciaturas foi lançado em 2024 pelo governo Lula (PT) como forma de permitir um melhor acompanhamento da formação docente no país. Além de mudanças na estrutura da prova, ela passou a ser aplicada anualmente -o Enade normalmente é aplicado por área a cada três anos (além das licenciaturas, o governo também tornou anual a prova direcionada à medicina).

São considerados com proficiência básica os participantes com desempenho igual ou maior que 70 pontos na escala de cada área da prova (formação geral e componente específico de cada área). Esses parâmetros também foram criados com o Enade das Licenciaturas.

O ministro Leonardo Barchini disse nesta quarta que os resultados mostram “um retrato fidedigno para melhorar as políticas públicas do Brasil”. Segundo ele, o atual governo já tem atuado para fortelecer o modelo de formação docente, com foco em melhorias na oferta não-presencial.

“O Enade produz visão sistemática da qualidade da formacão inicial de professores no pais. Mas não basta só regular, o MEC tem de induzir melhoria”, disse Barchini, em encontro com jornalistas na manhã desta quarta.

“Os resutlados são comparáveis inclusive entre as áreas. Então, além do diagnóstico, todo ano para saber se houve melhora ou não da proficiência, pode comparar por área também”.

As áreas com melhores resultados são ciências sociais e biológicas no EAD (com 84% e 67% acima do básico, respectivamente) e ciências sociais e história entre as licenciaturas presenciais (93% e 89%).

A licenciatura em pedagogia, curso superior com maior número de alunos no país, tem resultados preocupantes. No EAD, 46% dos concluintes ficaram acima do básico e, no presencial, esse percentual foi de 75%.

Há menos cursos de EAD avaliados, mas o número de alunos nessas graduações é maior. O EAD é a aposta do setor privado, que concentra a maioria das matrículas do ensino superior no país.

O governo Lula estipulou o fim dos cursos EAD na licenciatura, mas as regras ainda não estão valendo. O CNE (Conselho Nacional de Educação) discute uma resolução sobre a carga horária presencial mínima com a nova norma federal e o setor privado faz pressão para que haja um percentual mais elevado de aulas não presenciais.

Dos 194,4 mil concluintes em licenciaturas a distância no ano passado, 176,7 mil estão em instituições privadas com e sem fins lucrativos. Isso representa 91% dos estudantes.

Ao considerar cursos com ao menos 15 concluintes e dez participantes na prova (para evitar casos extremos com poucos concluintes e presentes na prova), o curso EAD com melhor desempenho foi o de letras (português) na Unisinos (RS), uma instituição comunitária/confessional. É seguido de ciências sociais na Unicsul (SP) e pedagogia na PUC-PR, respectivamente privada com fins lucrativos e comunitária/confessional.

Entre os cursos presenciais, 111 licenciaturas, a grande maioria pública, conseguiram ter todos os participantes com desempenho acima do básico. Ainda considerando cursos com ao menos 15 concluintes e dez participantes na prova, ciências biológicas na UFMG, pedagogia e geografia na USP lideram (levando em conta as maiores quantidades de concluintes e participantes na prova como critério de desempate).

O curso presencial de uma instituição privada mais bem colocado foi o de pedagogia no Centro Universitário Barão de Mauá (SP), onde os 17 concluintes conseguiram desempenho acima do básico.

A mesma avaliação do Enade Licenciaturas é usada para a PND (Prova Nacional Docente), exame organizado pelo MEC e que as redes de ensino podem optar por utilizar os resultados em seus processos seletivos. Os estudantes concluintes dos cursos de licenciaturas que tenham interesse em participar da PND devem fazer a inscrição específica na prova.

Além da proficiência dos alunos, o Enade classifica os cursos por cinco níveis. Dos 4.948 cursos de formação de professores em todo o país, 1.730 obtiveram conceito Enade 1 e 2 -patamar considerado inadequado. Graduações com esses resultados podem sofrer sanções de regulação do MEC.

Formaram-se nessas licenciaturas 178,6 mil alunos. Desses, 155,5 mil alunos estudaram em cursos EAD.

Na outra ponta, 1.939 licenciaturas tiveram conceito 4 ou 5. Nessas graduações formaram-se 68 mil alunos.

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