Senegal contesta perda de título para Marrocos e aciona tribunal esportivo
O Senegal criticou a decisão de ser despojado do título da Copa Africana de Nações, caracterizando-a como “injusta, sem precedentes e inaceitável”, e alegou que isso prejudica o futebol africano.
A Confederação Africana de Futebol (CAF) coroou o Marrocos como campeão africano na terça-feira (17), após o Conselho de Apelação da organização aceitar o protesto marroquino.
A justificativa foi a saída do time senegalês durante a final em 18 de janeiro, o que levou à desqualificação e à vitória por 3 a 0 para os anfitriões.
O Senegal havia ganho a final em Rabat com um gol na prorrogação, mas antes disso ocorreu uma paralisação de 14 minutos devido a um pênalti marcado contra a equipe nos acréscimos do tempo regular.
O técnico Papa Bouna Thiaw iniciou o protesto, sendo subsequentemente suspenso. Durante a pausa, o jogador Sadio Mané tentou persuadir os colegas a voltarem ao campo.
Após o retorno da equipe senegalesa, o árbitro permitiu que o jogo continuasse. O Marrocos perdeu um pênalti nos momentos finais, levando a partida para a prorrogação, onde Pape Gueye marcou o gol da vitória aos 94 minutos.
No entanto, o Conselho de Apelação da CAF considerou que, ao abandonar o campo, o Senegal infringiu as regras do torneio e, portanto, perdeu por desistência.
“A Federação Senegalesa de Futebol repudia esta decisão injusta, sem precedentes e inaceitável, que lança uma sombra sobre o futebol africano”, declarou a instituição em comunicado divulgado nesta quarta-feira (18).
Para proteger seus interesses, a federação anunciou que buscará a intervenção do Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), com sede em Lausanne, Suíça.
O CAS foi acionado anteriormente em 2019, quando o clube marroquino Wydad Casablanca abandonou o campo na final da Liga dos Campeões da África em protesto contra o uso do VAR.
Naquela ocasião, a equipe se recusou a continuar jogando, e o árbitro declarou o Espérance como vencedor. Posteriormente, o comitê executivo da CAF decidiu surpreendentemente pela repetição da partida.
O Espérance apelou ao CAS e foi confirmado como campeão, enquanto a CAF foi criticada por tentar reverter a decisão do árbitro.
A decisão do árbitro congolês Jean-Jacques Ndala de continuar a final em janeiro — em vez de encerrá-la e declarar o Marrocos vencedor após a saída do Senegal — deve ser um dos principais argumentos no recurso senegalês para reverter o resultado.
As Regras do Jogo estabelecem que a decisão do árbitro é final.
“Ninguém esperava um comunicado como esse dois meses após a final”, comentou o experiente treinador Claude Le Roy, que treinou a seleção senegalesa entre 1988 e 1992.
“Há anos, a CAF tem ignorado todas as decisões de arbitragem”, afirmou à televisão francesa.



