Após denúncia, deputado de Israel pede acesso a brasileiro detido por governo Netanyahu
Um deputado de Israel solicita uma visita ao ativista brasileiro Thiago Ávila, detido pelas autoridades do governo de Benjamin Netanyahu enquanto liderava uma flotilha para entregar ajuda humanitária em Gaza.
Num carta obtida pelo ICL Notícias, o deputado Ofer Cassif pediu ao comissário Yaakov (Kobi) Yaakov, do Serviço Prisional de Israel, autorização para se encontrar com o brasileiro. Ele está sendo mantido no centro de detenção de Shikma.
“Solicito realizar uma reunião com dois cidadãos estrangeiros que foram detidos em águas internacionais durante uma atividade humanitária e que se encontram atualmente detidos na prisão, aguardando decisão judicial sobre os seus casos”, afirma o documento, de 4 de maio.
Além de Ávila, o deputado solicitou um encontro com Saif Abu-Kashk, cidadão espanhol e que também foi levado pelas autoridades israelenses.
“A realização de visitas parlamentares a prisioneiros e detentos decorre do estatuto soberano do Knesset, bem como da realização da sua função de supervisão sobre o governo e os seus braços”, explica.
De acordo com sua carta, diante da decisão do Supremo Tribunal no processo 3507/24, “foram canceladas todas as restrições especiais relativas ao processo de autorização de reuniões entre um membro do Knesset e prisioneiros e detentos de segurança, de modo que o direito de o fazer não está em disputa”.
“Entendo que os detentos têm direito a reuniões com advogados, o que reforça o fato de não haver impedimento para realizar uma reunião também com um membro do Knesset para fins de supervisão parlamentar eficaz”, indicou.
Cassif explica que, no caso dos ativistas, “a realização da reunião entre o parlamentar e os detentos é de extrema importância, dado o contexto da detenção dos ativistas em águas internacionais e a sua entrada forçada em território de Israel, o que reforça a necessidade de uma supervisão parlamentar rigorosa, bem como à luz dos testemunhos apresentados em tribunal pelos seus representantes sobre violência, abuso físico e tratamento desumano”.
Na segunda-feira, a defesa de Ávila emitiram um comunicado alertando para “o abuso psicológico e os maus-tratos sofridos pelos ativistas.
“Ambos os ativistas estão em seu sexto dia de greve de fome (bebendo apenas água) em protesto contra seu sequestro ilegal pela marinha israelense em águas internacionais, enquanto participavam de uma missão humanitária para contestar o bloqueio ilegal a Gaza”, disseram as advogadas de defesa.
“Thiago Ávila relatou ter sido submetido a interrogatórios repetidos que duraram até oito horas. Os interrogadores o ameaçaram explicitamente, afirmando que ele seria “morto” ou “passaria 100 anos na prisão”, indicou.
Segundo a defesa, ambos os ativistas estão sendo mantidos em isolamento total. “Suas celas são mantidas sob iluminação constante de alta intensidade 24 horas por dia, uma prática conhecida do Serviço Prisional Israelense (IPS) especificamente projetada para induzir privação de sono e desorientação sensorial”, disse.
“Além disso, Thiago relatou ter sido mantido em temperaturas extremamente baixas. Eles são mantidos vendados o tempo todo sempre que são levados para fora de suas celas, inclusive durante exames médicos”, destaca.
“Grande parte do interrogatório tem se concentrado na Flotilha Global Sumud, uma missão humanitária pacífica, o que confirma que a detenção é uma tentativa de criminalizar a ajuda humanitária e a solidariedade”, afirma a defesa.



