Campanha de Oscar não é uma eleição política, afirma Kleber Mendonça Filho
LOS ANGELES, EUA (FOLHAPRESS) – O cineasta Kleber Mendonça Filho tem dedicado os últimos dez meses à divulgação do filme “O Agente Secreto”. Para ele, discutir repetidamente o mesmo tema não é enfadonho, pois compreende o funcionamento das campanhas do Oscar, prêmio para o qual o filme estrelado por Wagner Moura concorre em quatro categorias neste domingo.
“Muitas pessoas acreditam que se assemelha a um político em busca de votos, mas não é esse o caso. Nunca enxerguei dessa forma”, afirmou Mendonça Filho à Folha, na quinta-feira à noite em Los Angeles.
“A campanha consiste em diálogos naturais com indivíduos interessados e apaixonados por ‘O Agente Secreto'”, acrescentou.
“Jantar com membros da Pixar, compartilhar refeições com [a atriz] Lupita Nyong’o, esses encontros foram momentos enriquecedores para quem ama o cinema e aprecia trocar ideias com pessoas que admiro. Muitos podem considerar isso entediante, mas não é o meu caso.”
“É como se o filme estivesse me apresentando a essas pessoas. Acredito que esta é a parte mais gratificante da jornada com o filme.”
Aos veículos de imprensa locais, o diretor revelou estar preparando um discurso caso vença uma estatueta no domingo. “O Agente Secreto” concorre nas categorias de melhor filme, longa internacional, ator para Moura e elenco.
“Se eu não precisar usar o discurso, será perfeitamente compreensível. Este é um ano muito competitivo”, destacou o diretor. “Claro que não compareceria à cerimônia sem o discurso pronto.”
Mendonça Filho esteve no Museu da Academia para prestigiar a produtora de “O Agente Secreto”, Emilie Lesclaux, que participou de um painel com os produtores dos dez filmes indicados ao principal prêmio da noite.
Lesclaux revelou ter iniciado sua trajetória na produção cinematográfica ao lado de Mendonça Filho, a partir dos curtas “Vinil Verde” (2004) e “Recife Frio” (2009). O maior desafio enfrentado ao produzir “O Agente Secreto” foi recriar o centro de Recife dos anos 1970.
Casada com Mendonça Filho, ela acompanhou o desenvolvimento do projeto que se tornou um roteiro. Durante a exibição lotada no museu, ela compartilhou que 1977 é o primeiro ano do qual o diretor se recorda na infância, com memórias detalhadas que foram incorporadas ao roteiro.
“Ele foi muito específico em seus desejos. Os veículos que recordava, as cores, a linguagem e o vestuário das pessoas”, destacou Lesclaux. “Contamos com colaboradores incríveis na produção de arte e figurino, todos de Recife, com uma ligação pessoal com a cidade. Eles mergulharam em álbuns de família pessoais para trazer toda essa autenticidade.”
A cena mais desafiadora foi a visualização do centro da cidade do alto da cabine de projeção de um cinema. “Estava entusiasmada, mas também apreensiva, pois o centro é muito diferente do que era há 50 anos. Ao mesmo tempo, mantém certa preservação pela negligência”, explicou Lesclaux.
Para capturar a sequência, as ruas foram fechadas, diversos carros antigos foram utilizados, assim como muitos figurantes. “Foi uma coreografia para juntar todos os elementos”, recordou Lesclaux. “Mas foi como viajar em uma máquina do tempo.”
O Museu da Academia participou das celebrações do Oscar e promoveu debates com os indicados ao longo da semana.
Em um restaurante local, foi elaborada uma lista de drinks em homenagem aos dez filmes concorrentes ao prêmio principal. No coquetel não alcoólico de “O Agente Secreto”, os ingredientes eram manga, creme de coco e limão – praticamente uma sobremesa de US$ 12 (R$ 63).
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