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Recuperação judicial da Rede Metodista é encerrada; entenda o que muda para os credores

Recuperação judicial da Rede Metodista é encerrada; entenda o que muda para os credores

Recuperação judicial da Rede Metodista é encerrada; entenda o que muda para os credores

Recuperação judicial da Rede Metodista chega ao fim; saiba as mudanças para os credores

Campus Taquaral da Unimep, localizado em Piracicaba

Grandes Leilões

A recuperação judicial da Rede Metodista de Educação, cujo plano foi aprovado em dezembro de 2022, foi finalizada, embora ainda faltem R$ 716,3 milhões a serem quitados para um total de 11.843 credores.

O encerramento decorre de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determina que entidades sem fins lucrativos não têm direito à recuperação judicial, visto que não têm finalidade lucrativa e contam com benefícios fiscais.

A Vara Regional Empresarial de Porto Alegre (RS), responsável pelo processo de recuperação judicial da Rede Metodista, está procedendo com a extinção oficial do processo e autorizou, em 2 de abril, os credores a prosseguirem com suas execuções individuais.

A orientação agora é para que cada credor busque seu advogado para acionar a Vara do Trabalho correspondente ao processo.

“Esses processos precisam ser reativados, necessitam ser reiniciados, para que possam ser continuados com pedidos de busca, visando recuperar valores, principalmente após a recente venda da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) para a Drogal”, explica Letícia de Toledo Piza Rossi, advogada especialista em direito do trabalho.

Unidades que compõem a Rede Metodista

A Rede Metodista é composta por 16 entidades, a saber:

  • Instituto Metodista de Ensino Superior (IMS), de São Bernardo do Campo (SP), mantenedora da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e do Colégio Metodista de Bertioga;
  • Instituto Educacional Piracicabano da Igreja Metodista (IEP), de Piracicaba (SP), mantenedora da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) e do Colégio Piracicabano;
  • Instituto Porto Alegre da Igreja Metodista (IPA), de Porto Alegre (RS), responsável pelo Centro Universitário Metodista IPA;

O grupo entrou em recuperação judicial para renegociar seus débitos e evitar a falência.

No momento, as dívidas totalizam R$ 716.302.991,04, de acordo com a Vara Regional Empresarial de Porto Alegre. Existem 11.843 credores, distribuídos da seguinte forma:

  • 10.659 na classe trabalhista, com crédito total de R$ 547.361.617,69;
  • 3 na classe de garantia real, com valores a receber por penhor, hipoteca ou anticrese, totalizando R$ 100.122.695,56;
  • 917 na classe quirografária, incluindo fornecedores e bancos, com total de R$ 66.722.737,66;
  • 264 na classe de microempresas e empresas de pequeno porte, com R$ 2.095.940,13.

Até o momento da finalização da recuperação judicial, a Rede Metodista pagou R$ 213.352.938,45, conforme o último relatório apresentado pela administradora judicial, em dezembro de 2025.

Vendas de imóveis

Área onde estava localizado o campus da Unimep

Grandes Leilões

Para efetuar o pagamento dos credores, propriedades relacionadas à Rede Metodista foram leiloadas, como o campus Taquaral da Unimep, em Piracicaba.

Em maio de 2025, parte do terreno foi arrematada por R$ 20 milhões pela rede de supermercados Delta Max. Em setembro, o restante da área foi vendido por R$ 35 milhões para a Holding Cançado e Lessa, responsável pela Rede Drogal.

Letícia sugere que esse montante ainda pode estar disponível para distribuição entre os credores, que agora, com o término da recuperação judicial, podem buscar os recursos por conta própria, sem depender da execução do plano elaborado pela Rede Metodista.

Conforme a especialista, inicialmente, é o juiz quem busca por valores. Em caso de insucesso, ele autoriza os advogados a procurarem bens e valores do devedor, para então apresentá-los à Justiça.

Os advogados podem solicitar até mesmo o bloqueio de valores obtidos em leilões, como no caso do campus da Unimep.

Em nota conjunta, sindicatos anunciaram a retomada imediata das execuções sob suas responsabilidades. As entidades sindicais que assinaram o comunicado são a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) e os sindicatos dos professores de Campinas e região, do ABC Paulista, de Minas Gerais, de Juiz de Fora e do Rio de Janeiro.

Conceição Aparecida Fornasari, presidente do sindicato de Campinas e Região, aponta que prazos de pagamento foram descumpridos ao longo do processo de recuperação judicial.

Com relação aos credores com processos individuais, as entidades afirmam que irão convocar seus advogados para uma reunião, a qual será anunciada em breve.

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