×

Psicólogos revelam regra emocional que os pais se esquecem de ensinar

Psicólogos revelam regra emocional que os pais se esquecem de ensinar

Psicólogos revelam regra emocional que os pais se esquecem de ensinar

Mais do que ensinar a ler, incentivar hábitos saudáveis ou apoiar os primeiros passos, a responsabilidade dos pais vai muito além dessas tarefas. Especialistas destacam a importância de uma dimensão emocional frequentemente negligenciada, sobretudo na criação de meninos.

O tema voltou a ter destaque após a circulação novamente nas redes sociais de um artigo do The New York Times, levando psicólogos a ressaltarem a relevância da educação emocional na infância.

“Os pais precisam proporcionar aos filhos as ferramentas apropriadas para compreenderem seus sentimentos, e isso deve ser cultivado, assim como a compreensão de outros conceitos complexos e abstratos”, afirma Steven Meyers, da Roosevelt University, em Chicago, ao comentar o texto de 2018.

No artigo “The Boys Are Not All Right”, o comediante e escritor Michael Ian Black destaca que quando um homem “se sente perdido, mas deseja manter sua masculinidade”, muitas vezes recorre a “apenas duas opções: fugir ou reagir com fúria”.

Segundo o autor, ambas as respostas “parecem arriscadas”, mas estão diretamente relacionadas à maneira como os meninos aprendem a lidar com emoções desde a infância.

Especialistas explicam que a raiva, por si só, não é um problema. Trata-se de “uma reação a uma ameaça percebida”, que desencadeia respostas físicas como a liberação de adrenalina, aumento da frequência cardíaca e pressão arterial elevada.

O problema surge quando faltam alternativas saudáveis para lidar com esse sentimento. “É quando essa raiva não é controlada de forma saudável que se torna um problema”, alertam os psicólogos.

Embora não seja possível generalizar, estudos apontam diferenças na forma como meninos e meninas lidam com emoções. “Existem disparidades na maneira como meninos e meninas experimentam e expressam a mesma raiva”, destacam especialistas.

De maneira geral, “os meninos externalizam”, enquanto as meninas tendem a “internoalizar” esses sentimentos. Isso pode levar os meninos a direcionarem a raiva para fora, resultando em comportamentos agressivos, enquanto as meninas podem reprimir internamente, o que pode levar a sentimentos de culpa, frustração ou até depressão.

“Por outro lado, as meninas costumam direcionar a raiva e frustração para seu interior, o que pode gerar sentimentos de culpa, frustração e até depressão”, explica Meyers.

Para auxiliar as crianças a lidarem melhor com as emoções, o primeiro passo é identificar o que estão sentindo. Segundo a assistente social Kelsey Torgerson Dunn, evitar o problema pode acarretar consequências no futuro.

“Para lidar com o estresse e a raiva de forma eficaz, é essencial ajudar a criança a reconhecer o que está acontecendo, sem fugir disso”, afirma. Isso é crucial porque “crianças pequenas nem sempre conseguem identificar o que estão vivenciando”, o que pode resultar, mais tarde, em adultos com dificuldade em compreender seus próprios sentimentos.

Meyers enfatiza que, ao trabalhar com meninos, costuma enfatizar que “eles podem sentir o que quiserem, mas nem sempre podem agir como desejam”.

Na prática, a orientação para os pais é adotar uma abordagem baseada em paciência e acolhimento. Segundo os especialistas, essa é a maneira de formar adultos mais equilibrados e “emocionalmente responsáveis”.

Historicamente, os meninos foram ensinados a reprimir emoções, mas a abordagem atual é diferente. “Seja paciente e tranquilo. Deixe claro que não está tentando reprimir ou negar a raiva deles no momento”.

O objetivo final é que a criança aprenda a regular suas emoções. “O ideal é ajudar os filhos a alcançarem um ponto em que consigam se acalmar por conta própria, talvez com técnicas de respiração, distanciando-se psicologicamente da situação”, para que possam compreender a origem do problema sem reagir impulsivamente.

Dados mostram um aumento expressivo nas internações e atendimentos por transtornos mentais entre crianças e adolescentes em São Paulo; especialistas destacam o impacto da pandemia, mudanças sociais e falta de estrutura na rede pública como fatores centrais

Folhapress | 17:20 – 11/04/2026

Créditos