Além do ovo: frango, boi e tilápia ampliam a base da proteína animal capixaba
O Estado do Espírito Santo é mais reconhecido pela produção de ovos do que por qualquer outro produto da pecuária. No entanto, os dados de 2025 da Secretaria de Agricultura (Seag), compilados a partir do levantamento do IBGE, revelam uma diversificação e expansão do setor animal em diversas frentes: frango, bovino, ovos e agora também a piscicultura. São quatro cadeias em crescimento simultâneo, cada uma com suas dinâmicas distintas, e uma feira que, pela primeira vez, irá reunir todas elas no mesmo espaço.
No segmento de aves, o abate de frangos aumentou em 1,75% em 2025, totalizando 137,8 mil toneladas de carcaça, resultado do abate de 57,1 milhões de aves. O Espírito Santo ocupa a 11ª posição no ranking nacional de frango de corte, contribuindo com 1% da produção do país. Quanto aos ovos, o estado mantém uma posição de destaque, sendo o 4º maior produtor nacional, com 8% da produção total do Brasil, impulsionado pela concentração produtiva em Santa Maria de Jetibá. A produção de ovos registrou um aumento de 1,4% em 2025.
O custo de produção de frango de corte diminuiu em 2,81% em 2025, impulsionado pela redução no preço da ração, que representa 62,96% do custo total da atividade e teve uma queda acumulada de 8,92% no ano. Essa redução de custos proporciona uma margem mais favorável para os avicultores capixabas em comparação com anos anteriores, nos quais o milho e o farelo de soja pressionavam o setor. O cenário de custos mais favorável na avicultura de corte é um dos fatores que incentivam os investimentos contínuos nesse segmento.
No que diz respeito à pecuária bovina, o abate cresceu 3% no estado, totalizando 79 mil toneladas de carcaça em 2025. Esse crescimento ocorre em um contexto nacional de menor disponibilidade de boi gordo, o que mantém os preços elevados para os produtores e impulsiona as exportações brasileiras de carne bovina, que atingiram recordes históricos nos primeiros meses de 2026. Embora o Espírito Santo não esteja entre os principais produtores nacionais de gado, encontra no mercado interno aquecido uma demanda estável para sua produção regional.
O único setor que apresentou queda foi o leite, com uma redução de 4,4% na captação em 2025, totalizando 232,1 milhões de litros, em comparação com 242,8 milhões em 2024. Essa diminuição reflete a pressão dos custos sobre os produtores de leite, que não tiveram o mesmo alívio nos insumos que a avicultura de corte, além da competição com outras atividades mais lucrativas no mesmo perfil de propriedade.
Nesse cenário de diversificação da proteína animal capixaba, a piscicultura emerge como um novo vetor. Em 2024, o estado produziu mais de 7 mil toneladas de tilápia, representando 99,5% da produção de piscicultura capixaba, presente em 47 municípios e contando com cerca de 400 produtores, sendo a maioria agricultores familiares. Domingos Martins concentra 20% da produção estadual, com 1,4 mil toneladas em 2024, lideradas pela Cooperativa de Empreendedores Rurais do município, a Coopram.
A Coopram encerrou o ano de 2025 com um faturamento de R$ 35 milhões, um crescimento de 25% em relação aos R$ 28 milhões de 2024, contando com 488 cooperados. Em abril de 2026, a cooperativa inaugura uma nova unidade de beneficiamento de tilápia em Ponto Alto, distrito de Domingos Martins, com um investimento de R$ 12 milhões. Essa estrutura será dedicada à produção de filés e ao desenvolvimento de produtos de maior valor agregado, como hambúrgueres, quibes, bolinhos e carne moída de tilápia. A Coopram já fornece filé de tilápia para as escolas estaduais dos 78 municípios do Espírito Santo.
É a piscicultura que altera o perfil da FAVESU 2026. A Feira da Proteína Animal Capixaba, o maior evento do setor no estado, inclui pela primeira vez o segmento aquícola em sua 8ª edição, marcada para os dias 28 e 29 de outubro em Venda Nova do Imigrante. A mudança na data do evento, que estava previsto para junho, ocorreu devido à reforma e ampliação do Centro de Eventos Padre Cleto Caliman, o Polentão. A nova estrutura, que estará finalizada até outubro, será mais moderna e com maior capacidade.
A inclusão da piscicultura não é apenas simbólica. É o reconhecimento formal de que a proteína animal capixaba não se limita mais às tradicionais cadeias de avicultura e suinocultura. A Coopram, que se junta como co-organizadora do evento ao lado da Associação dos Avicultores (AVES) e da Associação dos Suinocultores (ASES), representa um setor que cresceu em volume, valor agregado e alcance de mercado, e que agora possui infraestrutura para se destacar ao lado das cadeias mais consolidadas do estado.
A convergência desses quatro setores, frango, bovino, ovos e tilápia, em uma única agenda de eventos e em um esforço conjunto de promoção estadual, reflete a maturidade do agronegócio capixaba. O Espírito Santo pode não competir em escala com Mato Grosso ou Paraná, mas ao longo dos anos construiu uma base diversificada de produção animal, voltada para mercados internos e externos exigentes, e com uma estrutura cooperativa capaz de transformar volume em valor.



