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Tarcísio troca comando da PM de SP após denúncia

Tarcísio troca comando da PM de SP após denúncia

Tarcísio troca comando da PM de SP após denúncia

Tarcísio substitui liderança da Polícia Militar de São Paulo após denúncias

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, removeu o coronel José Augusto Coutinho do cargo de comandante da Polícia Militar paulista devido a uma investigação em andamento sobre possível omissão diante de denúncias envolvendo policiais da Rota, unidade de elite da PM, que estariam repassando informações ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em troca de propina.

A substituição foi motivada por dois documentos confidenciais que foram entregues ao procurador-geral de Justiça de São Paulo: o depoimento do promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e uma representação formal do promotor da Justiça Militar Bruno Servello Ribeiro, apontando suspeitas de inércia por parte do então comandante.

Crise no Comando da PM de SP

A saída de Coutinho representa a segunda mudança no comando da PM durante a gestão de Tarcísio, em um momento politicamente delicado, visto que o ex-secretário da Segurança Pública Guilherme Derrite, pré-candidato ao Senado, havia indicado pessoalmente os dois comandantes substituídos.

No lugar de Coutinho, foi designada a coronel Glauce Anselmo Cavalli, tornando-se a primeira mulher a liderar a PM paulista em seus dois séculos de história.

Depoimento contra o coronel afastado

Segundo o Estadão, o promotor Lincoln Gakiya prestou depoimento sigiloso à Corregedoria da PM em março, relatando indícios de vazamento de operações do Gaeco e uma reunião com Coutinho para discutir o assunto.

De acordo com as investigações, Gakiya apresentou ao então comandante evidências de que informações sobre ações policiais contra o PCC estavam sendo compartilhadas com líderes da facção. Durante essa reunião, Coutinho teria escutado áudios que confirmavam o esquema, sem tomar medidas corretivas ou investigativas posteriormente.

Áudios envolvendo o PCC

Dentre as provas reunidas pelos promotores estão dois arquivos de áudio preservados pelo Gaeco, contendo conversas realizadas em 2021 entre Marcos Roberto de Almeida Pires, conhecido como Tuta e preso na Bolívia em maio de 2025, e dois outros membros do PCC, identificados como BH e Caíque.

Nessas gravações, Tuta relata ter obtido uma gravação de uma reunião realizada na sede da Rota, na qual o promotor Gakiya estava presente durante o depoimento de BH, que concordou em colaborar com a justiça entregando comparsas do PCC.

Esse depoimento, feito em um ambiente supostamente seguro, teria sido vendido ao líder do PCC por R$ 5 milhões por policiais da inteligência da unidade.

Pedido de investigação formal

Baseado nas investigações do Estadão, o promotor da Justiça Militar, Bruno Servello Ribeiro, enviou uma representação ao procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio Oliveira e Costa, responsável por analisar acusações contra oficiais com prerrogativa de foro, como os comandantes da PM. No documento, Ribeiro afirmou:

“Uma pessoa com prerrogativa de função tomou conhecimento de possível delito cometido por seus subordinados, sem que tenham sido adotadas medidas corretivas ou investigativas, o que pode ser enquadrado nas condutas previstas no Código Penal Militar.”

Os suspeitos teriam formado um grupo interno dedicado a compartilhar informações privilegiadas com líderes identificados do PCC, incluindo Cara Preta, Django, Tuta, Cebola, Japa e o advogado Ahmed Hassan Saleh, conhecido como Mude.

Além dos vazamentos, a Corregedoria identificou outra parte do esquema: a venda de proteção ao empresário Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, da empresa de transporte Transwolff, alvo da Operação Fim da Linha, que investigava a infiltração do PCC no sistema de transporte público paulista.

Versão de Coutinho e resposta do governo

A defesa do coronel, conduzida pelo criminalista Fernando José da Costa, contestou as informações divulgadas. Em nota, afirmou que “até o momento, não teve acesso aos autos do inquérito mencionado, razão pela qual desconhece os elementos que embasariam as supostas informações divulgadas”.

A nota continuou: “Não procedem as afirmações de que o coronel teria sido alertado sobre eventual envolvimento de subordinados com organização criminosa e deixado de adotar providências.”

A defesa ainda ressaltou que “a mera citação em procedimento investigativo não implica qualquer juízo de responsabilidade, especialmente considerando tratar-se de agente público exemplar com mais de 34 anos de carreira na Polícia Militar do Estado de São Paulo, sem qualquer histórico de processos ou investigações por irregularidades.”

Segundo informações do Estadão, Coutinho foi aconselhado a solicitar seu próprio afastamento antes que o procurador-geral concluísse a análise do caso. O ex-comandante confidenciou a aliados que se considera vítima de uma articulação promovida por dois coronéis que ele havia afastado de suas funções a mando do secretário adjunto de Segurança Pública, Henguel Ricardo Pereira, responsável por retirar das chefias da PM todos os oficiais vinculados a Derrite.

O governo de São Paulo, por sua vez, sustentou uma versão oficial. Em comunicado, informou que “o coronel Coutinho pediu afastamento de suas funções por motivos pessoais” e que “todas as mudanças realizadas na polícia militar seguem critérios técnicos embasados na trajetória de cada oficial.”

“Cada troca de comando da instituição foi realizada por motivos específicos e com o objetivo de manter os altos padrões operacionais da Polícia Militar do Estado de São Paulo.”

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