Homeopatia: conforto na crise ou risco de ilusão? Especialista analisa limites e controvérsias da prática
O aumento da busca por Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) no Brasil tem colocado a homeopatia no centro de um debate entre benefícios percebidos, controvérsias científicas e riscos à saúde. Segundo dados do Ministério da Saúde, foram realizados mais de 7,1 milhões de procedimentos em 2024, um crescimento de 70% em relação a 2022. Em 2025, entre janeiro e agosto, já foram registrados quase 3,8 milhões de atendimentos na atenção primária do SUS, alta de 14,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Nesse cenário, a homeopatia é vista por parte da população como alternativa de cuidado, especialmente em contextos de estresse e saúde mental fragilizada. A prática, no entanto, divide opiniões dentro da comunidade científica.
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Para o médico homeopata e professor, Pedro Moro, a abordagem vai além da sintomatologia física. Segundo ele, a homeopatia busca tratar o indivíduo de forma integral, considerando aspectos emocionais e mentais associados às doenças.
Apesar dessa visão, a homeopatia enfrenta críticas no meio científico, principalmente devido ao princípio da diluição extrema, considerado por muitos estudos como incompatível com efeitos terapêuticos além do placebo. Ainda assim, defensores da prática afirmam que há evidências em áreas como veterinária, pediatria e agronomia, onde o efeito placebo seria reduzido ou inexistente.
O ponto de maior alerta, segundo especialistas, está na substituição de tratamentos convencionais por terapias homeopáticas em doenças graves. Condições como câncer, diabetes tipo 1 e infecções severas exigem acompanhamento médico e terapias comprovadas, sob risco de agravamento do quadro clínico quando há abandono do tratamento adequado.
Pedro Moro reforça a importância do acompanhamento profissional qualificado e da utilização responsável da homeopatia. Segundo ele, a prática deve ser orientada por médicos especializados e associada a medicamentos de procedência confiável, sempre respeitando os limites de cada caso clínico.


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