Coveiros queixam-se por serem desvalorizados pela Prefeitura e Câmara
“O salário dos esquecidos!”. Esse é o título de um manifesto, em tom de desabafo, que coveiros estão divulgando, como forma de se queixar dos baixos salários da categoria, engrossando o coro geral do funcionalismo, ainda inconformado com o reajuste de 2% proposto pelo prefeito Lucas Sanches (PL) e aprovado por mais de dois terços dos vereadores.
Ao citar os termos “desvalorização, arrocho e depreciação”, apresentam cálculos que demonstram que os reajustes não acompanham a inflação há muitos anos. O texto afirma que no mandato de Elói Pietá, os agentes operacionais funerários (coveiros) foram depreciados em 42%. “Era conhecido como vale coxinha!”, ironiza um deles, à Reportagem do Click Guarulhos. Complementa dizendo que no mandato de Guti perderam 32%. “Ele disse que iria valorizar o coveiro, mas também não cumpriu”, arremata.
Eles comparam o reajuste obtido no mandato do Lucas Sanches, em 2025, de 2%, com a inflação, que ficou em 4,83%. “Ou seja, o reajuste não cobriu nem metade da inflação!”, reclama outro agente operacional.
“E em 2026, o prefeito Lucas nos oferece um aumento de 2%, com a conivência de 90% dos vereadores, sendo que a inflação ficou em 4,26% em 2025. Sendo assim só nesse governo nós os agentes operacionais funerário (coveiros) já estamos perdendo mais de 5% de reposição e nem estou falando de aumento real”, lembra.
“Nosso salário é um horror, é desmotivador. Somando as perdas, já está em 89%. Será que vale apena ser funcionário público municipal em Guarulhos?”, desabafa.
Diante do argumento de que houve aumento no valor do Vale-alimentação, um dos coveiros queixosos responde que não conta na hora da aposentadoria: “Não adianta melhorar o Vale-alimentação se não temos salário digno!”
Outra comparação que os reclamantes fazem é com salários de outros municípios. “Por isso, hoje em Guarulhos as pessoas preferem ir para municípios vizinhos, porque estão pagando muito melhor. Em Arujá, vizinho de Guarulhos, o salário está mais de 3 mil reais. Aqui em Guarulhos o salário é, pasmem, de R$ 2.068,44. Por que não valorizam o coveiro?”. Completam a comparação, lembrando que a arrecadação de Arujá é infinitamente menor do que a de Guarulhos.
Outro agente operacional funerário cita o Stap, sindicato do funcionalismo. Segundo ele, o presidente Pedro Zanotti Filho teria afirmado que o percentual que a Prefeitura gasta com o funcionalismo está em 37%, enquanto a lei permite que fosse até 51%. Mas, em seguida, ele se queixa também do Sindicato: “Tem um diretor do Stap, o Leandro, que é GCM. Ele só briga pela valorização da categoria dele, o que não achamos justo, porque ele teria de defender todo o funcionalismo e não apenas um setor”. Afirmam que outros diretores do Stap conseguiram conquistar gratificações de 30% para todas as outras funções e nada para os coveiros. “Por acaso, há alguém que não irá precisar de nós quando morrer?”, deixa no ar a pergunta.
Para concluir, citam que o exercício dessa função mexe muito com o emocional: “O trabalho é muito muscular e pesadíssimo. Muitos que passaram no último concurso nem ficaram por achar que é um trabalho árduo, com um salário baixíssimo!”, argumenta.
Por fim, lançam um desafio aos vereadores: “Será que os nobres vereadores irão nos apoiar, nos dar um valor justo de aumento, para que tenhamos um salário digno?! Hummm, não acredito, por que apoiam o prefeito em tudo, para terem suas secretarias e não estão nem aí com o coveiro!”
A mágoa que têm devido aos baixos salários é reforçada ao lembrar um detalhe que para muitos poderia ser de menor importância, mas para eles tem um forte significado: “Depois de vinte anos trabalhando neste departamento, ficamos pela primeira vez sem uma festa de confraternização de final de ano. E nem tiveram a decência de nos comunicar o motivo de não ter!”.
Nota da Redação: Utilizamos foto de arquivo para ilustrar para não expor os servidores queixosos, nem o local em que trabalham.
Estamos enviando a demanda à Assessoria de Imprensa da Prefeitura, solicitando manifestação da Administração Municipal sobre a possibilidade de conceder uma gratificação adicional à categoria. O espaço fica garantido ao Stap, caso queira apresentar suas justificativas.


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