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Lula recebe declaração de amor de Trump antes da reunião

Lula recebe declaração de amor de Trump antes da reunião

Lula recebe declaração de amor de Trump antes da reunião

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  • Donald Trump disse “I love you” a Luiz Inácio Lula durante ligação telefônica pré‑reunião.
  • Lula foi recebido com tapete vermelho ao chegar aos Estados Unidos.
  • O encontro ocorreu no âmbito de visita oficial de Lula ao país.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou na noite desta quarta-feira (6) em Washington, nos Estados Unidos, onde terá nesta quinta-feira (7) uma reunião bilateral com o presidente norte-americano Donald Trump na Casa Branca. Na chegada à capital americana, Lula foi recebido com honras diplomáticas e tapete vermelho ao deixar o avião presidencial.

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A visita ocorre após um telefonema de cerca de 40 minutos entre Lula e Trump realizado na última sexta-feira (1º). Segundo informações divulgadas pelo portal G1 e confirmadas por interlocutores do governo brasileiro, a conversa teve tom amistoso e marcou a consolidação da aproximação entre os dois líderes.

De acordo com os relatos, Trump afirmou admirar a trajetória política de Lula e disse ter pesquisado sobre a vida do presidente brasileiro. Ao fim da ligação, o republicano surpreendeu ao se despedir de maneira informal com um “I love you” direcionado ao mandatário brasileiro.

A conversa abriu caminho para o encontro presencial desta quinta, considerado estratégico pelo Palácio do Planalto em meio às tensões comerciais e geopolíticas envolvendo Brasil e Estados Unidos.

Lula viajou acompanhado do chanceler Mauro Vieira e de ministros de áreas consideradas centrais para as negociações, entre eles Wellington César Lima e Silva (Justiça), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) e Alexandre Silveira (Energia), além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos.

A reunião entre Lula e Trump está marcada para as 12h00 (horário de Brasília). Depois, ambos devem conceder uma coletiva de imprensa.

Lula e Trump: Pix, soberania e terras raras no centro da reunião

Um dos principais temas da reunião será a ofensiva comercial dos EUA contra o Brasil envolvendo o Pix. O governo Trump abriu uma investigação comercial que pode resultar em novas sanções econômicas contra o país.

Washington alega que o sistema brasileiro de pagamentos favoreceria empresas nacionais e criaria desvantagens competitivas para gigantes financeiras americanas, como Visa e Mastercard. O governo Lula, no entanto, considera a investigação injustificada e pretende apresentar dados para defender o modelo brasileiro.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já afirmou que o Pix é uma infraestrutura pública moderna e comparável a sistemas existentes nos próprios Estados Unidos. A avaliação do governo brasileiro é que há pressão de interesses privados americanos contra o sistema criado pelo Banco Central.

Outro tema sensível envolve as terras raras brasileiras, minerais estratégicos para a transição energética e para a indústria tecnológica global. O governo Lula deve reforçar junto aos EUA a defesa da soberania nacional sobre esses recursos naturais, ao mesmo tempo em que mantém aberta a possibilidade de cooperação econômica.

A pauta também inclui segurança internacional e combate ao crime organizado transnacional. O governo brasileiro deve rejeitar a proposta estadunidense de classificar facções como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, mas pretende ampliar a cooperação bilateral contra o tráfico internacional de drogas e armas.

Além disso, Lula deve abordar a guerra envolvendo EUA, Israel e Irã e defender uma saída diplomática para o conflito, tema que vem sendo tratado pelo presidente brasileiro em fóruns internacionais.

O encontro acontece após uma sequência de aproximações entre Lula e Trump em eventos multilaterais, incluindo reuniões anteriores durante a Assembleia-Geral da ONU e a cúpula da Asean, na Malásia. Nos bastidores do governo brasileiro, a avaliação é que o diálogo direto entre os dois presidentes pode ajudar a reduzir tensões comerciais e abrir espaço para uma nova fase nas relações entre Brasília e Washington.

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