Bolsonarista, vice de Nunes defende Ypê após proibição da Anvisa
Vice-prefeito de São Paulo usou redes para defender Ypê. Foto: Rede social / melloaraujo10
O vice-prefeito de São Paulo, coronel da PM Ricardo Mello Araújo, publicou um vídeo nas redes sociais defendendo o uso de produtos da Ypê, mesmo após alerta da Vigilância Sanitária de São Paulo e decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre lotes da marca. A agência informou na quinta-feira (7) que lava-roupas líquidos, lava-louças líquidos e desinfetantes de lotes terminados em 1 apresentam risco sanitário.
No vídeo, Mello Araújo afirmou que usa produtos da empresa em casa e incentivou consumidores a comprarem itens da marca. “Aqui em casa, gente, é só produto Ypê. Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com uma empresa 100% brasileira. Vamos nos supermercados comprar produtos Ypê. Quem tem produto Ypê posta no Instagram, marca a Ypê”, disse o vice-prefeito.
A recomendação da Anvisa foi acompanhada pelo Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP), órgão ligado ao governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A inspeção que motivou a interdição de uma linha de produção da fábrica da Ypê em Amparo, no interior paulista, apontou contaminação por micro-organismos e falhas nas boas práticas de produção.
Segundo o diretor do CVS-SP, Manoel Lara, a decisão foi tomada porque a empresa não teria conseguido resolver o problema de forma consistente desde a primeira constatação, feita em novembro do ano passado. “Na inspeção foram detectadas falhas nas boas práticas de processamento de produtos. Tinha tanto falhas documentais quanto falhas relacionadas à questão de higiene e limpeza das áreas de produção”, afirmou Lara. “De alguma forma, essas falhas poderiam estar ligadas a essa contaminação por Pseudomonas.”
A bactéria identificada foi a Pseudomonas aeruginosa, que pode oferecer risco principalmente a pessoas com baixa imunidade. Lara também relatou problemas no ambiente de produção da fábrica. “Tinha acúmulo de sujidades no ambiente, no piso, em cima de tubulações e máquinas, com poeira, o que demonstrava uma falha na questão de limpeza”, disse. Apesar de recurso apresentado pela empresa, o CVS-SP manteve a orientação para que os consumidores não usem os produtos afetados.
Em nota, a Ypê informou que recorreu à Anvisa contra a resolução que determinou a suspensão da fabricação e comercialização de produtos das categorias lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes. A empresa afirmou que busca “reforçar os compromissos assumidos no seu Plano de Ação e Conformidade” e apresentar “esclarecimentos adicionais e subsídios técnicos”. Também declarou que manterá “diálogo constante e permanente com a Anvisa e demais autoridades” e reiterou seu “compromisso de 75 anos com a qualidade, a segurança e a transparência”.
O vice-prefeito de SP, Coronel Ricardo Mello Araújo, foi às redes sociais para fazer uma campanha a favor da empresa Ypê, ignorando a recomendação da Anvisa de não usar os produtos devido a suspeita de um lote contaminado com bactérias.
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— Metrópoles (@Metropoles) May 9, 2026



