Em condicional por matar a noiva em 2020, homem é preso em MG suspeito de assassinar nova companheira no ES | Jornal Espírito Santo Notícias
Alex clonou o celular da vítima em Guarapari para cobrar dinheiro de vizinho e corretora; na fuga, ele tentou atear fogo no próprio corpo
Alex Almeida de Barros, de 48 anos, preso em flagrante nesta quarta-feira (27) no estado de Minas Gerais, já carrega no histórico uma condenação por assassinato. Ele, que é o principal suspeito de matar a atual companheira, Rosi Mari Marcelly Ayala, de 52 anos, em Guarapari, estava usufruindo do benefício de liberdade condicional após ter sido condenado a 12 anos de prisão por estrangular e ocultar o corpo da então noiva, no ano de 2020, em Anchieta.
A nova tragédia começou a ser desvendada quando amigos e familiares de Rosi estranharam o sumiço repentino da mulher, que não era vista há cerca de 20 dias. O sinal definitivo de que algo estava errado veio do comportamento no aplicativo de mensagens: Rosi, conhecida pelo jeito alegre e comunicativo, parou abruptamente de fazer ligações ou enviar áudios, limitando-se apenas a respostas escritas. O último registro de sua voz havia sido emitido no início de abril.
Corpo achado em apartamento e farsa financeira
Diante da suspeita, parentes mobilizaram a Polícia Militar para arrombar a porta do apartamento de Rosi, em Guarapari. No interior do imóvel, os militares encontraram a vítima morta, com o corpo já em avançado estado de decomposição.
Enquanto a família sofria com a descoberta, os investigadores descobriram que Alex vinha utilizando o telefone da companheira morta para aplicar golpes e arrecadar dinheiro. Fingindo ser a vítima por meio de textos, o homem tentava liberar junto a uma corretora de imóveis os valores de um apartamento que Rosi havia vendido recentemente por mais de R$ 300 mil. A profissional desconfiou da abordagem fria e travou o repasse.
O homem também usou o perfil da falecida para cobrar parcelas de móveis vendidos a um vizinho. Em uma das mensagens, enviada em maio, o perfil de Rosi dizia: “Faz um pix para o meu namorado, eu estou autorizando”. Desconfiado do tom da conversa e de erros sobre os valores, o morador preferiu resguardar o dinheiro com a síndica do prédio.
Fuga com direito a tentativa de suicídio em Minas Gerais
Com o cerco se fechando no Espírito Santo, Alex pegou o carro da própria vítima, um Honda Fit, e iniciou uma fuga rodoviária em direção ao estado vizinho. Agentes de segurança conseguiram rastrear o veículo e montaram uma barreira de interceptação na altura do município de Rio Casca (MG).
Ao receber a ordem de parada e perceber que seria capturado, o homem adotou uma postura extrema: jogou gasolina sobre o próprio corpo e tentou atear fogo em si mesmo. Logo em seguida, correu desesperado em direção a um matagal às margens da pista. Os policiais fecharam o perímetro da mata, fizeram um cerco tático e conseguiram imobilizar e prender o criminoso.
O passado idêntico em Anchieta
O roteiro do crime atual é quase um espelho do homicídio cometido por Alex em 18 de agosto de 2020. Na época, ele assassinou a noiva, Euzineia Loyola, na zona rural de Anchieta. O corpo de Euzineia foi localizado em um sítio da família na região de Goembê, com marcas severas de estrangulamento, escondido dentro de uma piscina e coberto por uma lona plástica.
Alex foi julgado e sentenciado por homicídio simples. Porém, em setembro de 2025, após cumprir pouco mais de um terço da pena total em regime fechado e obter pareceres favoráveis por bom comportamento, a Justiça capixaba concedeu a ele o direito de voltar às ruas sob livramento condicional.
O investigado agora retorna ao sistema prisional, onde deve perder o benefício anterior e responderá pelos novos crimes de homicídio, ocultação de cadáver e estelionato.
Leia a nota da Polícia Civil na íntegra
“A Polícia Civil informa que as investigações tiveram início após o encontro do cadáver e o caso segue sob investigação da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari.
De acordo com as investigações preliminares, os familiares perceberam movimentações suspeitas no celular da vítima, incluindo pedidos de dinheiro por mensagens de texto, com linguagem incompatível com a forma habitual de comunicação dela. Diante da situação, eles acionaram a polícia.
Durante as diligências, os policiais identificaram que o companheiro da vítima estaria utilizando pertences pessoais dela, incluindo o veículo e o telefone celular. O suspeito fugiu em direção ao Estado de Minas Gerais conduzindo o automóvel da vítima.
Com apoio integrado da Polícias Civil (PCMG) e Militar (PMMG) de Minas Gerais, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP), foi realizada tentativa de abordagem ao suspeito já no Estado de Minas Gerais. Durante a ação, ele ateou fogo contra o próprio corpo e foi socorrido em estado grave para uma unidade hospitalar.
A Polícia Civil ressalta que a causa da morte da vítima ainda depende da conclusão dos laudos periciais e que, neste momento, não é possível afirmar a motivação ou a natureza do crime. As investigações prosseguem para esclarecer todas as circunstâncias do caso.”



