Google é multado em US$ 1 bilhão pela UE por práticas que prejudicam a concorrência
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A União Europeia aplicou nesta quinta-feira, 23, uma multa de € 890 milhões (cerca de R$ 5,1 bilhões) ao Google, após afirmar que a gigante de tecnologia violou regras de concorrência digital ao configurar o Google Play e seu mecanismo de busca para direcionar consumidores aos próprios serviços e aplicativos, prejudicando concorrentes.
Foi a mais recente grande ofensiva de Bruxelas contra as grandes empresas de tecnologia, em uma atuação que colocou a UE na liderança mundial na tentativa de conter algumas das maiores companhias, do Vale do Silício a Pequim.
A medida ocorre apesar do risco de provocar a reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Que criticou as regulamentações digitais do bloco de 27 países em meio a uma campanha mais ampla contra a Europa. Que inclui a imposição de tarifas elevadas, ameaças de tomar a Groenlândia da Dinamarca à força e o enfraquecimento da confiança na aliança militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Retaliação do governo dos EUA
No passado, Trump ameaçou retaliações caso empresas americanas de tecnologia fossem penalizadas.
O Google havia perdido recentemente um recurso contra uma multa de US$ 4,5 bilhões (R$ 22,9 bilhões) aplicada pela UE por restringir a concorrência. Além de reduzir as opções dos consumidores por meio do domínio de seu sistema operacional móvel Android.
A Comissão Europeia, braço executivo do bloco e principal órgão responsável pela aplicação das regras de concorrência, afirmou que agiu em defesa dos consumidores após uma investigação sobre o Google.
Os melhores produtos devem ter sucesso porque são melhores, não porque pertencem à empresa que opera o mecanismo de busca. E os consumidores europeus têm o direito de serem informados pelos desenvolvedores de aplicativos sobre onde podem se cadastrar para obter as melhores ofertas, mesmo quando o proprietário da loja de aplicativos não recebe uma porcentagem.
Teresa Ribera, vice-presidente-executiva da Comissão Europeia
O presidente de Assuntos Globais do Google, Kent Walker, criticou a multa, classificando-a como uma “degradação dos produtos impulsionada por um pequeno grupo de reclamantes interessados em benefício próprio”, que terá impacto negativo sobre empresas e consumidores europeus.
Segundo ele, a Lei de Mercados Digitais da UE obriga o Google “a remover recursos de busca em tempo real que os europeus adoram – como preços instantâneos e disponibilidade direta para hotéis, voos e restaurantes – e a desmontar proteções de segurança no Google Play”.
A UE classifica as maiores empresas de tecnologia do mundo – Amazon, Apple, Alphabet (controladora do Google), Meta, Microsoft e ByteDance (dona do TikTok) – como “controladoras de acesso”, que controlam o acesso dos consumidores a determinados mercados.
“Na UE, as empresas têm o direito de competir de forma justa. As controladoras de acesso têm a obrigação de garantir condições equilibradas de concorrência. Além disso, os consumidores têm o direito de escolher ofertas alternativas mais baratas”, afirmou o porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier.
A Alphabet registrou US$ 403 bilhões (R$ 2 trilhões) em receita em 2025.



