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23% das exportações aos EUA serão sobretaxadas; 16,5% terão alíquota de 37,5%, diz ministério | Brasil

23% das exportações aos EUA serão sobretaxadas; 16,5% terão alíquota de 37,5%, diz ministério | Brasil

23% das exportações aos EUA serão sobretaxadas; 16,5% terão alíquota de 37,5%, diz ministério | Brasil

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) estima que aproximadamente 23,1% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, com base no comércio bilateral de 2024, estarão sujeitas às novas sobretaxas impostas no âmbito das investigações conduzidas com fundamento na Seção 301. O percentual é inferior ao observado após o anúncio tarifário americano de 30 de julho de 2025, quando 35,9% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano ficaram sujeitas a tarifas específicas de 40% ou 50%.

Desse total, 4,7% das exportações serão atingidas exclusivamente pela tarifa adicional de 12,5%, caso de produtos como obras de pedra, gesso e materiais semelhantes, minérios, óleos essenciais e produtos de perfumaria e pescados. Outros 1,9% estarão sujeitos apenas à sobretaxa de 25%, categoria que inclui, entre outros itens, o açúcar.

A maior parcela, equivalente a 16,5% das exportações brasileiras aos EUA, será alcançada simultaneamente pelas duas medidas e ficará sujeita à sobretaxa acumulada de 37,5%. Nesse grupo estão produtos como máquinas e equipamentos, diversos tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.

Segundo o Mdic, cerca de 52,7% das exportações brasileiras para os EUA permanecem fora do alcance tanto das sobretaxas setoriais aplicadas com base na Seção 232 quanto das novas tarifas gerais e específicas impostas no âmbito da Seção 301. Esses produtos seguem sujeitos apenas às tarifas ordinárias de importação dos EUA. Estão nesse grupo itens como café, carnes, ferro fundido, aeronaves, suco de laranja, frutas, diversos produtos químicos e a maior parte das exportações de celulose.

As novas sobretaxas decorrem de duas decisões publicadas pelo governo dos Estados Unidos nos dias 15 e 23 de julho de 2026, ambas com base na Seção 301 da legislação comercial americana. A primeira impôs uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, mas ampliou a lista de exceções em relação à proposta divulgada no início de julho. A medida entrou em vigor em 22 de julho, preservando apenas as mercadorias já embarcadas e em trânsito até 29 de julho.

A segunda decisão estabeleceu uma sobretaxa adicional de 12,5% para produtos brasileiros no âmbito da investigação sobre trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos. A medida integra uma ação mais ampla aplicada aos 60 principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, com tarifas de 10% ou 12,5%, conforme o país.

Pelas regras americanas, os produtos sujeitos às tarifas setoriais da Seção 232, como aço e alumínio, permanecem fora do alcance dessas medidas e continuam submetidos exclusivamente ao regime tarifário específico previsto naquela legislação.

Segundo o Mdic, a intensificação das tarifas dos Estados Unidos ocorre em meio à desaceleração do comércio bilateral. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano caíram de US$ 40,4 bilhões, recorde em 2024, para US$ 37,7 bilhões em 2025 e seguiram em queda em 2026, refletindo sobretudo as sobretaxas impostas pelos EUA.

No primeiro semestre deste ano, os embarques recuaram 13% ante o mesmo período do ano anterior, para US$ 17,4 bilhões, puxados pelas quedas nas vendas de petróleo (-30,4%) e de produtos siderúrgicos semiacabados (-21,7%).

Com isso, a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. As importações brasileiras de produtos americanos também diminuíram, levando a uma retração de 12,8% na corrente de comércio bilateral.

Containers em terminal do Porto de Santos (SP) — Foto: Divulgação/Porto de Santos

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