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MP quer impugnar candidatura de Pablo Marçal à Presidência

MP quer impugnar candidatura de Pablo Marçal à Presidência

MP quer impugnar candidatura de Pablo Marçal à Presidência

O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu que a Justiça Eleitoral de São Paulo negue o registro da candidatura de Pablo Marçal (PRTB) à Presidência da República. A promotora Renata Caetana Pereira aponta irregularidades na filiação do influenciador ao partido e sustenta que ele está inelegível até 2032.

O pedido foi protocolado na última quinta-feira (3) no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). O MPE quer derrubar a liminar que garantiu a inscrição de Marçal no pleito de outubro — a mesma liminar que o próprio órgão havia concordado anteriormente.

MP quer impugnar candidatura de Pablo Marçal à Presidência

Segundo a promotora, Marçal não comprovou de forma satisfatória a filiação ao PRTB dentro do prazo legal exigido para concorrer à Presidência. A data limite para mudanças partidárias era 4 de abril de 2026, e a ficha de filiação apresentada à Justiça Eleitoral tem justamente essa data. No entanto, documentos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, até o prazo final, Marçal ainda estava vinculado ao União Brasil.

A promotora também questiona a autenticidade da ficha de filiação. “A controvérsia não se limita à existência atual de uma ficha física contendo a data de 04/04/2026. O ponto central consiste em determinar se o conjunto probatório permite concluir, com a segurança indispensável, que a ficha foi efetivamente preenchida, recebida e deferida naquela data, e não produzida posteriormente com data retroativa”, destacou no parecer.

O presidente nacional do PRTB e vice de Marçal, Leonardo Avalanche, alega que estava em disputa judicial com uma ala rival do partido para assumir a direção da legenda e, por isso, não houve comunicação dentro do prazo legal sobre a volta de Marçal. Ele declarou que as negociações se deram por mensagens de WhatsApp que não estão mais disponíveis e não foram apresentadas no processo.

A promotora rebateu: “Não há e-mails, correspondências, convocações, confirmação de recebimento, registro de chamada ou documento produzido no período de março e abril de 2026 que demonstre a retomada das negociações”. Ela também destacou que nenhuma convocação pública foi feita para discutir internamente o retorno do candidato ao partido.

Outro ponto levantado pelo MPE são os vídeos publicados por Marçal após 4 de abril nos quais ele ainda se apresentava como integrante do União Brasil. Para a promotora, essas declarações “aprofundam a dúvida sobre a realidade temporal da ficha apresentada”.

Além da questão partidária, Marçal também enfrenta uma condenação em segunda instância que o torna inelegível até 2032. O influenciador é réu na Justiça Eleitoral por ter publicado um laudo médico falso contra o adversário Guilherme Boulos (PSOL) durante a campanha para prefeitura de São Paulo em 2024. Ele foi acusado de espalhar que Boulos seria usuário de cocaína — informação falsa que gerou condenação na esfera cível ao pagamento de R$ 100 mil.

A ação criminal está suspensa por dois anos graças a um acordo entre Marçal e Boulos. Já a decisão sobre a candidatura nas eleições de 2026 cabe à Justiça Eleitoral, que deve analisar o pedido do Ministério Público nas próximas semanas.

Marçal é um dos fenômenos das redes sociais na política brasileira. Com milhões de seguidores, o ex-coach e influenciador digital construiu uma campanha baseada em vídeos virais e discurso anti-establishment. A possível impugnação de sua candidatura pode reorganizar as forças na disputa presidencial, especialmente entre os eleitores mais jovens e desconectados dos partidos tradicionais.

A assessoria de Marçal e do PRTB não respondeu aos pedidos de comentário até a publicação desta reportagem.

Com informações de G1

RedeBrasil

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