Irã diz que negociações sobre Ormuz com Omã continuam; Catar pede consenso
O Irã afirmou, nesta terça-feira (4), que as discussões com Omã acerca das rotas seguras no Estreito de Ormuz estão em andamento, enquanto o Catar defende a liberdade de navegação e a busca por consenso entre os países da região em relação a futuros acordos que regulem essa importante passagem marítima.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que as conversas entre o Irã e Omã — os dois países que fazem fronteira com o estreito — têm como foco estabelecer rotas seguras para embarcações entrarem e saírem, garantindo ao mesmo tempo os direitos soberanos e os interesses de segurança nacional de ambas as nações, conforme relatado pela agência de notícias estatal iraniana IRNA.
“O Irã está colaborando com Omã para desenvolver os mecanismos necessários para acordos futuros que regulem o tráfego marítimo por essa via estratégica”, disse Baghaei.
Ele acrescentou que as negociações estão sendo bem recebidas tanto em termos técnicos quanto políticos.
Em outra frente, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, afirmou na terça-feira que a liberdade de navegação no estreito deve ser preservada à luz do direito internacional.
Ele enfatizou que a passagem não deve ser usada para objetivos políticos ou interesses unilaterais, e que qualquer acordo futuro deve contar com a aprovação de todos os países da região envolvidos.
Al-Ansari também informou que Catar, Omã e Paquistão estão trabalhando para facilitar o diálogo entre Irã e Estados Unidos, embora ainda não tenha sido alcançado um acordo definitivo.
“Os esforços para a redução das tensões e a busca por uma solução diplomática continuam em andamento”, declarou ele.
O gabinete do emir do Catar, xeique Tamim bin Hamad Al Thani, comunicou posteriormente, na terça-feira (4), que ele recebeu uma ligação do presidente dos EUA, Donald Trump, e que discutiram maneiras de diminuir as tensões e superar as diferenças entre os Estados Unidos e o Irã. O gabinete do emir não forneceu detalhes.
Entenda a situação do Estreito de Ormuz
O Irã interrompeu a maior parte do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, enquanto os EUA mantêm um bloqueio a embarcações e portos relacionados ao Irã.
Teerã há muito tempo busca controlar o Estreito de Ormuz, que, segundo o país, deve ser compartilhado com Omã, do lado oposto. No entanto, os iranianos rejeitaram na semana passada uma proposta de Omã que contemplava supervisão compartilhada e a cobrança de taxas voluntárias das embarcações.
Os Houthis do Iêmen, alinhados com o Irã, também impuseram um bloqueio naval à Arábia Saudita no Mar Vermelho, restringindo ainda mais as rotas de exportação de petróleo.
A Organização Marítima Internacional das Nações Unidas informou que ocorreram pelo menos 17 mortes de marinheiros em 64 incidentes no Estreito de Ormuz desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
Estes números se somam ao total de 50 mortos e 500 feridos anunciado pelo governo iraniano devido a ataques dos EUA desde o recrudescimento das hostilidades no final de junho, antes de o Irã relatar que um ataque dos EUA em Qeshm, no final de julho, resultou na morte de um casal e seu filho de 2 anos.
No total, o Irã registrou mais de 3.400 mortes desde o início da guerra em 28 de fevereiro, enquanto os Estados Unidos relataram 18 militares mortos.



