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Sanções de Trump podem atingir capacidade do Irã de manter ‘população funcionando’, diz jornalista

Sanções de Trump podem atingir capacidade do Irã de manter ‘população funcionando’, diz jornalista

Sanções de Trump podem atingir capacidade do Irã de manter ‘população funcionando’, diz jornalista

O governo Donald Trump, por meio do Departamento do Tesouro dos EUA, anunciou uma série de sanções contra Teerã, ameaçou países que realizem transações econômicas com o governo iraniano e lançou uma campanha para que líderes mundiais rompam relações com o Irã. Os dois países vivem um conflito desde o final de fevereiro, iniciado pelos EUA com o assassinato do líder supremo do país persa, aiatolá Ali Khamenei, sob argumento de interromper o enriquecimento de urânio e pressionar para uma mudança no sistema de governo.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a jornalista Flávia Gianini, especialista em economia e política internacional, reforça que a guerra dos EUA contra o Irã acontece em duas frentes: militar e econômica. Segundo a analista, os números mostram um cenário catastrófico, com alta inflacionária que chegou a 66% em julho e aumento do preço dos alimentos em 128%.

“A moeda continua desvalorizando, a produção industrial está comprometida, o bloqueio naval americano dificulta ainda mais a entrada de produtos e geração de receitas. Isso significa que a pressão econômica começa a atingir justamente aquilo que pode ser mais sensível para o governo iraniano, que é a capacidade de manter a população funcionando em meio à guerra”, explica.

Gianini aponta que o cenário atual expõe uma contradição, já que, se por um lado sanções podem enfraquecer o Estado iraniano, também podem produzir um efeito político inverso, que é fortalecer o discurso nacionalista. “Tem uma diferença importante aí entre pressionar o governo iraniano e produzir uma mudança de comportamento no governo iraniano”, alerta.

Desde o início dos ataques dos Estados Unidos, o governo Trump tenta, sem sucesso, propagar um discurso de vitória. Apesar dos ataques, até agora não houve desestabilização do governo iraniano nem qualquer ação no sentido de o Irã se render.

Além disso, a jornalista aponta que, quanto mais pressão dos EUA, o Irã também dará respostas, como, por exemplo, o fechamento do Estreito de Ormuz, que impacta o comércio global de petróleo. “Os preços da gasolina nos Estados Unidos estão cerca de 60% acima dos níveis anteriores à guerra, enquanto o diesel europeu subiu 70%. Ou seja, a tentativa [dos EUA] de estrangular economicamente o Irã está produzindo custos econômicos para todos”, aponta.

Flávia Gianini também destaca a reação de países como a China, maior parceiro comercial do Irã, que rejeitou o chamado “Dia D” de sanções estadunidenses. Pequim defende uma saída diplomática.

“A China é o principal comprador de petróleo do Irã, o que significa que a tentativa realmente efetiva de cortar esse fluxo exigiria pressionar diretamente empresas, bancos e refinarias chinesas. Isso cria um dilema estratégico para o Trump. Até onde Washington está disposto a transformar a guerra contra o Irã em uma nova frente de confronto econômico com Pequim? Porque aí a gente está brigando com outro tipo de ator, com um peso muito diferente econômico mundial, global”, pondera.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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