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O articulador da desinformação: Fernando Cerimedo preso na Bolívia expõe rede de fake news que liga Brasil, Argentina e Bolívia

O articulador da desinformação: Fernando Cerimedo preso na Bolívia expõe rede de fake news que liga Brasil, Argentina e Bolívia

O articulador da desinformação: Fernando Cerimedo preso na Bolívia expõe rede de fake news que liga Brasil, Argentina e Bolívia

Fernando Cerimedo não ficou conhecido no Brasil por acaso. O estrategista digital argentino, hoje em prisão preventiva na Bolívia sob acusação de tentativa de feminicídio contra sua ex-companheira, Nadia Beller, construiu ao longo dos últimos anos uma complexa rede de desinformação que atravessou fronteiras e conectou extremistas de direita em pelo menos três países da América Latina.

O articulador da desinformação: Fernando Cerimedo preso na Bolívia expõe rede de fake news que liga Brasil, Argentina e Bolívia

Cerimedo é fundador e comandante do La Derecha Diario, um veículo de comunicação digital que se tornou peça central na arquitetura de propaganda da direita radical no continente. Sua trajetória cruza com eleições, golpes de informação e figuras políticas que vão de Jair Bolsonaro a Javier Milei, passando por Eduardo Bolsonaro e setores do governo boliviano.

O papel de Cerimedo na desinformação das eleições brasileiras de 2022

Depois da eleição de 2022, foi Cerimedo quem comandou uma transmissão ao vivo que espalhou alegações falsas sobre as urnas eletrônicas brasileiras — alegações posteriormente desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A transmissão, que correu o mundo, foi um dos pilares da narrativa de fraude eleitoral que alimentou os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

O que poucos sabem é que a relação de Cerimedo com o bolsonarismo começou antes. Às vésperas do segundo turno de 2022, ele recebeu Eduardo Bolsonaro em Buenos Aires. Um correspondente brasileiro do La Derecha Diario, veículo comandado por Cerimedo, também prestou serviço à campanha de Eduardo naquele período. A conexão não era apenas ideológica — era operacional.

A rede continental de desinformação

Cerimedo não atuou sozinho. Sua atuação na comunicação política de Javier Milei, na Argentina, foi decisiva para a eleição do presidente ultraliberal. Na Bolívia, integrou o entorno do governo de Luis Arce — mas não como aliado ideológico, e sim como operador de uma estratégia de comunicação que atendia a interesses diversos.

O que unia esses projetos? A construção de uma estrutura capaz de produzir, amplificar e distribuir conteúdo político em escala continental, com financiamento difuso e sem compromisso com a verdade factual. Uma rede de comunicação da direita radical com atuação coordenada em diferentes países da América Latina.

A prisão na Bolívia e o outro lado da história

Cerimedo está em prisão preventiva na Bolívia enquanto é investigado no caso da tentativa de feminicídio contra Nadia Beller, sua ex-companheira. As acusações contra ele precisam ser apuradas e julgadas com todas as garantias legais — este é um princípio básico do Estado de Direito.

Mas há uma parte dessa história que já conhecemos bem. A desinformação que atacou as urnas brasileiras em 2022 não nasceu isolada, nem circulou sozinha. Ela passou por pessoas, veículos, relações políticas e estruturas capazes de atravessar fronteiras e levar as mesmas narrativas de um país para outro.

O que a prisão de Cerimedo revela

O caso Cerimedo expõe algo maior do que a trajetória de um indivíduo. Ele revela a existência de uma infraestrutura de desinformação operando em escala continental, com conexões que ligam Buenos Aires, São Paulo, La Paz e Brasília. Uma rede que não depende de partidos ou governos específicos, mas que se adapta a diferentes contextos eleitorais e políticos.

Entender essa rede também é entender como a democracia é atacada. E por que defendê-la exige mais do que desmentir uma mentira depois que ela já circulou.

Com informações do PT na Câmara e agências de notícias

RedeBrasil

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