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Operação Merx: policiais presos por propina em SP

Operação Merx: policiais presos por propina em SP

Operação Merx: policiais presos por propina em SP

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Corregedoria da Polícia Civil deflagraram a Operação Merx na manhã desta sexta-feira (28). A ação prendeu policiais civis suspeitos de cobrar propina para liberar cargas ilegais de celulares e outros eletrônicos. A Justiça expediu sete mandados de prisão preventiva, e cinco suspeitos já estão presos: três policiais civis, um advogado e um empresário do Paraná. Os agentes também cumpriram 18 mandados de busca e apreensão em três estados.

Operação Merx: policiais presos por propina em SP

Operação Merx: como o esquema funcionava

Segundo os investigadores, o grupo interceptava cargas de eletrônicos de origem irregular. Em vez de apreender integralmente as mercadorias, os agentes exigiam pagamentos equivalentes a cerca de 70% do valor da carga para liberá-la total ou parcialmente. Em pelo menos quatro episódios documentados desde 2024, o esquema teria cobrado cerca de R$ 2,35 milhões em propina.

Um advogado é apontado como intermediário do esquema. Ele negociava com os agentes, indicava contas para os pagamentos e orientava quais valores deveriam ser informados às autoridades. Em mensagens analisadas pela investigação, o advogado se referia ao dinheiro em espécie como “caixinha da alegria”. A expressão apareceu em conversas que os investigadores usam como prova do funcionamento do esquema.

Entre os presos estão os policiais Bruno Moreno dos Santos e José Adriano Pereira da Silva Nishi. A investigação liga os dois à apreensão de uma carga de celulares em junho de 2024, quando apenas parte da mercadoria teria sido formalizada. O empresário detido no Paraná, Jonathan Vieira, é apontado como um dos articuladores do contrabando das mercadorias.

Delegacias usadas para guardar mercadorias

A investigação aponta que a própria estrutura da Polícia Civil serviu para monitorar cargas e obter vantagens ilícitas. Três unidades da corporação na Grande São Paulo estavam entre os 18 endereços alvo de busca e apreensão: a Delegacia de Santana de Parnaíba, a Delegacia de Embu das Artes e o 2º Distrito Policial de Cotia. Segundo o MP, integrantes do grupo utilizavam dependências policiais para armazenar mercadorias e simular apreensões parciais das cargas, dando aparência de legalidade à atuação.

A Corregedoria afastou um investigador de Cotia da função após identificar 13 acessos ao sistema Muralha Paulista/Cortex relacionados a um veículo supostamente envolvido no esquema. A Operação Merx é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Corregedoria da Polícia Civil e do Departamento de Operações Estratégicas (Dope). Os investigadores apuram corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A Justiça também autorizou a quebra de sigilos e determinou o bloqueio de até R$ 4 milhões em bens dos alvos.

Seis policiais presos em dois dias

O caso se soma a outra prisão ocorrida na véspera. Na quinta-feira (27), a Polícia prendeu em flagrante três policiais de Osasco, um PM e dois civis, por usar a delegacia para extorquir um motorista de aplicativo. Em dois dias, a escalada chegou a seis policiais por usarem estruturas do estado para cometer crimes. O número reforça o alerta sobre a corrupção dentro das corporações.

A operação mobilizou cidades de três estados. Em São Paulo, passou por Barueri, Taboão da Serra, Diadema, Cotia, Santana de Parnaíba, Embu das Artes, São Sebastião e pela capital. Houve diligências em Londrina e Foz do Iguaçu, no Paraná, e em São Luís de Montes Belos, em Goiás. Um dos procurados estaria no Paraguai, e outros dois ainda não haviam sido localizados até a última atualização.

“Não vamos tolerar desvios”, diz Tarcísio

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) comentou a Operação Merx nesta sexta-feira. Em nota, afirmou que a Corregedoria da Polícia Civil tem atuado para coibir desvios de conduta. “Toda vez que for constatado um desvio, a ação do Estado será imediata no sentido de afastar e punir com rigor, nas esferas administrativa e criminal, os maus policiais. Não vamos tolerar desvios”, disse.

A resposta do governo ocorre em meio à campanha eleitoral. A segurança pública é um dos eixos centrais da disputa pela reeleição, e denúncias envolvendo a corporação já renderam críticas da oposição. A senadora Simone Tebet criticou o secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite, por conta de denúncias de corrupção policial. O caso aumenta a pressão sobre a gestão da segurança no estado a poucos meses das urnas.

O que esperar da investigação

A operação ainda está em andamento. A Justiça analisa os próximos passos com base na quebra de sigilos e nas provas apreendidas nas delegacias e nos demais endereços. Os suspeitos podem responder por corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa, crimes cujas penas somadas podem ultrapassar 20 anos de prisão.

As defesas dos investigados ainda não se manifestaram publicamente. O caso reforça o debate sobre a fiscalização interna das polícias, tema que deve ganhar espaço na reta final da campanha em São Paulo. A Operação Merx também reabre a discussão sobre o uso de estruturas públicas para fins criminosos, um ponto sensível para a segurança no estado.

Com informações de G1. Foto: Reprodução/G1

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