Base de Tarcísio domina Alesp com 65 deputados
Base de Tarcísio domina Alesp com 65 deputados estaduais
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) consolidou a maior base partidária da história recente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Em pouco mais de três anos de mandato, o número de deputados aliados mais que dobrou, passando de 31 para 65 parlamentares, o que representa 69% dos 94 deputados da Casa, segundo levantamento exclusivo da Folha de S.Paulo.

O crescimento expressivo da base de Tarcísio ocorre em um ano eleitoral estratégico para o Palácio dos Bandeirantes. Com 11 partidos na coligação pela reeleição, o governador conta com o apoio de siglas que vão do centrão à centro-direita, incluindo Republicanos, PSD, PL, MDB, Podemos, União Brasil, PP e até o PSDB, que comandou o estado por quase três décadas até 2022.
No início do mandato, os articuladores políticos do governo calculavam que a base fiel era composta por 31 deputados dos três partidos que estiveram na coligação desde o primeiro turno da eleição de 2022: Republicanos, PSD e PL. A dúvida era como os parlamentares se comportariam diante de um novo governo, após tanto tempo sob hegemonia tucana. Hoje, a coalizão engloba 65 deputados, o que dá ao governo ampla margem para aprovar projetos de lei sem grandes negociações com a oposição.
Dos 77 deputados estaduais que buscam a reeleição, 55 integram a base governista. Entre os 17 que querem deixar a Alesp no fim do ano, 13 tentarão uma vaga na Câmara dos Deputados, um disputará o Senado e três não concorrerão a nenhum cargo neste pleito. Os números mostram como o governo Tarcísio conseguiu atrair não apenas os partidos tradicionais do centrão, mas também quadros que antes estavam na oposição ou em partidos independentes.
Oposição critica regime de urgência na aprovação de projetos
O líder do governo na Alesp, Gilmaci Santos (Republicanos), defendeu a gestão e atribuiu o crescimento da base ao trabalho do governador. “Ele consolidou o próprio nome enquanto governador, por isso há 11 partidos com ele na aliança atual. É tudo fruto do trabalho que realizou e do que entregou nesses anos”, afirmou em entrevista à Folha. Segundo ele, a base foi aumentando naturalmente porque os partidos passaram a conhecer a gestão ao longo dos três anos de mandato.
Na prática, deputados de siglas que não estavam na coligação original se mostraram até mais fiéis do que aliados de primeira hora. É o caso de Ricardo França (Podemos) e Barros Munhoz (PSD), que estão entre os dez parlamentares que mais votaram com o governo nos últimos três anos. Barros, que pertencia ao PSDB até o início de 2026, migrou para o PSD e manteve alinhamento total com o Palácio dos Bandeirantes. O fenômeno se repetiu com outros deputados que trocaram de partido ao longo da legislatura.
Já a oposição critica o que considera falta de protagonismo da Alesp. A líder da minoria, deputada Beth Sahão (PT), afirmou que o perfil da legislatura já indicava baixo nível de confronto com o Executivo. “A gente sabia que, mais dia, menos dia, quem se elegeu por outros partidos acabaria aderindo ao governo”, disse. Ela também criticou a tramitação de projetos em regime de urgência. “Muitos dos projetos que chegavam até nós vinham em regime de urgência, queimando várias etapas e restringindo o debate. Isso compromete a qualidade da legislação aprovada.”
Privatização da Sabesp foi marco da atual legislatura
A votação mais polêmica e emblemática da legislatura foi a privatização da Sabesp, protocolada sob regime de urgência e aprovada em apenas 50 dias, em dezembro de 2023. A sessão ficou marcada por um episódio raro na política paulista: a Polícia Militar usou gás lacrimogêneo dentro do plenário fechado da Alesp durante protestos contra a venda da companhia de saneamento. O gás entrou pelo duto de ar e se espalhou por todo o prédio, levando dezenas de funcionários e jornalistas a deixarem o local às pressas.
A sessão foi interrompida para que o plenário fosse evacuado e retomada na mesma noite, mas sem a presença dos deputados de oposição, que se recusaram a retornar alegando riscos à saúde. A oposição pressionou para que a votação fosse adiada, o que não ocorreu, e acusou o presidente da Casa, André do Prado (PL), de atropelar os ritos regimentais. A privatização foi aprovada por 62 votos a favor e apenas 1 contra, com muitos deputados da base utilizando máscaras de proteção para participar da votação após o incidente com o gás.
O episódio gerou críticas da oposição e de entidades da sociedade civil sobre o uso excessivo de regime de urgência em matérias complexas. Desde então, o governo Tarcísio manteve a estratégia de aprovar projetos prioritários com velocidade, contando com a ampla maioria conquistada na Casa.
Alianças e o cenário para as eleições de 2026
Com a base consolidada, Tarcísio de Freitas enfrenta as eleições de outubro em posição confortável na Alesp. As pesquisas de intenção de voto mais recentes mostram o governador à frente do principal adversário, Fernando Haddad (PT), na disputa pela reeleição. A vantagem se reflete também na capacidade de articular alianças: o governador conseguiu unir partidos que historicamente rivalizavam em São Paulo, como o PSDB e o PL, em torno de sua candidatura. Em entrevista recente, Tarcísio também saiu em defesa do senador Flávio Bolsonaro no caso Dark Horse.
No entanto, a oposição aposta em dois fatores para tentar reverter o cenário. O primeiro é o desgaste natural de gestão, especialmente em áreas como segurança pública e habitação. O segundo é a aliança inédita entre PT e PSDB, que levou setores do partido tucano a apoiar Haddad e construir o que chamam de “solo comum” em São Paulo. A ex-governadora Márcia Serra (PSDB) e outros ex-secretários tucanos declararam apoio ao petista, o que pode influenciar eleitores de centro.
Resta saber se a ampla maioria na Alesp se traduzirá em governabilidade efetiva para o próximo mandato ou se as críticas sobre a falta de debate na Casa ganharão força entre os eleitores paulistas. O resultado das urnas em 4 de outubro dará a resposta.
Com informações da Folha de S.Paulo
RedeBrasil




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