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Lula pede cassação da chapa de Flávio por ato em Barretos

Lula pede cassação da chapa de Flávio por ato em Barretos

Lula pede cassação da chapa de Flávio por ato em Barretos

A coligação de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pede a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro por um ato durante a 71ª Festa do Peão de Barretos, no interior de São Paulo. A ação foi apresentada neste fim de semana e também pede a inelegibilidade por oito anos do candidato do PL à Presidência.

Segundo a coligação, Flávio e aliados teriam utilizado a estrutura milionária do evento para promover um ato de campanha disfarçado. A acusação sustenta que a festa, financiada por grandes marcas e com apoio de órgãos públicos, teria dado ao candidato uma vantagem eleitoral equivalente a uma doação empresarial indireta, o que a legislação proíbe.

O pedido de cassação da chapa de Flávio

Na ação, a campanha afirma que, em 22 de agosto, durante o intervalo entre apresentações musicais no “Palco Estádio”, ocorreu um ato político “previamente organizado”. O espaço teria reunido cerca de 60 mil pessoas na noite do episódio.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, subiu ao palco e fez um discurso. Ele chamou Flávio Bolsonaro de “herdeiro desse projeto”. Na sequência, o candidato discursou, declarou-se o “futuro Presidente do Brasil” e prometeu defender o agronegócio e as famílias.

O locutor do evento, Cuiabano Lima, teria conduzido a apresentação com efeitos de iluminação em verde e amarelo, blackout e celulares acesos na plateia. Flávio teria sido apresentado ao público como “nosso candidato à Presidência do Brasil”.

A coligação sustenta que o episódio não foi uma manifestação espontânea, mas um ato previamente coordenado. O uso da estrutura profissional de som, iluminação e apresentação da própria festa configuraria abuso de poder econômico.

As violações apontadas pela campanha

A ação lista uma série de supostas violações da legislação eleitoral. Entre elas, a proibição de eventos artísticos destinados à promoção de candidatos, os chamados showmícios.

Também aponta a suposta exposição eleitoral de alto valor diante de milhares de eleitores sem utilização de recursos da campanha. E menciona a realização de propaganda eleitoral em bens de uso comum, categoria que, segundo a acusação, pode abranger estádios e arenas de rodeio, ainda que sejam propriedades privadas.

Além disso, a petição compara o caso a decisões anteriores da corte sobre eventos culturais. O argumento central é que a diferença entre um convite e um ato de campanha estaria na forma como o candidato usou o palco e o microfone do evento.

A versão da campanha de Flávio

A equipe jurídica do candidato negou irregularidades em nota enviada à CNN. Segundo a campanha, Flávio esteve no evento como convidado, fez uma fala de 1 minuto e 10 segundos e deixou o local em seguida.

A nota afirma que os demais candidatos foram convidados em “igualdade de oportunidades”. Diz ainda que o presidente Lula recebeu convite pessoal para participar da festa, mas não compareceu.

A defesa também comparou o episódio a um desfile de Carnaval em que Lula foi homenageado. E citou uma decisão unânime do TSE em 2022 sobre alegação semelhante para sustentar que não houve irregularidade.

Lula pede cassação da chapa de Flávio por ato em Barretos

Festa do Peão de Barretos, palco do ato que gerou o pedido de cassação (Foto: Reprodução/CNN Brasil)

TRE-SP já rejeitou ação parecida no mesmo evento

O mesmo festival já foi alvo de outra disputa eleitoral neste ano. O TRE-SP rejeitou uma ação do PT contra Tarcísio de Freitas por sua participação na festa realizada em agosto.

No caso anterior, a coligação de Fernando Haddad pedia a remoção de publicações de Tarcísio sobre o evento. A juíza auxiliar Claudia Fonseca Fanucchi arquivou a representação sem multas. Ela entendeu que a festa é um evento tradicional e cultural, sem finalidade eleitoral.

O caso atual, porém, tem alvo e objeto diferentes. A ação agora é no TSE, contra a chapa presidencial de Flávio, e pede sanções mais graves, como a cassação do registro e a inelegibilidade.

De acordo com informações da CNN, a corte ainda vai analisar os pedidos. Não há prazo definido para uma decisão.

O que esperar daqui para frente

O TSE precisa decidir se aceita a ação e se há indícios suficientes para aprofundar a investigação. Caso acolha os argumentos, a chapa de Flávio pode enfrentar sanções que vão muito além da propaganda irregular.

A inelegibilidade por oito anos, se aplicada, atingiria não só a candidatura atual, mas também futuras disputas eleitorais. A decisão pode vir antes do primeiro turno, marcado para outubro.

Enquanto isso, a campanha do candidato do PL continua a agenda de compromissos pelo país. A defesa afirma que a participação em Barretos era “tradicional” e que o episódio não deve mudar o calendário eleitoral.

O desfecho do caso, porém, deve mexer com os bastidores da reta final da campanha presidencial. A avaliação de juristas ouvidos pela imprensa é que o TSE tende a julgar o mérito com rapidez, para dar segurança jurídica aos eleitores.

Com informações da CNN Brasil

RedeBrasil

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