Lula planeja conferência com empresários em São Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) organiza uma conferência com empresários e investidores em São Paulo para o mês de setembro. O encontro, que deve reunir cerca de 200 executivos, faz parte da estratégia da campanha à reeleição para reduzir resistências do setor privado.

Segundo relatos de interlocutores, aliados do presidente avaliam a possibilidade de realizar o evento já no início de setembro. A organização envolve o grupo Prerrogativas, do advogado Marco Aurélio de Carvalho, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. (Foto: Reuters / Adriano Machado)
Jantar no Alvorada abre caminho
Nesta segunda-feira (31), Lula se reuniu com um grupo seleto de executivos no Palácio da Alvorada. Entre os convidados estavam Rubens Ometto, da Cosan, Joesley e Wesley Batista, da JBS, José Seripieri Filho, da Amil, Zeco Auriemo, da JHSF, e Júnior Queiroz, da Hypera. Também participaram representantes de grandes instituições financeiras como Milton Maluhy, do Itaú, Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, André Esteves, do BTG Pactual, e Guilherme Benchimol, da XP.
As duas agendas — o jantar e a futura conferência — caminhavam de maneira separada, mas ambas têm o mesmo objetivo: aproximar o candidato petista dos principais nomes do empresariado brasileiro. O setor privado segue cauteloso quanto à chance de Lula promover um ajuste fiscal capaz de estabilizar a dívida pública em um eventual quarto mandato.
Disputa com Flávio Bolsonaro esquenta
O principal adversário de Lula até o momento, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se reuniu com banqueiros na semana passada. O movimento acendeu um sinal de alerta entre petistas e gerou incômodo entre aliados do presidente responsáveis pela interlocução com o setor privado.
Lula já havia pedido recentemente a cassação da chapa de Flávio após suposto ato de campanha irregular em Barretos. A disputa pelo eleitorado de centro e pela confiança do mercado promete se intensificar nas próximas semanas.
Faria Lima ainda cética
As principais casas do centro financeiro de São Paulo medem o ceticismo com o programa econômico de Lula, especialmente a partir da curva de juros. Há meses, a curva pouco se altera, e analistas avaliam que os acenos do governo não convenceram o mercado.
Lula definiu o ministro da Fazenda, Dario Durigan, como seu principal emissário para o diálogo com a Faria Lima. Durigan vem sinalizando a possibilidade de um eventual governo Lula 4 com responsabilidade fiscal e até aperto no atual arcabouço fiscal. Já o coordenador do plano de governo, Sérgio Gabrielli, defende que a dívida crescente tem como principal vilão os juros altos, não os gastos primários.
O documento final do plano de governo mantém o arcabouço fiscal e o controle do aumento do gasto primário, em uma tentativa de equilibrar o discurso entre a base petista e o mercado financeiro.
São Paulo como palco da estratégia eleitoral
A escolha de São Paulo para a conferência não é casual. O estado concentra o maior polo econômico do país e é decisivo na arrecadação de campanha. Além disso, a capital paulista abriga as sedes das principais instituições financeiras e empresas listadas na bolsa.
A aproximação com o empresariado paulista pode ser um fator crucial para a campanha petista. Pesquisas indicam que Lula segue marginalmente favorito nas eleições de 2026, mas o ceticismo do mercado e a força da candidatura de Flávio Bolsonaro tornam a disputa imprevisível.
Nos bastidores, aliados do presidente avaliam que a conferência de setembro será um termômetro para medir o nível de adesão do setor produtivo à candidatura. Se o evento atrair os grandes nomes do empresariado, o signal será positivo. Caso contrário, a campanha terá que recalcular a rota.
Com informações de CNN Brasil
RedeBrasil




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