MPF arquiva investigação da abordagem a motorista de Haddad
O Ministério Público Eleitoral arquivou o procedimento que investigava a abordagem policial ao motorista da campanha de Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo. A decisão foi tomada porque não há indícios de crime eleitoral por parte do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). No entanto, a Procuradoria classificou a versão da Polícia Militar como “inverossímil” e o caso segue na Polícia Civil.

O episódio ocorreu no dia 11 de agosto de 2026. Naquela noite, Haddad chegava em casa quando uma viatura da PM jogou o foco de luz no veículo em que o petista estava. Após o desembarque do candidato, o motorista Alessandro Caseri seguiu pela Avenida 23 de Maio e percebeu outra viatura. Ele decidiu se abrigar em um hotel conhecido, onde prestava serviços de transporte, por considerar o local mais seguro por causa das câmeras de segurança.
O que apurou o MP Eleitoral
A Procuradoria Regional Eleitoral analisou os dados fornecidos pela própria corporação. O documento identificou três viaturas diferentes da Força Tática em contato com o veículo de Alessandro em um intervalo de 44 minutos. A primeira viatura (M-03010, do 3º BPM/M) abordou Haddad e o motorista na Rua Afonso Mariano Fagundes por volta das 21h56. A segunda (M-12070, do 12º BPM/M) cruzou com o Ford Fusion de placa PXD1E37 às 22h24. A terceira (M-12090) entrou na Rua Joinville às 22h38.
Para o procurador, a sequência de contatos com o mesmo veículo em área restrita “afasta por completo a verossimilhança de uma mera coincidência no patrulhamento ordinário”. O parecer considera que é “inverossímil” que duas equipes de batalhões distintos tenham tido contatos sucessivos com o mesmo automóvel por acaso.
Mesmo assim, a Procuradoria concluiu que não há elementos para atribuir ao governador Tarcísio de Freitas eventual ilícito eleitoral. Por isso, o procedimento foi arquivado na esfera eleitoral. O documento foi encaminhado ao Ministério Público de São Paulo para avaliação de providências na esfera criminal.
Novas imagens e reação de Haddad
Em entrevista coletiva, Haddad comentou a decisão. “Eu, desde o começo desse episódio, não acusei ninguém, pressupus boa-fé, disse para todo mundo que só queria o esclarecimento do que aconteceu”, afirmou. O candidato destacou que o próprio procurador eleitoral classificou a versão da PM como “inverossímil”.
O advogado da campanha informou que novas imagens de câmeras de segurança foram obtidas. Segundo a equipe, as gravações mostram uma viatura permanecendo por cerca de 20 minutos em frente ao hotel onde Alessandro havia parado. As imagens também mostram um policial saindo do veículo com uma lanterna enquanto o motorista ainda estava no local. Um perito particular analisou as imagens e o laudo foi encaminhado ao inquérito.
Haddad já havia falado sobre segurança pública em outras ocasiões. O candidato defende que o tema precisa de abordagem técnica, não eleitoreira.
Investigação criminal segue em andamento
O arquivamento na esfera eleitoral não encerra a apuração criminal. A Polícia Civil instaurou inquérito de ofício no 96º Distrito Policial, na área da 2ª Seccional. Novas diligências foram solicitadas após a análise das imagens. A defesa de Alessandro Caseri afirma que as provas colhidas reforçam a tese de que a abordagem não foi uma coincidência.
A Procuradoria Regional Eleitoral também determinou o envio de cópia integral do procedimento ao Ministério Público de São Paulo. Os representantes de Haddad podem recorrer do arquivamento no prazo de dez dias. O caso, portanto, ainda pode ter novos desdobramentos.
Aliados de Haddad afirmam que o episódio revela um padrão preocupante de uso da estrutura policial. A campanha de Tarcísio nega qualquer irregularidade e afirma que a PM agiu dentro da normalidade. O governador e candidato à reeleição não comentou diretamente o arquivamento.
Analistas políticos avaliam que o caso pode influenciar a reta final da campanha ao governo de São Paulo. A disputa entre Haddad e Tarcísio é considerada uma das mais acirradas do estado. O episódio expõe as tensões de uma campanha em que cada movimento ganha peso político. A decisão do MP Eleitoral, portanto, não encerra a polêmica. O desfecho criminal ainda pode trazer novos elementos nos próximos dias.
Com informações do G1. Foto: Diogo Zacarias / G1
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