Tarcísio demite Delegado Da Cunha da Polícia Civil de SP
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), demitiu o deputado federal Carlos Alberto da Cunha (União Brasil), conhecido como Delegado Da Cunha, da Polícia Civil do estado. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (3) após um processo disciplinar que se arrastava desde 2020.

O caso que levou à demissão
Da Cunha respondia a processo disciplinar desde julho de 2020, quando supostamente forjou a gravação de um vídeo com uma vítima de sequestro. A intenção, segundo a investigação da Corregedoria da Polícia Civil, era ganhar seguidores e notoriedade nas redes sociais. O delegado influencer tem mais de 3,7 milhões de seguidores no YouTube e mais de 2 milhões no Instagram.
A vítima havia sido sequestrada para passar pelo chamado “tribunal do crime”, julgamento realizado por criminosos. De acordo com a apuração, Da Cunha simulou a situação para gravar o vídeo como se tivesse invadido um barraco e resgatado a pessoa, fazendo seus seguidores acreditarem que ele próprio havia executado a operação — o que não correspondia à verdade.
Processo parou em duas gestões
A recomendação de demissão partiu da própria Polícia Civil ainda em 2022. No entanto, o processo ficou parado por meses na gestão do então governador Rodrigo Garcia (à época no PSDB) antes de ser transferido para Tarcísio, que assumiu o Palácio dos Bandeirantes em janeiro de 2023.
Pela legislação paulista, delegados de Polícia Civil só podem ser demitidos pelo governador do estado. Não há prazo máximo para a decisão, mas a sanção pode expirar se não for aplicada em até cinco anos a partir da data em que a falta foi cometida.
Quem é Delegado Da Cunha
Carlos Alberto da Cunha foi eleito deputado federal pelo Progressistas (atualmente no União Brasil) nas eleições de 2022. Ele está candidato à reeleição em 2026. Durante o mandato, manteve-se afastado da corporação policial justamente por exercer o cargo em Brasília.
Além do processo administrativo, Da Cunha também responde na Justiça comum por supostos crimes de abuso de autoridade e constrangimento ilegal por simular o flagrante. Após a repercussão do caso na imprensa, o próprio delegado gravou um vídeo admitindo ter feito a simulação, justificando-a como uma “reconstituição” do ocorrido.
Em 2023, o deputado chegou a se reunir com Tarcísio em Brasília para discutir investimentos nas polícias estaduais e publicou uma foto ao lado do governador em suas redes sociais. A imagem contrasta com a decisão de demissão tomada agora.
Procurado, o ex-governador Rodrigo Garcia informou, por nota, que nem chegou a tomar conhecimento do processo de demissão de Da Cunha. O então governador concorria à reeleição em 2022, vencida por Tarcísio.
A demissão de um delegado em exercício de mandato parlamentar é um fato raro na política paulista e acende o debate sobre a conduta de policiais influenciadores digitais que utilizam a profissão para ganhar seguidores e projeção política.
Com informações de G1
RedeBrasil




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