Cury defende fim de mandato vitalício no STF e propõe trocas a cada 8 anos
O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) afirmou que, se eleito, pretende propor o fim da vitaliciedade dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e estabelecer mandatos de oito anos para os integrantes da Corte. A declaração foi dada nesta quinta-feira (3) após um encontro na Igreja Assembleia de Deus de São Paulo.

Durante entrevista à TV Globo, Cury também disse que gostaria que as próximas indicações para o STF fossem de mulheres. “O meu desejo é que os próximos dois ministros sejam mulheres. Pelo menos é o que eu desejo agora”, afirmou.
A proposta de mandato fixo para ministros do STF não é nova no debate político brasileiro, mas ganha contornos eleitorais neste ano. Atualmente, os ministros do Supremo permanecem no cargo até completarem 75 anos, quando a aposentadoria é obrigatória.
Pacificacão como bandeira
Cury disse que não foi à Assembleia de Deus para pedir votos, mas para defender a “pacificação” do país. Segundo ele, o Brasil está polarizado e radicalizado, e a disputa entre partidos e ideologias prejudica o desenvolvimento nacional.
“Eles falaram que realmente o Brasil está polarizado, está radicalizado, mas a nação brasileira merece paz, merece se voltar a projetos para que ela possa se desenvolver, porque essa guerra entre partidos e ideologias tem asfixiado não apenas a saúde mental, mas o desenvolvimento do país”, completou.
A pacificação foi apresentada por Cury como um dos principais pontos de seu discurso de campanha. Ele afirmou que pretende defender a diversidade de ideias como parte do processo democrático. “Eu estou propondo uma pacificação. De diversidade de ideias se torna a beleza da democracia.”
“Mente capitalista, coração social”
O candidato do Avante disse defender um projeto que reúna ideias associadas ao capitalismo com políticas sociais, e afirmou querer dialogar com eleitores de direita e de esquerda.
“Eu quero dizer que a minha mente é capitalista. A minha mente tem o melhor do capitalismo, meritocracia, família, empreendedorismo, liberdade de expressão, um estado mais enxuto, mas meu coração é social”, afirmou.
Essa tentativa de se posicionar como uma opção de centro reflete a estratégia de Cury de atrair eleitores insatisfeitos com a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostra o candidato do Avante isolado na terceira posição, com 10% das intenções de voto, atrás de Lula (37%) e Flávio Bolsonaro (29%).
Reforma no STF em debate
A proposta de mandato fixo para ministros do STF é uma das pautas que têm circulado no Congresso e na campanha eleitoral. Defensores argumentam que a vitaliciedade concentra poder por tempo excessivo e dificulta a renovação da Corte. Críticos apontam que a mudança poderia aumentar a politização das indicações e submeter o tribunal a ciclos eleitorais.
Cury também comentou o caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do STF, após relatório da Polícia Federal revelar relação próxima com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso acusado de fraudes bilionárias. O candidato defendeu que Moraes deve prestar esclarecimentos e que, caso sejam constatados erros, o magistrado deveria deixar a Corte ou sofrer impeachment.
“Alexandre de Moraes deve se explicar, sim. E, se ele cometeu erros passíveis de uma exclusão, ele deveria ter a dignidade para se autoexcluir, ou então sofrer o impeachment”, afirmou.
Questionado diretamente se era favorável à saída de Moraes do STF, Cury não defendeu o afastamento imediato e condicionou a medida à apuração dos fatos. “Quem vai julgar é a Justiça. Meu posicionamento é claro, convicto, porque cargo público é sério.”
O que esperar daqui para frente
Com a aproximação do primeiro turno das eleições, Cury busca consolidar a terceira posição nas pesquisas e ampliar seu tempo de televisão. O candidato do Avante aposta em um discurso de pacificação e renovação institucional para conquistar eleitores que rejeitam tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro.
A proposta de mandato fixo no STF deve continuar sendo um dos temas centrais de sua campanha, especialmente entre eleitores que criticam o ativismo judicial e a longa permanência de ministros na Corte.
Com informações do G1 SP
RedeBrasil




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