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Agência de espionagem da Espanha fez alerta sobre Ceuta, mostra documento

Agência de espionagem da Espanha fez alerta sobre Ceuta, mostra documento

Agência de espionagem da Espanha fez alerta sobre Ceuta, mostra documento

Os serviços de inteligência espanhóis alertaram o governo do país e suas contrapartes marroquinas sobre planos de invadir Ceuta um dia antes de mais de 70 mil migrantes cruzarem a fronteira para o enclave espanhol no norte da África, segundo documentos divulgados pelo governo nesta quarta-feira (9).

Em uma nota de 29 de julho enviada pela agência de espionagem da Espanha, o CNI (Centro Nacional de Inteligência), às agências de inteligência marroquinas DGST e DGED, houve um alerta sobre planos circulando em redes sociais para que migrantes entrassem em Ceuta escalando a cerca da fronteira ou contornando-a a nado, aproveitando as celebrações do Dia do Trono no Marrocos.

No mesmo dia, o CNI também alertou o representante do governo espanhol em Ceuta sobre os planos, de acordo com mensagens de WhatsApp posteriormente divulgadas.

“Há dois grupos diferentes com um total de 180 mil seguidores. Só para se ter uma ideia da dimensão (dos planos)”, escreveu o CNI, referindo-se ao tamanho dos grupos nas redes sociais.

O governo marroquino não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Seis semanas após a onda migratória — na qual ONGs estimam que 140 pessoas morreram —, mais de 10 mil migrantes, incluindo menores desacompanhados, permanecem em Ceuta, vivendo em acampamentos improvisados ​​ou nas ruas e praias do enclave, segundo autoridades locais. A situação alimenta protestos quase diários de moradores insatisfeitos com a forma como o governo espanhol lidou com a crise.

A divulgação dos documentos deve intensificar o escrutínio sobre as decisões operacionais tomadas nas horas que antecederam a travessia e sobre se medidas suficientes foram adotadas para impedi-la.

Sem alerta sobre dimensão da onda migratória

No entanto, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou que os documentos mostravam que não houve alerta sobre a dimensão da onda migratória de 30 de julho.

“Falo como ministro das Relações Exteriores da Espanha, dentro de minhas atribuições e com base no que vivenciei naquele dia. Eu não tinha conhecimento de qualquer informação que indicasse a magnitude daquela avalanche”, disse Albares a jornalistas nesta quarta-feira.

Na semana passada, o primeiro-ministro Pedro Sánchez declarou que a Espanha não encontrou evidências para concluir que a invasão mortal da fronteira em julho, partindo do Marrocos em direção ao enclave de Ceuta, foi orquestrada pelas autoridades marroquinas, contradizendo alegações feitas pela polícia espanhola em um relatório.

No entanto, o Ministério do Interior da Espanha relatou uma postura passiva da polícia de fronteira marroquina no dia da travessia — força que, segundo um relatório de 30 de julho, deveria ter reforçado a fronteira com mil policiais e soldados adicionais, apesar de ser feriado no Marrocos.

Nesta quarta, o governo espanhol divulgou 40 relatórios de inteligência, alertas e comunicações relacionados à crise migratória em Ceuta, abrangendo o período de 1º a 31 de julho, após o compromisso assumido por Sánchez de torná-los públicos.

Os documentos revelam que a situação vinha se agravando na semana que antecedeu a travessia em massa.

“Desde 25 de julho, uma crise migratória vem se desenvolvendo em Ceuta com a chegada de cerca de 1.700 migrantes por via marítima, vindos do Marrocos para a cidade autônoma… as informações disponíveis indicam que novas incursões devem ocorrer em curtíssimo prazo”, afirmou o Ministério da Defesa da Espanha em uma apresentação interna divulgada em 30 de julho, descrevendo a situação na costa marroquina próxima a Ceuta como um “caos migratório”.

 

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