Tarcísio modera discurso e evita ataques ao STF em SP
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), optou por um tom moderado durante o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, abandonando os discursos mais radicais que marcaram sua participação no ano anterior. Em 2025, o governador usou termos como “tirania” e “ditadura” para se referir ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Desta vez, preferiu uma abordagem mais cautelosa, pedindo apenas “apuração institucional” sobre as condutas dos ministros.
A mudança de tom não passou despercebida por analistas políticos e ocorre em um momento estratégico da campanha eleitoral. Tarcísio disputa a reeleição em São Paulo e, segundo pesquisas recentes, lidera as intenções de voto, mas busca ampliar seu eleitorado entre moderados e indecisos. Dados da pesquisa Quaest, divulgada há duas semanas, indicam que o governador consegue atrair parte do eleitorado de esquerda que naturalmente estaria inclinado a votar em Fernando Haddad (PT), fenômeno que vem sendo chamado de voto “Tarula”.
O discurso de 2026 vs. 2025
No ato desta segunda-feira (7), organizado pelo Partido Liberal, Tarcísio afirmou: “As últimas revelações sobre o Moraes, sobre o Supremo, precisam de resposta. Quando há dúvida acerca da conduta e o exercício da magistratura, uma resposta institucional precisa ser dada. Está na hora do tribunal se unir para apurar e dar a resposta”.
Já em 2025, o tom foi completamente diferente. Na ocasião, o governador declarou: “Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como o Moraes, ninguém aguenta mais o que está acontecendo neste país. Será que a gente está vivendo um estado livre, democrático? Certamente não”. O evento naquele ano foi organizado pelo pastor Silas Malafaia e teve caráter de protesto, enquanto em 2026 o ato teve ares de evento de campanha, com estrutura do PL e discursos mais alinhados à reta final do período eleitoral.
Estratégia eleitoral e distanciamento de Flávio
Segundo apuração do jornal O Globo, a moderação do discurso de Tarcísio está diretamente ligada à sua estratégia de reeleição e à presença de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial. O senador, que é o principal nome da oposição a Lula, também participou do ato na Paulista, mas Tarcísio fez questão de manter um “distanciamento estratégico” do aliado.
Desde que as primeiras ligações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, do Banco Master, vieram a público há quatro meses, o governador de São Paulo passou a evitar ser associado diretamente ao senador. A ideia é não se “contaminar com as encrencas” de Flávio, especialmente após a revelação de supostas irregularidades envolvendo o banco e a campanha do candidato do PL. O escândalo do Banco Master gerou uma crise no entorno bolsonarista e tem sido usado pela oposição para questionar a lisura da campanha de Flávio.
Além disso, assim que o nome de Tarcísio foi retirado da disputa presidencial por Jair Bolsonaro, em dezembro do ano passado, o governador passou a focar exclusivamente na candidatura à reeleição em São Paulo. Isso incluiu a adoção de um discurso mais institucional e menos agressivo ao STF, para não afugentar eleitores moderados que podem decidir a eleição no segundo turno.
Pesquisas e cenário eleitoral em SP

As pesquisas mais recentes mostram Tarcísio na liderança da disputa ao governo paulista. Levantamento do instituto AtlasIntel, divulgado no início de setembro, apontou o governador com 51,1% das intenções de voto contra 39,9% de Fernando Haddad no primeiro turno. Em simulação de segundo turno, Tarcísio mantém vantagem de mais de 10 pontos percentuais.
A pesquisa, registrada no TSE sob o número SP-06964/2026, ouviu 1.810 eleitores entre os dias 26 e 31 de agosto. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Os números reforçam a vantagem do governador, mas também indicam que Haddad mantém um patamar competitivo que pode levar a disputa ao segundo turno.
Paralelamente, São Paulo subiu para o 2º lugar no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) em ano eleitoral, um dado que a campanha de Tarcísio tem usado para impulsionar sua imagem junto ao eleitorado. A gestão estadual tem destacado os avanços na educação como um dos pilares da candidatura à reeleição e como contraponto às críticas da oposição nas áreas de segurança e saúde.
Repercussão entre aliados e oposição
A moderação do discurso gerou reações mistas. Entre aliados mais ao centro, a mudança foi vista como positiva e necessária para ampliar a base de apoio. Já setores mais radicais da base bolsonarista demonstraram insatisfação com o que consideram um “abrandamento” do governador diante do que chamam de “ativismo judicial” do STF.
A oposição, por sua vez, aproveitou para criticar a “falta de posicionamento claro” de Tarcísio diante das revelações sobre o STF e as relações do governo com o escândalo do Banco Master. Para Fernando Haddad, candidato do PT ao governo, a moderação de Tarcísio é “cosmética”. Em entrevistas recentes, Haddad afirmou que o governador “muda o discurso conforme a conveniência” e que “a população sabe que a verdadeira face do bolsonarismo não se apaga com palavras mais amenas”.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, a reta final da campanha promete novos embates e, possivelmente, novas modulações de discurso de ambos os lados. A estratégia de Tarcísio nos próximos dias será decisiva para confirmar a vantagem nas urnas ou forçar um segundo turno imprevisível.
Com informações de O Globo
RedeBrasil




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