Operação Make Up: PF e CGU miram produtora do ‘Dark Horse’
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram, na manhã desta quinta-feira (10), a Operação Make Up, que investiga suposto desvio de emendas parlamentares ligado ao filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Agentes cumprem 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal. A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Operação Make Up: entenda o caso
A Operação Make Up apura suposto desvio de recursos de emendas parlamentares repassadas a uma organização da sociedade civil. Segundo a Polícia Federal, as investigações apontam a existência de uma organização criminosa. Os crimes investigados são peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Levantamentos financeiros identificaram movimentação de centenas de milhões de reais entre empresas que integrariam o esquema.
O financiamento do filme “Dark Horse” já era alvo de dois inquéritos no STF. Um deles é relatado pelo ministro André Mendonça. O outro, que mira o possível direcionamento de emendas, tem Flávio Dino como relator. Em março, Dino determinou que o deputado Mario Frias prestasse esclarecimentos sobre uma emenda de R$ 2 milhões destinada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG ligada à produtora do longa.
Quem é Karina Gama, produtora alvo da PF
Karina Ferreira Gama, de 46 anos, é dona da produtora Go Up e do Instituto Conhecer Brasil. Ela nasceu na Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, e começou como promotora de literatura cristã. A empresária participou da campanha de Mario Frias em 2022, quando a empresa GO7, ligada a ela, recebeu R$ 54 mil por serviços eleitorais, segundo a prestação de contas do deputado na Justiça Eleitoral.
Em 2023, já como deputado federal, Frias destinou R$ 2,5 milhões em emendas parlamentares para o ICB aplicar em projetos sociais no interior de São Paulo. A ONG e a produtora do filme funcionam no mesmo endereço, na Avenida Paulista, no Centro da capital. A relação entre o parlamentar e a empresária chamou a atenção do STF, que passou a acompanhar as movimentações entre as entidades.

Foto: Reprodução/G1
Contrato de R$ 157 milhões com a Prefeitura de SP
O ICB mantém um contrato milionário com a Prefeitura de São Paulo. A entidade foi a única a participar do chamamento público para instalar wi-fi gratuito na periferia, em 2024. O contrato inicial previa R$ 108 milhões para a instalação de 5 mil pontos de internet. Com três aditivos, o valor anual passou para R$ 157 milhões, segundo a Polícia Civil de São Paulo.
Até agora, apenas 3.200 pontos foram instalados na cidade. A promessa é de que a meta seja cumprida até o final deste ano. Na semana passada, a Polícia Civil também cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados à empresária e na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. A promotora Marina Pedersolli citou indícios de possível direcionamento do chamamento, ausência de capacidade técnica da entidade e suposto sobrepreço nos pagamentos.
O que dizem a Prefeitura e o filme
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) rebate as suspeitas. A administração afirma que o chamamento público ficou aberto por 30 dias e seguiu a Lei nº 13.019/2014. A prefeitura também diz que é equivocada a informação de que repassou R$ 157 milhões ao ICB. No primeiro ano da parceria, entre junho de 2024 e maio de 2025, foram pagos R$ 69,12 milhões, referentes aos 3.200 pontos em funcionamento. A Secretaria de Inovação e Tecnologia informou que colabora com as investigações.
O filme “Dark Horse”, protagonizado pelo ator americano Jim Caviezel, passou a ser questionado após a divulgação de mensagens entre Frias e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em uma das conversas, o deputado agradece o apoio ao projeto. Segundo apurações, Vorcaro teria repassado cerca de R$ 61 milhões à produção. Frias chegou a afirmar que o filme não recebeu “um único centavo” do banqueiro, mas depois recuou da declaração.
O que esperar daqui para frente
Os dois inquéritos sobre o financiamento do longa seguem em andamento no STF. Nesta quinta-feira, a CNN tentou contato com Mario Frias e com Karina Gama e aguarda resposta. Em manifestação enviada ao Supremo em maio, o deputado negou irregularidades e afirmou que os recursos tiveram fim social. A operação desta quinta é mais um capítulo de uma investigação que já dura meses e envolve autorização de acesso da PF à apuração sobre a produtora.
O desfecho deve passar pela análise das provas recolhidas nos mandados de busca e apreensão. Caberá ao STF decidir novos passos da investigação, que apura a origem do dinheiro usado no filme e o destino das emendas parlamentares. A expectativa é de que os próximos meses tragam esclarecimentos sobre as movimentações financeiras entre as empresas envolvidas.
Com informações do G1 e da CNN Brasil
RedeBrasil




Publicar comentário