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Contrato de wi-fi da Prefeitura de SP de R$ 108 mi é alvo da PF

Contrato de wi-fi da Prefeitura de SP de R$ 108 mi é alvo da PF

Contrato de wi-fi da Prefeitura de SP de R$ 108 mi é alvo da PF

A Polícia Federal cumpre na manhã desta quinta-feira (10) mandados de busca e apreensão contra fornecedores do contrato de internet wi-fi da Prefeitura de São Paulo, avaliado em R$ 108 milhões por ano. A operação, autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino, mira o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização não governamental responsável pela instalação dos pontos de acesso nas periferias da capital paulista.

O ICB é presidido pela empresária Karina Ferreira da Gama, também dona da produtora Go Up Entertainment, que produziu o filme “Dark Horse”, obra que está no centro de outra investigação da mesma operação. A empresária já era alvo da Polícia Federal por supostas irregularidades no financiamento do longa-metragem, e agora o escopo se amplia para abranger os contratos públicos com a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A Operação Make Up, deflagrada no mesmo contexto, já havia mirado a produtora do filme e o deputado federal Mário Frias (PL-SP).

Segundo a investigação, o contrato de R$ 108 milhões anuais, um dos maiores da Prefeitura de SP na área de tecnologia, foi firmado com o ICB para instalar e manter pontos de wi-fi gratuitos em comunidades de baixa renda. A apuração da PF investiga os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes licitatórias. Ao menos 49 mandados estão sendo cumpridos pelos federais em endereços ligados aos investigados.

A operação desta quinta-feira representa um desdobramento importante das apurações que envolvem o filme “Dark Horse”, supostamente financiado com recursos desviados de emendas parlamentares. A conexão entre as duas frentes de investigação surgiu quando os federais identificaram que Karina da Gama era a ligação entre a produtora do filme e as empresas contratadas pela Prefeitura de SP para o programa de inclusão digital.

Os alvos da operação em São Paulo

Entre os investigados estão Karina Ferreira da Gama, dona do ICB e da Go Up produções, André Feldman e sua esposa Débora Gomes Feldman, sócios das empresas Complexsys Soluções Integradas e Fastfuture Tecnologias Emergentes. Também é alvo William Silva Ferreira, proprietário da Ultra IP Tecnologia e Serviços, empresa terceirizada pelo ICB, e Alex Leandro Bispo dos Santos, conhecido como “Escorpião do PCC”, ex-dono da empresa Favela Conectada.

O ex-marido de Karina, Wemerson Marinho da Gama, que era secretário-geral do ICB na época da assinatura do contrato com a Prefeitura de SP, também está entre os alvos. Ele é considerado pelos investigadores uma fonte relevante para esclarecer as supostas conexões entre a empresária, o deputado federal Mário Frias e as suspeitas de fraudes no contrato milionário. Karina e Wemerson estão rompidos, e ela conseguiu uma medida protetiva contra ele na Justiça após a separação.

Disputa na Justiça e suspeitas de empresa de fachada

Documentos da Justiça de São Paulo mostram que o ICB e a Ultra IP, uma das terceirizadas contratadas pela ONG, travam uma batalha judicial. A Ultra IP cobra R$ 4,5 milhões do ICB e alega que foi a única responsável pela instalação de 3,2 mil pontos de wi-fi, embora parte desses serviços tenha sido atribuída nas prestações de contas da ONG à empresa Favela Conectada.

Em sua ação, a Ultra IP sustenta que a Favela Conectada teria sido usada como empresa de fachada para justificar despesas do convênio com a Prefeitura, tendo recebido R$ 12 milhões supostamente sem executar nenhum serviço. Alex Leandro Bispo dos Santos, então dono da Favela Conectada, está preso desde fevereiro acusado de feminicídio e é apontado como integrante do PCC.

Em nota, a Ultra IP afirmou que a investigação aberta pelo ICB contra a empresa “é descabida e a acusação é falsa”, classificando a ação como retaliação à medida judicial que move contra a ONG. Já o ICB acusa a Ultra IP de ter interrompido aproximadamente 800 links de internet instalados, e Karina da Gama alega que o dono da empresa tentou extorquir mais de R$ 2,5 milhões.

Segundo a petição da Ultra IP, o contrato firmado com o ICB previa R$ 712 por ponto instalado, mas a ONG supostamente elevou o valor para R$ 825 por ponto com o objetivo de zerar artificialmente os créditos da empresa e ocultar irregularidades. A terceirizada afirma que os trabalhos técnicos continuaram sendo realizados por ela mesmo após o rompimento unilateral do contrato, ocorrido em setembro de 2025.

O que diz a Prefeitura de SP

Procurado, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou à GloboNews que não há irregularidades no contrato com o ICB. “Foi aberta apuração na Controladoria Geral do Município logo no início. Até o momento nenhuma irregularidade no contrato com a prefeitura”, disse Nunes.

No entanto, a operação da PF sugere que os indícios de irregularidades são robustos o suficiente para justificar uma investigação com dezenas de mandados de busca e apreensão. A suspeita dos investigadores é de que o contrato milionário do programa de wi-fi popular tenha servido como canal para desvio de recursos públicos, envolvendo desde superfaturamento até a utilização de empresas de fachada.

O caso promete movimentar o cenário político paulistano em pleno ano eleitoral. A Prefeitura de SP, comandada por Nunes, enfrenta o desgaste de ver um de seus principais contratos de inclusão digital sob suspeita da Polícia Federal, em um momento em que a gestão municipal busca afirmar sua eficiência e compromisso com a transparência.

As investigações continuam em sigilo, e novos desdobramentos são esperados nas próximas semanas à medida que os materiais apreendidos nos 49 mandados sejam analisados pela PF e pelo Ministério Público.

Leia a reportagem original no G1

(Foto: Reprodução/Redes Sociais via G1)

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