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Quem é Mario Frias, alvo da operação da PF sobre Dark Horse

Quem é Mario Frias, alvo da operação da PF sobre Dark Horse

Quem é Mario Frias, alvo da operação da PF sobre Dark Horse

A PF (Polícia Federal) realiza operação para investigar o financiamento do filme “Dark Horse” nesta quinta-feira (10). Karina Gama, dona da produtora responsável pela produção do filme, e o deputado Mario Frias (PL-SP) são alvos da ação policial.

A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), apura suposto desvio de emendas parlamentares repassadas a organização da sociedade civil.

Os mandados da Operação Make Up, realizada em parceria com a CGU (Controladoria-Geral da União), estão sendo cumpridos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.

Segundo a PF, as investigações apontam a existência de uma “organização criminosa formada por agentes públicos e privados”, que é suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular e sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados.

De acordo com a corporação, levantamentos financeiros identificaram movimentação de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado. A operação investiga crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Quem é Mario Frias?

O atual deputado ganhou notoriedade como ator por papéis na TV, entre o fim dos anos 1990 e o começo dos anos 2000, quando participou de telenovelas como “Malhação” e “Floribella”, também com atuações em “O Beijo do Vampiro”, “Senhora do Destino” e “Os Mutantes” – tramas transmitidas pela TV Globo e Record.

O início da vida política de Frias começou em 2020, quando ele foi nomeado secretário especial da Cultura no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Sem ter experiência prévia em gestão cultural, o parlamentar assumiu o cargo que foi deixado pela também atriz Regina Duarte.

A gestão de Mario Frias ficou marcada pela política de proibição de linguagem neutra em projeto da Lei Rouanet (Lei de Incentivo à Cultura), em 2021. A portaria, que chegou a entrar em vigor, do Ministério do Turismo, determinava que ficava “vedado o uso e/ou utilização, direta ou indiretamente, além da apologia, do que se convencionou chamar de linguagem neutra”. A Justiça vedou a legislação em abril de 2022. 

Outro caso que aconteceu durante a gestão de Mario Frias na secretaria da Cultura foi o incêndio na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Nove dias antes, o MPF (Ministério Público Federal) tinha alertado o governo federal para o risco de fogo na instituição.

Em 20 de maio de 2020, Jair Bolsonaro falou que a então secretária especial da Cultura Regina Duarte — que foi substituída pelo ator Mário Frias — deixaria a pasta e comandaria a Cinemateca em São Paulo. No entanto, ela nunca assumiu o cargo.

Bolsonaro exonerou Frias da secretaria da Cultura em 2022, junto com Alexandre Ramagem, que era diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência); e Sérgio Camargo, que presidia a Fundação Cultural Palmares.

Frias disputou a primeira eleição para deputado federal por São Paulo em 2022 e foi eleito. Agora, ele concorre à reeleição do cargo na Câmara dos Deputados.

Emendas ao Dark Horse

Em maio, o site Intercept divulgou um áudio que o deputado enviou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, agradecendo pelo apoio financeiro ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em mensagem enviada no dia 11 de dezembro de 2024, Frias disse que o filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro, “vai mexer com o coração de muita gente”.

“Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?”, disse Frias no áudio enviado ao ex-banqueiro.

Frias negou ao STF que tenha usado emendas parlamentares para financiar o filme “Dark Horse”. Em manifestação enviada ao ministro Flávio Dino, Frias afirmou que os recursos tiveram fim social e pediu o arquivamento da petição apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

A defesa sustenta que as emendas não eram “emendas Pix”, mas transferências com finalidade definida e previstas na Constituição, com objeto específico registrado no sistema Transferegov.

A CNN Brasil tenta contato com a assessoria de Mario Frias e com o PL para um posicionamento. O espaço segue aberto.

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