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Carros eletrificados no Brasil passam de 1 milhão

Carros eletrificados no Brasil passam de 1 milhão

Carros eletrificados no Brasil passam de 1 milhão

A frota de carros eletrificados no Brasil passou de 1 milhão de unidades, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O país precisou de mais de uma década para chegar aos primeiros 400 mil modelos, e quase repetiu esse volume em apenas nove meses de 2026.

Entre janeiro e setembro, foram 389.304 veículos eletrificados emplacados. O total praticamente iguala o acumulado entre 2012 e 2024, período em que o Brasil somou pouco menos de 398 mil unidades.

Carros eletrificados no Brasil ganham espaço nas vendas

O contraste com o início da série histórica ajuda a medir a mudança. Em 2012, o primeiro ano do levantamento, foram apenas 117 unidades. Em 2024, já eram 177.358 em um único ano. No ano seguinte, o número subiu para 223.912.

Somente os nove primeiros meses de 2026 representam cerca de 38,5% de todo o volume registrado desde 2012. “É mais um recorde histórico e a prova definitiva de que já ingressamos numa nova etapa da evolução do mercado automotivo brasileiro”, afirmou Ricardo Bastos, presidente da ABVE.

O avanço aparece também na participação sobre as vendas. Em novembro de 2023, os eletrificados superaram pela primeira vez a barreira de 5% dos veículos leves vendidos no país. Menos de três anos depois, essa fatia mais do que quadruplicou.

Em agosto de 2026, os eletrificados representavam 21,8% do mercado pela metodologia da ABVE. Em setembro, um levantamento da Bright Consulting, que considera também os híbridos leves, apontou 22,9% de todos os veículos leves vendidos no país. Um ano antes, eram 26.483 unidades e participação de 11,4%.

No ranking de modelos, o Dolphin Mini, da BYD, segue como o elétrico mais vendido do Brasil. A chegada de novas marcas e de versões mais acessíveis levou os eletrificados para faixas de preço antes dominadas apenas pelos carros a combustão.

Chinesas e carros premium puxam a eletrificação

Para Murilo Briganti, COO da Bright Consulting, a velocidade importa mais do que o marco redondo. “Claramente, a eletrificação deixa de ser um nicho, deixa de ser uma tendência, já é uma realidade”, afirma. A consultoria projeta cerca de 1,4 milhão de eletrificados até o fim de 2026.

No segmento premium, a transição já é majoritária. Em agosto, 53,7% dos automóveis de luxo vendidos no Brasil eram eletrificados, o equivalente a 2.017 unidades. O Denza B5, SUV híbrido plug-in, fechou setembro pelo quarto mês consecutivo como o modelo premium mais vendido, com 646 unidades.

As fabricantes chinesas acompanham esse movimento. Em agosto, marcas da China responderam por 21,4% de todos os veículos leves vendidos no país. Um ano antes, tinham apenas 10,1% de participação. “Não é só uma mudança de tecnologia, mas também está redesenhando a competição entre as marcas no país”, diz Briganti.

Recarga e frota total ainda são o gargalo

O milhão de carros também expõe um limite. Nem todo eletrificado precisa de tomada, porque híbridos convencionais recuperam energia durante o uso. Ainda assim, o crescimento dos elétricos puros aumenta a pressão sobre a rede pública de recarga.

Segundo a Bright Consulting, a frota de elétricos puros cresceu muito mais rápido do que a rede de carregadores públicos e semipúblicos. Em 2020, havia cerca de 1,2 elétrico puro para cada ponto de recarga. Em 2026, essa proporção ficou bem maior, o que amplia a fila nos eletropostos das grandes cidades.

A distribuição também é desigual. Cerca de 30% da frota eletrificada está em São Paulo, 9% em Minas Gerais e 8% no Distrito Federal. Juntos, os três mercados concentram quase metade dos veículos.

O quadro geral pede cautela. A frota brasileira passa de 64 milhões de carros em circulação, e os eletrificados ainda devem terminar 2026 com menos de 5% desse total. “A nossa frota ainda depende muito do motor a combustão interna”, afirma Briganti.

Parte da aceleração vem da política industrial. O Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), criado em 2024, substituiu o Rota 2030 e estabeleceu metas de eficiência energética e redução de emissões para o setor. Para Briganti, 2027 será decisivo, porque as montadoras terão de acelerar ganhos de eficiência dentro do período de mensuração do programa.

O tema também chegou ao Judiciário. Neste ano, a Anfavea recorreu à Justiça contra a cota de importação de carros elétricos, o que mostra como a disputa por mercado ficou acirrada.

Vale entender o que a sigla abrange. Na definição da ABVE, entram nessa conta os carros 100% elétricos, os híbridos plug-in, que podem ser recarregados na tomada, e os híbridos convencionais, incluindo as versões flex. Desde 2025, a entidade deixou de considerar os micro-híbridos, ou MHEV, nessa classificação.

O primeiro milhão demorou quase 15 anos para chegar. Se as projeções se confirmarem, o segundo não deve levar nem perto disso. Os dados foram divulgados originalmente pela Forbes Brasil, com base na ABVE e na Bright Consulting.

Com informações da Forbes Brasil

RedeBrasil

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