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Nobel de Física 2026 vai para criador do IceCube

Nobel de Física 2026 vai para criador do IceCube

Nobel de Física 2026 vai para criador do IceCube

O físico belga Francis Halzen, de 82 anos, venceu o Nobel de Física 2026. A Real Academia Sueca de Ciências premiou o pesquisador pelas contribuições decisivas ao Observatório de Neutrinos IceCube e pela descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica.

O anúncio ocorreu nesta terça-feira, em Estocolmo. Halzen transformou um quilômetro cúbico de gelo da Antártida no maior detector de neutrinos do mundo.

Nobel de Física 2026 reconhece uma nova astronomia

“O prêmio deste ano diz respeito a mensageiros fantasmagóricos vindos do espaço”, afirmou Ellen Moons, secretária-geral da academia, durante a conferência de imprensa.

O IceCube fica enterrado no gelo do Polo Sul, na Estação Amundsen-Scott, na Antártida. A estrutura reúne sensores de luz distribuídos em um volume de um quilômetro cúbico, capazes de captar os neutrinos que atravessam o planeta.

Essas partículas são raras e extremamente difíceis de detectar. Em compensação, chegam do espaço sem mudar de direção nem perder energia. “Isto significa que podem fornecer informação que não é possível obter de nenhuma outra forma”, explicou a academia.

Como funciona o detector de neutrinos do IceCube

Os neutrinos de alta energia se formam nos mesmos ambientes cósmicos violentos que produzem outras partículas. Como quase não interagem com a matéria, eles preservam a informação da origem e funcionam como mensageiros diretos de regiões distantes do universo.

O problema é o tamanho. Como os neutrinos cósmicos de energia muito elevada são raros, os cientistas precisam de um volume enorme de gelo para registrar colisões suficientes. Foi essa a aposta de Halzen ao propor o observatório.

Ele apresentou a ideia em 1988. A proposta atraiu outros pesquisadores, passou por testes preliminares e só ficou concluída em 2011. Desde então, Halzen é o investigador principal do IceCube, o maior detector de neutrinos do mundo.

“Foi uma grande surpresa e, obviamente, não estava à espera”, disse o físico por telefone, a partir da Itália, pouco depois do anúncio. “Mas é um enorme prazer ouvir falar deste prêmio.”

A diferença em relação aos raios cósmicos é central para o projeto. Partículas carregadas se desviam ao atravessar campos magnéticos e chegam sem indicar de onde vieram. Os neutrinos atravessam a matéria e o espaço em linha reta, então preservam a direção da fonte. Por isso o IceCube funciona como uma espécie de bússola para os eventos mais violentos do cosmos.

O desafio é o silêncio dessas partículas. Elas quase não interagem com nada, e é justamente essa indiferença que as torna valiosas. Para flagrar uma colisão, o detector precisa de um volume gigantesco de gelo transparente, capaz de registrar o fraco lampejo de luz que a passagem do neutrino deixa para trás.

Quem é Francis Halzen

Halzen nasceu em Tienen, na Bélgica, e tem nacionalidade norte-americana. É professor na Universidade de Wisconsin-Madison, onde dirige o Instituto de Física de Partículas Elementares. Concluiu o mestrado em Física na KU Leuven em 1966 e o doutorado em 1969.

Desde a década de 1970, ele é uma referência na física dos raios cósmicos e das astropartículas. Também integrou comissões consultivas do Observatório de Neutrinos de Sudbury, no Canadá, e dos Institutos Max Planck, na Alemanha.

Para o pesquisador, o reconhecimento vai além do nome dele. “Para mim, a maior satisfação, para além de receber o Prémio Nobel, é a esperança de que isto reflita o trabalho das pessoas verdadeiramente corajosas que se juntaram a mim no início deste projeto”, afirmou.

A descoberta ajudou a firmar uma nova forma de observar o universo. Durante décadas, os astrônomos dependeram da luz, em todas as faixas do espectro, para estudar galáxias distantes. Os neutrinos abriram um caminho paralelo, porque escapam de regiões onde a luz não consegue sair.

É o que a academia chama de astronomia de múltiplos mensageiros. A mesma explosão cósmica pode ser observada por telescópios, por ondas gravitacionais e por detectores de partículas. Quando os sinais chegam juntos, os cientistas conseguem reconstruir o evento com muito mais precisão.

Temporada do Nobel segue até a próxima semana

O prêmio de Halzen é o segundo da temporada. Na segunda-feira, o Nobel de Medicina foi para o psiquiatra e neurologista norte-americano Karl Deisseroth e para os cientistas alemães Peter Hegemann e Georg Nagel, pelo trabalho pioneiro em optogenética, técnica que usa luz para controlar sinais nervosos.

O anúncio da Química ocorre na quarta-feira, seguido pela Literatura na quinta e pela Paz na sexta. O Nobel de Economia encerra a temporada na segunda-feira, 12 de outubro.

Cada prêmio inclui diploma, medalha de ouro e 12 milhões de coroas suecas, cerca de 1,1 milhão de euros. O valor é dividido quando há mais de um laureado. A entrega acontece em 10 de dezembro, data da morte de Alfred Nobel, em 1896.

A tecnologia do IceCube se conecta a outros avanços na observação do espaço, como quando o telescópio Hubble registrou um enxame de galáxias. O anúncio foi divulgado pela Euronews.

Com informações da Euronews

RedeBrasil

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