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Leilão de petróleo da ANP tem protesto e 13 blocos

Leilão de petróleo da ANP tem protesto e 13 blocos

Leilão de petróleo da ANP tem protesto e 13 blocos

Rio de Janeiro – Indígenas, ativistas ambientais e trabalhadores do setor de petróleo protestaram na manhã desta quarta-feira (7) em frente à sede da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no centro do Rio. O ato ocorreu horas antes do leilão de petróleo da ANP, que colocou em oferta 13 blocos do pré-sal e áreas de nove bacias brasileiras.

Os manifestantes levaram cartazes com frases como “O petróleo tem que ser nosso” e “não aos leilões”. A organização ficou por conta do Sindipetro e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), além de grupos como Não Fracking Brasil, Arayara, Observatório do Petróleo e Gás e Monitor do Oceano.

Por que o leilão de petróleo da ANP virou alvo de protesto

O movimento questiona a entrega de áreas estratégicas para empresas privadas e estrangeiras. Segundo as entidades, a expansão da exploração ameaça territórios tradicionais e acelera a crise climática. Além disso, o setor cobra política de transição energética e mais investimento em refinarias nacionais.

No fim de setembro, o Instituto Internacional Arayara entrou na Justiça com cinco ações para tentar barrar o certame. O instituto alegou que 74 blocos apresentavam sobreposição direta com comunidades indígenas, quilombolas ou assentamentos da reforma agrária. Também citou áreas usadas pela pesca artesanal.

Como resultado, parte dos blocos foi retirada do leilão pela própria ANP. A agência não detalhou quais áreas saíram da lista, mas confirmou ajustes no edital.

O que está em oferta no certame

A licitação foi dividida em dois momentos. Pela manhã, acontece o 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha, com 13 blocos do pré-sal distribuídos em duas bacias. Às 14h, começa o 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, com áreas espalhadas por nove bacias.

Dezenove empresas estão aptas a disputar a partilha, e 46 podem participar da concessão, segundo a ANP. Entre elas há petroleiras de 11 países, como Estados Unidos, China, Portugal, Reino Unido, Kuwait, Catar, Noruega, França, Malásia, Austrália e Colômbia. A Petrobras também aparece na lista.

Guerra no Oriente Médio aquece apetite das petroleiras

Serão os primeiros leilões desde que o Ibama autorizou a Petrobras a perfurar o primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, no litoral do Amapá. A autorização reacendeu a disputa entre defesa ambiental e interesse econômico na região.

Com a guerra no Oriente Médio, a cotação do barril de petróleo passou de US$ 100. O Brent, referência internacional, avançou 1,3% e chegou a US$ 101,9 nesta quarta, após um ataque houthi ao aeroporto de Aden, no Iêmen. Esse cenário ampliou o apetite das companhias pelas áreas brasileiras, dizem especialistas ouvidos pelo setor.

O mercado de combustíveis já sentiu o efeito nos últimos dias. Como mostrou o movimento do dólar e da Bolsa em setembro, a alta do petróleo pressionou o câmbio e derrubou o Ibovespa.

O que esperar daqui para frente

A tendência é de disputa acirrada pelos blocos do pré-sal, considerados os mais rentáveis do país. Por outro lado, a pressão de entidades ambientais e de comunidades tradicionais deve continuar nos tribunais.

O resultado do leilão sai ainda nesta quarta-feira, com expectativa de arrecadação bilionária em bônus de assinatura. O acompanhamento dos contratos, no entanto, é o que vai medir o impacto real para a economia e para o meio ambiente.

Com informacoes de O Globo

RedeBrasil

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