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Euro cai a mínimos frente ao dólar e à libra

Euro cai a mínimos frente ao dólar e à libra

Euro cai a mínimos frente ao dólar e à libra

O euro cai a mínimos frente ao dólar norte-americano e à libra esterlina nesta semana, mesmo depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter elevado as taxas de juro duas vezes em 2026. Na quarta-feira, a moeda única foi negociada a cerca de US$ 1,111, o nível mais fraco desde meados de maio de 2025.

O valor ficou abaixo do piso registrado no início deste mês. Nas primeiras negociações desta quinta-feira, o euro se recuperou levemente e voltou para perto de US$ 1,121. Ainda assim, a divisa perde mais de 5% desde o fim de agosto e apagou toda a recuperação do verão europeu.

Frente à libra britânica, o euro cai a mínimos de junho de 2025. A moeda europeia tocou cerca de 0,842 libra na quarta-feira e subiu para perto de 0,846 nesta quinta. A queda acumulada desde o fim de setembro chega a 2%.

Por que o euro cai apesar da alta de juros do BCE

A taxa de câmbio tem sempre dois lados. Por isso, a desvalorização do euro também reflete o fortalecimento do dólar. O índice que compara a moeda americana às principais divisas atingiu o maior nível em 18 meses na quarta-feira.

O movimento veio depois da divulgação da inflação dos Estados Unidos. O índice americano subiu para 3,7% em setembro, acima das previsões do mercado. Como resultado, os investidores passaram a apostar em uma nova alta de juros pelo Federal Reserve (Fed) já em 28 de outubro.

A taxa básica americana está entre 3,75% e 4%. A do BCE ficou em 2,5% depois do aumento de 0,25 ponto em 10 de setembro, o segundo do ano. O BCE justificou a decisão pela alta do petróleo e pela dependência energética da Europa, mais exposta ao choque do que os Estados Unidos.

Desde então, a inflação na zona do euro subiu para 3,8%, o maior valor em três anos. Os mercados esperam que o BCE mantenha as taxas na reunião de 29 de outubro e volte a aumentá-las em dezembro.

“É provável que tenhamos de voltar a subir as taxas”, afirmou o governador do banco central belga, Pierre Wunsch, à Bloomberg. O presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, adotou tom mais prudente. Segundo ele, ainda não há sinais claros de repasse da inflação para salários e preços.

França e dívida pública ampliam a turbulência

Na França, o prêmio de risco da dívida pública preocupa os investidores. O rendimento extra exigido para deter títulos franceses de 10 anos em vez de alemães passou de 150 pontos base, o maior nível desde a crise da dívida do euro, em 2011.

O Orçamento francês para 2027 prevê economia de cerca de 54 bilhões de euros e a redução do déficit para 5% do PIB. O texto enfrenta dificuldades em um parlamento dividido, onde o debate começou na terça-feira em meio a protestos estudantis.

A dívida pública francesa atingiu o recorde de 119% do PIB no fim de junho de 2026, segundo o INSEE. O valor chega a 3,59 trilhões de euros, o dobro do limite oficial da União Europeia, fixado em 60%.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, esfriou as expectativas de ajuda do banco central. “A principal e primeira solução está em França e tem a ver com as políticas orçamentais”, afirmou ela, à margem da reunião anual do FMI em Banguecoque.

No Reino Unido, dados econômicos mais fortes alimentaram as apostas de alta de juros pelo Banco da Inglaterra em novembro, o que sustenta a libra. Na Espanha, as eleições antecipadas de 29 de novembro adicionam mais incerteza política aos mercados europeus.

O euro vinha de meses de valorização durante o verão europeu. A queda desde o fim de agosto apagou boa parte desses ganhos e devolveu a moeda ao patamar de meados de 2025. O movimento ocorre em um momento de inflação alta na zona do euro, que voltou a 3,8%, bem acima da meta de 2% perseguida pelo BCE.

O choque energético agravou o quadro. A Europa importa a maior parte da energia que consome e, por isso, ficou mais exposta à alta do petróleo do que os Estados Unidos. O BCE elevou os juros em setembro justamente para conter o repasse dessa pressão aos preços ao consumidor.

O aumento do prêmio de risco francês preocupa porque eleva o custo de financiamento do país. Quanto maior a diferença em relação aos títulos alemães, maior a desconfiança dos investidores sobre a capacidade de a França ajustar as contas públicas. A Espanha, por sua vez, entra em campanha eleitoral com o pleito antecipado marcado para 29 de novembro.

O que esperar daqui para frente

Os investidores voltam as atenções para os dados finais da inflação da zona do euro, previstos para esta sexta-feira. Depois disso, o calendário reserva a decisão de juros do Fed, em 28 de outubro, e a do BCE, no dia seguinte.

Enquanto as duas autoridades não sinalizarem convergência, o câmbio tende a seguir o diferencial de juros entre Estados Unidos e Europa. Esse spread favorece o dólar e mantém a pressão sobre o euro no curto prazo.

Com informações de Euronews

RedeBrasil

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