Europa pagou à Rússia em energia: 197 bilhões de euros
A União Europeia pagou quase 200 bilhões de euros à Rússia em energia desde a invasão da Ucrânia. O dado, divulgado nesta terça-feira (13), indica que a Europa pagou à Rússia em energia cerca de 197 bilhões de euros entre março de 2022 e julho de 2026.
Os números vêm de dados do Eurostat usados pela Comissão Europeia. A fatura seria bem maior sem as políticas de diversificação adotadas pelo bloco. Segundo fontes comunitárias, o total chegaria a 475 bilhões de euros no mesmo período sem medidas como o plano REPowerEU.
Quanto a Europa pagou à Rússia em energia
O levantamento cobre o período mais crítico da guerra. Em 2022, o bloco ainda dependia fortemente do gás e do petróleo russos. As compras caíram ano a ano, conforme os pacotes de sanções e a busca por novos fornecedores avançaram.
Em 2023, apenas 6% do gasto da União Europeia com combustíveis fósseis teve Moscou como destino. Essa mudança de rota explica por que a fatura ficou abaixo do cenário sem ação coordenada.
REPowerEU cortou a conta pela metade
O REPowerEU foi o plano do bloco para reduzir a dependência energética da Rússia. Ele combinou compra de gás de outros países, aceleração de renováveis e metas de eficiência energética.
Sem esse conjunto de medidas, a conta teria mais que dobrado, segundo a Comissão Europeia. A diferença entre 197 bilhões e 475 bilhões de euros é a medida econômica da política adotada em Bruxelas.
As estimativas do centro de estudos Energy and Clean Air (CREA), sediado em Helsinque, caminham na mesma direção. O instituto calcula em 238,6 bilhões de euros o total pago à Rússia entre fevereiro de 2022 e meados de outubro de 2026.
O que Moscou afirma sobre os valores
O Kremlin apresenta números próprios e bem maiores. Autoridades russas afirmam que os países europeus compraram cerca de US$ 320 bilhões em hidrocarbonetos desde 2022.
A diferença tem explicação metodológica. Moscou soma a receita total do setor, incluindo vendas a países fora do bloco europeu e negócios por intermediários. Já os cálculos europeus consideram apenas as importações registradas pelos Estados-membros. Portanto, os dois valores medem coisas distintas.
O peso da energia na guerra
A receita de hidrocarbonetos sustenta o orçamento russo e financia a máquina militar. Por isso, cada euro que deixa de ir a Moscou tem efeito direto sobre a capacidade de financiamento do conflito.
O tema movimenta também os mercados globais. A economia do Golfo encolheu 4,3% apesar do petróleo caro, sinal de que a reorganização do fornecimento mundial passa por vários centros ao mesmo tempo.
Além disso, os Estados Unidos flexibilizaram restrições à exportação de petróleo russo no fim de semana. A decisão derrubou as cotações do Brent, que recuaram 1,5%, para perto de US$ 105 o barril.
A rota do gás mudou de endereço
Antes da invasão, os gasodutos levavam gás russo direto à Europa a preços baixos. Hoje, boa parte do volume chega em navios metaneiros dos Estados Unidos, do Catar e da Argélia. Além disso, os terminais de gás natural liquefeito se multiplicaram em portos europeus.
Essa troca de fornecedor tem custo. O gás liquefeito exige navio, regaseificação e infraestrutura nova. Como resultado, a indústria europeia passou a operar com energia mais cara que a de concorrentes americanos e asiáticos.
Os contratos de longo prazo também mudaram. Acordos assinados antes de 2022 seguem valendo em alguns países. Por isso, o fluxo de dinheiro para Moscou não parou de imediato.
Efeito no bolso do consumidor europeu
A conta de luz subiu em quase todo o bloco depois de 2022. Governos criaram subsídios e tetos de preço para conter o impacto nas famílias. Portanto, parte da fatura energética migrou para o orçamento público.
O setor industrial sentiu mais. Fábricas de fertilizantes, alumínio e vidro reduziram turnos ou mudaram de país. Além disso, o bloco passou a discutir um mecanismo de ajuste na fronteira de carbono, para nivelar a competição com quem produz fora das regras europeias.
Para o consumidor, o efeito aparece na conta mensal e no preço final dos produtos. Como resultado, a energia virou tema central das campanhas eleitorais em vários países do continente.
O que esperar daqui para frente
Bruxelas mantém a meta de zerar a dependência de combustíveis fósseis russos até 2027. O caminho, porém, não é linear. Alguns países do bloco ainda têm contratos de longo prazo com fornecedores russos.
Como resultado, a fatura pode crescer mais um pouco antes de parar. Cada nova rodada de sanções precisa equilibrar o impacto sobre a indústria europeia e a pressão sobre o orçamento russo.
O dado desta terça-feira mostra que a Europa reduziu a dependência. Ao mesmo tempo, revela que o fluxo de dinheiro para Moscou não foi interrompido. Esse é o ponto central do debate energético no continente.
Com informações de CNN Portugal e Agência EFE
Imagem: Kremlin, em Moscou (Foto: Dmitry Serebryakov / AP)
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