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ONU: subsidiar combustíveis fósseis é “suicídio”

ONU: subsidiar combustíveis fósseis é “suicídio”

ONU: subsidiar combustíveis fósseis é “suicídio”

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou nesta sexta-feira (16) que subsidiar combustíveis fósseis equivale a “subsidiar o suicídio” e pediu que os governos parem de gastar dinheiro em atividades que degradam o planeta. O alerta foi feito em Erevan, na Armênia, às vésperas da COP17, a cúpula de biodiversidade da ONU que começa em 19 de outubro.

Guterres disse que os governos continuam a destinar recursos para as coisas erradas e citou nominalmente os incentivos ao setor fóssil. Segundo ele, esses subsídios estão a ferver o planeta e representam um flagelo para a biodiversidade.

“Apelo a todos os governos que acabem de vez com estas benesses e utilizem as poupanças em benefício das pessoas e do planeta”, declarou.

Metas de biodiversidade seguem fora de rota

O discurso acompanha um relatório apresentado por Guterres em 15 de outubro, que mostra o mundo longe de cumprir as metas de biodiversidade para 2030. O pacto, assinado por cerca de 200 países, definiu 23 objetivos para frear e reverter a perda de biodiversidade, entre eles a conservação de 30% das terras e dos oceanos, o chamado 30×30.

Pelos compromissos atuais, a cobertura chegaria a apenas 27% das terras e águas interiores até o fim da década, mesmo se fossem aplicados por completo. No caso dos oceanos, a cobertura ficaria em 12%.

“A guerra contra a natureza ainda não terminou”, afirmou Guterres. “Nem todas as notícias são más. Há progressos, mas insuficientes. Estamos muito aquém do necessário.”

Por cada dólar para a natureza, 30 vão para degradá-la

Os números citados pela ONU expõem a distância entre discurso e prática. Para cada dólar investido na proteção ou recuperação da natureza, cerca de 30 dólares seguem para atividades que a degradam.

Isso inclui aproximadamente 2,6 trilhões de dólares por ano em subsídios públicos com impactos negativos sobre a natureza e o clima. Os países prometeram reduzir em 500 bilhões de dólares por ano os subsídios prejudiciais até 2030, mas quase não houve avanço desde 2022.

“A natureza não prospera com boas intenções”, resumiu o secretário-geral.

Anfitriões da COP31 ampliam a produção de fósseis

Um relatório da Global Witness divulgado nesta semana mostra a dimensão da influência do setor. Com dados da consultoria Rystad, a investigação aponta que os dois anfitriões da COP31, Turquia e Austrália, aumentam a produção de combustíveis fósseis antes das negociações climáticas de novembro.

A estatal turca TPAO pretende quase triplicar a produção de gás. Na Austrália, a Woodside quer dobrar a produção de gás natural liquefeito até 2032, e a Santos deve multiplicar por oito a produção de petróleo bruto até 2035.

O tema da eliminação progressiva dos fósseis segue sem consenso e não consta oficialmente da agenda da COP31. Cerca de 60 países que cobram ação mais rápida organizaram uma conferência paralela fora do processo da ONU.

Alemanha, França e Países Baixos apresentaram roteiros voluntários para se afastar dos combustíveis fósseis. A expectativa é que o Brasil siga o mesmo caminho em novembro.

O que é a COP17 e por que ela importa

A COP17 é a conferência das partes da Convenção sobre Diversidade Biológica. Nesta edição, quase 200 países se reúnem em Erevan, capital da Armênia, a partir de 19 de outubro, com a falta de financiamento como tema central das negociações.

O encontro ocorre sob o acordo assinado por cerca de 200 países e territórios, que fixou 23 metas para deter e reverter a perda de biodiversidade até 2030. Entre elas estão a redução da poluição, a proteção de espécies ameaçadas e a conservação de 30% das terras e dos oceanos do mundo.

O impasse com os combustíveis fósseis

As negociações sobre metas de eliminação gradual dos fósseis seguem travadas desde a promessa de 2022 de reduzir a despesa pública em atividades que prejudicam a natureza, como mineração, extração de combustíveis e agricultura intensiva.

Os países acertaram cortar 500 bilhões de dólares por ano em subsídios prejudiciais até 2030, mas os avanços foram mínimos. O tema tampouco aparece oficialmente na agenda da COP31, marcada para novembro, com Turquia e Austrália na organização.

“A biodiversidade está em crise. As espécies estão a desaparecer e os ecossistemas estão a colapsar”, afirmou Sue Lieberman, da Wildlife Conservation Society. Para ela, investir na natureza não é um luxo, e sim a chave da própria sobrevivência.

O que está em jogo

A COP17 reúne quase 200 países em Erevan com a falta de financiamento para a natureza como tema central. Países em desenvolvimento cobram o cumprimento das promessas financeiras feitas pelas nações ricas.

Para Guterres, o obstáculo não é apenas técnico. Setores como a pesca industrial, os combustíveis fósseis e a exploração madeireira mantêm, segundo ele, poder excessivo sobre os governos.

No plano europeu, os ministros das Finanças da União Europeia já defenderam a eliminação gradual dos subsídios aos fósseis nas negociações da COP31, como mostrou o cálculo de 197 bilhões de euros pagos à Rússia em energia.

Com informações de Euronews, com AFP

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