Drones ucranianos atingem São Petersburgo e Leningrado
A Ucrânia lançou, na noite de sábado para domingo (18), um ataque massivo de drones contra São Petersburgo e a região de Leningrado. Segundo a Euronews, um terminal petrolífero e um centro de dados da rede social VK estavam entre os principais alvos. Meios de comunicação locais descrevem a ação como uma das maiores contra a segunda maior cidade da Rússia desde o início da guerra em escala total.
Colunas de fumaça negra ergueram-se sobre a cidade desde a manhã. O governador de São Petersburgo, Aleksandr Beglov, afirmou que incêndios atingiram infraestruturas civis nos distritos de Nevski, Krasnoselski, Krasnogvardeiski e Moskovski, além do Terminal Petrolífero de São Petersburgo. Segundo ele, não há registro de feridos até o momento.
Terminal petrolífero e armazém em chamas
O terminal petrolífero fica no Grande Porto de São Petersburgo. A estrutura consegue receber e expedir 1,1 milhão de toneladas de combustível por mês, com quatro cais para navios e petroleiros. O parque de armazenamento reúne 32 reservatórios e ocupa uma área de 442 mil metros quadrados, o que dá a dimensão logística do alvo escolhido.
Um dos focos de incêndio ocorreu em um armazém da Ozon, gigante do comércio eletrônico russo. A empresa informou que os funcionários foram evacuados rapidamente. Uma coluna de fumaça se formou sobre a área dos galpões, e várias estradas da região foram fechadas.
Leningrado: 144 drones abatidos, diz governador
Na região de Leningrado, o governador Aleksandr Drozdenko afirmou que 144 drones foram abatidos e quatro pessoas ficaram feridas. Destroços dos aparelhos caíram sobre casas em Gatchina e em outros distritos, segundo ele, provocando incêndios e danificando 55 automóveis.
Drozdenko relatou ainda uma interrupção de emergência no fornecimento de eletricidade. Duas subestações transformadoras seguiam desligadas em Ianino, afetando 50 edifícios de habitação coletiva e cerca de 20 mil pessoas. Equipes técnicas trabalhavam no restabelecimento da energia ao longo do dia.
Aeroporto de Pulkovo fechou por mais de sete horas
O aeroporto de Pulkovo não recebeu nem enviou voos por mais de sete horas, segundo a Euronews, em razão do que a agência federal de aviação Rosaviatsia chamou de ataque sem precedentes de drones. As restrições foram suspensas às 10h, no horário de Moscou.
Nos aeroportos de Moscou, houve apenas pequenos atrasos. A situação contrasta com o dia anterior, quando passageiros dormiram no chão das salas de espera. O aeroporto de Sheremetyevo, no norte da capital, operou com dificuldade por cerca de dois dias.
Centro de dados da VK e resposta russa
O serviço de imprensa da VK, dona da rede social VKontakte, confirmou que um centro de dados na região de Leningrado foi alvo do ataque. A empresa garantiu que os serviços continuam disponíveis para os usuários em modo normal.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, afirmou que as forças russas atacaram o setor energético da Ucrânia em quatro regiões na noite de sábado. Ele disse que ataques a edifícios residenciais mataram duas pessoas. As informações de ambos os lados vêm de autoridades e veículos locais, sem verificação independente no terreno.
Guerra de drones muda de escala
O uso de drones de longo alcance virou rotina no conflito. Kiev aposta nesses aparelhos para atingir alvos distantes da linha de frente, muitos deles ligados à energia e à logística russa. Moscou, por sua vez, mantém ondas de ataques contra a infraestrutura ucraniana, sobretudo no inverno, quando a demanda por eletricidade cresce.
A escolha de São Petersburgo tem peso simbólico. A cidade é o segundo maior centro urbano do país e abriga sedes de grandes empresas e parte da infraestrutura portuária russa. Um ataque desse porte ali pressiona o sistema de defesa aérea, que precisa cobrir uma área extensa e próxima da fronteira com países da Otan.
O episódio ocorre em meio à suspensão de sanções à Rússia anunciada pelo governo dos Estados Unidos, tema já tratado em outra reportagem do RedeBrasil. O cenário segue indefinido, com negociações de paz em curso e combates intensos no leste da Ucrânia.
Defesa aérea sob pressão
O episódio expõe a dificuldade de proteger cidades distantes da linha de frente. Drones de baixo custo conseguem cruzar centenas de quilômetros e obrigam a defesa aérea a manter vigilância constante sobre áreas urbanas e industriais. Nos últimos meses, aeroportos russos suspenderam operações em várias ocasiões por causa de alertas do tipo.
Autoridades russas costumam informar o número de aparelhos abatidos, mas os danos em solo nem sempre são divulgados por completo. Do lado ucraniano, o governo apresenta os ataques como resposta a bombardeios que atingem a rede elétrica do país, o que ajuda a sustentar o apoio interno à resistência.
O que observar daqui para frente
O conflito entra em mais um inverno com a infraestrutura energética no centro das operações. A tendência é de novos ataques cruzados, com impacto direto sobre o abastecimento de energia e sobre a logística nos dois países. A comunidade internacional acompanha o efeito das sanções e das negociações de paz sobre a intensidade dos combates.
Com informações da Euronews
RedeBrasil



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