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Marco Nanini pede desculpas após caso de Libras em peça

Marco Nanini pede desculpas após caso de Libras em peça

Marco Nanini pede desculpas após caso de Libras em peça

O ator Marco Nanini, 78 anos, pediu desculpas ao público surdo após a retirada de intérpretes de Libras do palco de sua peça em Porto Alegre. O comunicado foi publicado no Instagram nesta quarta-feira (21).

O episódio aconteceu no domingo (18), cerca de dez minutos após o início da apresentação de “Fim de Partida”, no Teatro Simões Lopes Neto. Após a interrupção, a peça foi retomada sem a interpretação em Libras, o que provocou vaias e protestos na plateia.

Pessoas surdas deixaram o teatro, acompanhadas por outros espectadores em solidariedade. Vídeos gravados no local circularam nas redes sociais e ampliaram a repercussão do caso.

Por que Marco Nanini pediu a saída da intérprete

Na nota, o ator explicou que o espetáculo depende de um jogo preciso de luz e sombra. Segundo ele, a posição da intérprete começou a projetar sombras no cenário e interferiu na iluminação e na visão dele em cena.

“A peça acontece dentro de uma pequena caixa cênica, com uma iluminação extremamente minuciosa, feita de um jogo permanente de luz e sombra. Cada detalhe importa para o que acontece em cena”, afirmou.

“Chegou um momento em que eu realmente não conseguia continuar. Por isso, a cena precisou ser interrompida”, completou o ator.

Marco Nanini disse ainda que a produção sugeriu outro local para que a interpretação em Libras continuasse, mas não houve acordo sobre a mudança.

Como a plateia reagiu

A interrupção da peça gerou reação imediata. O público vaiou o ator e pediu respeito à acessibilidade do espetáculo, em uma das sessões que deveriam ser adaptadas para pessoas surdas.

Nas redes sociais, artistas e espectadores criticaram a condução do caso. A saída dos intérpretes em plena apresentação foi tratada como um sinal de descuido com um direito já previsto em lei.

A cena foi registrada por espectadores e chegou às redes sociais ainda no domingo. A divulgação dos vídeos deu força ao protesto e levou o debate para fora do teatro.

Nas plataformas, o episódio virou tema de discussão entre profissionais de teatro e defensores da acessibilidade. Muitos lembraram que sessões adaptadas precisam ser anunciadas e preparadas com antecedência.

O que diz a produtora

A Pequena Central de Produções Artísticas, empresa de Nanini e Fernando Libonati, já havia assumido a responsabilidade pelo ocorrido. A produtora reconheceu que não verificou antes as condições técnicas para garantir a acessibilidade.

A empresa pediu desculpas especialmente ao público surdo e aos intérpretes. Nanini afirmou que a produtora terá mais rigor nos ensaios técnicos de sessões acessíveis.

“Reconheço que, naquele momento, a situação poderia ter sido conduzida de forma mais sensível e empática, e peço desculpas ao público surdo e a todos os presentes”, declarou o ator.

O compromisso com a acessibilidade

Marco Nanini disse que vai levar o debate à classe teatral. Para ele, o erro da produção deve servir de aprendizado para outras montagens.

“Acessibilidade não é detalhe de produção, é parte do espetáculo”, afirmou. “Assumo o compromisso de levar essa pauta à classe teatral, para que o erro desta produção se converta em acerto de muitas outras”, completou.

A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) prevê o direito da pessoa com deficiência à cultura em igualdade de oportunidades. A norma trata da oferta de recursos de acessibilidade em eventos e espaços culturais, incluindo a Língua Brasileira de Sinais.

Quem é Marco Nanini

Marco Nanini é um dos nomes mais respeitados do teatro brasileiro. O ator construiu uma longa carreira nos palcos e também ficou conhecido do grande público por personagens na televisão.

Em julho, ele voltou ao Recife com um clássico do Teatro do Absurdo, do mesmo autor de “Fim de Partida”, o dramaturgo irlandês Samuel Beckett.

“Fim de Partida” é uma das obras centrais de Beckett e integra o repertório do teatro do absurdo. A montagem em cartaz em Porto Alegre tem Marco Nanini no elenco ao lado de Guilherme Weber.

O que a lei exige das sessões acessíveis

A Lei Brasileira de Inclusão estabelece que a pessoa com deficiência tem direito à cultura em igualdade de oportunidades. Isso inclui o acesso a recursos de acessibilidade em eventos e espaços culturais.

Na prática, sessões adaptadas costumam prever intérprete de Libras, audiodescrição e legendas. A preparação envolve ajustes de palco, luz e som, além de combinação prévia com a equipe do espetáculo.

O caso de Porto Alegre mostra que a acessibilidade precisa entrar no planejamento desde o início. Quando a solução é improvisada, o risco de conflito em cena aumenta e o público acaba prejudicado.

O que esperar daqui para frente

O caso reacende a discussão sobre acessibilidade em espetáculos no Brasil. A retirada dos intérpretes em plena sessão expôs uma falha de planejamento, e não apenas um problema técnico de palco.

Entidades ligadas aos direitos das pessoas com deficiência acompanham o episódio. A tendência é que a discussão avance para exigências mais claras nos contratos de produção e nos ensaios de sessões acessíveis.

Com informações do g1 e da Hugo Gloss.

Foto: Divulgação/Fernando Young

RedeBrasil

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