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Itaú compra NeoSpace por R$ 2,9 bi e reforça aposta em IA

Itaú compra NeoSpace por R$ 2,9 bi e reforça aposta em IA

Itaú compra NeoSpace por R$ 2,9 bi e reforça aposta em IA

O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira (26) a compra da startup brasileira de inteligência artificial NeoSpace A.I. Technologies por R$ 2,925 bilhões. O negócio coloca um dos maiores bancos do país no controle de uma empresa que já desenvolvia modelos de IA generativa para a própria instituição.

Conforme fato relevante divulgado pelo banco, o pagamento será feito com uma parcela no fechamento da operação. O valor restante fica diferido ao longo de cinco anos, sujeito a determinadas condições previstas em contrato.

O que a NeoSpace faz e o que muda no Itaú

A NeoSpace é especializada no desenvolvimento de grandes modelos fundacionais de dados. Esses modelos funcionam como a base sobre a qual se constroem aplicações de inteligência artificial generativa em escala.

O Itaú informou que a startup já presta serviços ao banco há quase dois anos. Nesse período, a empresa desenvolveu modelos treinados que permitem aplicar IA generativa no desenvolvimento de soluções voltadas aos negócios e aos clientes do banco.

Com a compra, o Itaú deixa de contratar esse serviço de terceiros e passa a controlar a tecnologia dentro de casa. É uma diferença relevante para um setor que trata dados de milhões de correntistas e precisa responder rápido a mudanças de mercado.

A operação ainda depende de aprovação

A conclusão do negócio está sujeita ao cumprimento de condições, entre elas a aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central.

Enquanto as autorizações não saem, o contrato segue assinado, mas a transferência do controle não se completa. O banco não divulgou prazo para a análise dos reguladores.

A exigência de aval do Cade é padrão em aquisições desse porte. O órgão avalia se a operação reduz a concorrência no mercado. Já o Banco Central analisa a estrutura societária e os riscos para o sistema financeiro.

Por que os bancos compram startups de IA

A aquisição acompanha um movimento mais amplo do setor financeiro. Instituições buscam internalizar equipes e tecnologias de inteligência artificial para cortar custos, acelerar o atendimento e personalizar produtos.

O raciocínio é simples. Quanto mais a operação depende de modelos próprios, menos o banco paga por licenças de terceiros e mais rápido consegue ajustar a ferramenta à sua realidade.

Não por acaso, a corrida pela inteligência artificial deixou de ser assunto apenas corporativo. Em outubro, a China propôs controles de exportação para tecnologias do setor, sinal de que o tema virou questão de Estado. O país asiático anunciou restrições para o setor de IA, em um movimento que mexe com cadeias de fornecimento no mundo inteiro.

No Brasil, bancos privados e públicos já usam IA em análise de crédito, atendimento automatizado e detecção de fraudes. A diferença é quem manda na tecnologia que sustenta essas rotinas.

O potencial e o risco da aposta

Integrar uma startup de IA a um banco grande não é tarefa trivial. Exige adaptar modelos, garantir segurança de dados e manter a equipe que criou a tecnologia.

Há também o risco de dependência. Se a solução central falhar ou ficar desatualizada, a operação do banco sente o impacto direto. Por isso, a aposta em modelos próprios costuma vir acompanhada de investimento contínuo em pesquisa.

O mercado observa o tamanho da transação. R$ 2,925 bilhões é um valor expressivo para uma startup brasileira de tecnologia, ainda mais fora do circuito tradicional de venture capital.

O que esperar daqui para frente

Se o Cade e o Banco Central aprovarem a compra, o Itaú passa a ser dono de uma das principais startups brasileiras de inteligência artificial. A partir daí, a tecnologia que hoje atende uma instituição tende a se espalhar por produtos e canais do banco.

Para o setor, o negócio reforça uma tendência. Bancos deixaram de ser apenas compradores de software e começaram a comprar as empresas que fazem o software.

Por que a IA pesa tanto no setor financeiro

Bancos lidam com um volume de dados que cresce todos os dias. Cada transação, cada consulta de saldo e cada pedido de crédito gera informação que pode ser usada para decidir melhor e mais rápido.

Na prática, a inteligência artificial já aparece em rotinas conhecidas do cliente. Ela ajuda a estimar o risco de um empréstimo, a identificar movimentações suspeitas e a responder dúvidas em canais digitais.

O que muda com a compra de uma empresa de tecnologia é o grau de controle. Em vez de depender de um fornecedor externo, o banco passa a decidir sozinho o rumo do modelo, o ritmo das atualizações e o uso dos dados.

Há também um componente regulatório. O uso de dados pessoais no país segue a Lei Geral de Proteção de Dados, e o Banco Central acompanha de perto a adoção de sistemas automatizados por instituições financeiras.

Para o cliente, o efeito costuma ser invisível no curto prazo. Ele aparece na forma de atendimento mais rápido, ofertas mais ajustadas ao perfil e menos etapas para concluir uma operação.

Foto: Joa_Souza/Getty / Reprodução

Com informações da Forbes Brasil.

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