SP: urnas recolhidas e TRE nega prisão de secretário
Locais de votação da capital paulista e do interior registraram urnas recolhidas e desmontadas depois do anúncio da prorrogação do horário de votação. No mesmo domingo, 25, a Justiça Eleitoral de São Paulo rejeitou o pedido de prisão do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira, e do diretor-presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges.
TRE-SP rejeita prisão de secretário e diretor da SPTrans
O juiz eleitoral Tiago Ducatti Lino Machado entendeu que não havia elementos concretos para justificar as prisões. Segundo o magistrado, a eventual caracterização de crime exigiria mais do que o conjunto de provas apresentado pela federação que protocolou o pedido.
A solicitação partiu do PT paulista, depois de denúncias sobre frota reduzida nos ônibus municipais no dia da votação. O presidente do diretório estadual do partido, Kiko Celeguim, afirmou ter recebido informações de que as empresas responsáveis pelo transporte coletivo operavam com apenas 60% da frota disponível.
Com base nisso, o TRE-SP pediu informações à Prefeitura e à SPTrans antes de decidir sobre o pedido de prisão em flagrante. O tribunal também determinou o acompanhamento da operação dos ônibus ao longo do domingo.
SPTrans diz que foi avisada menos de 12 horas antes
Em nota, a SPTrans informou que recebeu a notificação judicial às 13h10 de sábado, véspera da votação, menos de 12 horas antes do início da operação. A empresa declarou que agiu de forma diligente e comunicou todas as concessionárias responsáveis pelos 32 lotes operados na capital.
A companhia afirmou que a ampliação da frota em prazo tão reduzido impõe desafios operacionais concretos. Os operadores relataram, segundo a nota, dificuldade para readequar escalas de trabalho, jornadas e rotinas já programadas para o fim de semana.
O planejamento original considerou os dados do domingo anterior, quando aproximadamente 6,9 mil ônibus circularam pela cidade. Esse contingente ofereceu cerca de 8 milhões de lugares e transportou 3,4 milhões de passageiros, segundo a SPTrans. A tarifa permaneceu gratuita ao longo do dia, pelo programa Domingão Tarifa Zero, em vigor desde dezembro de 2023.
O modelo de gratuidade nos ônibus de São Paulo já foi tema de análise neste site, em reportagem sobre tarifa zero nos ônibus e o efeito da medida sobre o índice de preços.
Relatos de urnas desmontadas no interior
Longe da capital, eleitores relataram que urnas eletrônicas foram desligadas e desmontadas em locais de votação de São José dos Campos e Taubaté, no Vale do Paraíba. Os relatos apontam que mesários e eleitores não receberam orientação uniforme sobre a prorrogação.
Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Áurea Cantinho Rodrigues, em São José dos Campos, participantes da seção 196 disseram que não sabiam quais procedimentos adotariam para reativar equipamentos já desligados.
No Centro de Eventos da Universidade de Taubaté, a informação repassada era de que as urnas já estavam em uma van para transporte ao cartório eleitoral. A orientação mencionada nos relatos era de que urnas e mídias não deixassem os locais até novo aviso da Justiça Eleitoral.
Na capital, imagens mostraram urnas recolhidas na Zona Sul mesmo depois da decisão do STF que estendeu o horário. A situação ilustra a dificuldade de aplicar uma mudança anunciada no fim da tarde em seções que já tinham encerrado os trabalhos.
O que muda para quem ainda não votou
A prorrogação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, vale apenas nas seções que ainda estavam abertas. Nos locais já fechados, a votação terminou dentro do prazo original e a totalização seguiu o rito normal.
Na prática, o eleitor que chegou depois das 17h a um local já encerrado não encontrou urna disponível. Mesários relataram ainda a possibilidade de uso de cédulas de papel em situações pontuais, quando o equipamento não podia ser reativado.
A Justiça Eleitoral orientou que eleitores em dúvida procurem o cartório da sua zona ou os canais oficiais do TRE-SP. O prazo final para quem ainda não havia votado passou a ser as 19h, no horário de Brasília.
O que falta esclarecer
Até o fim da noite, não havia um balanço oficial sobre quantas seções de São Paulo ficaram abertas depois das 17h. O TRE-SP também não informou quantos locais já tinham enviado as urnas aos cartórios quando a decisão do STF chegou.
O que se sabe é que a mudança de última hora atingiu justamente os municípios com maior volume de eleitores, onde a logística de transporte costuma concentrar as reclamações. A apuração no estado só deve ser retomada por completo depois do fechamento das últimas seções.
Foto: Reprodução / Diário do Centro do Mundo
Com informações do Diário do Centro do Mundo (diariodocentrodomundo.com.br) e Metrópoles (metropoles.com)
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