Gaviões da Fiel: ameaça a árbitros aciona Polícia Civil
A Polícia Civil de São Paulo colocou a Delegacia de Polícia de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade) de sobreaviso para Corinthians x Mirassol, nesta sexta-feira (30), às 20h, na Neo Química Arena. A ameaça à arbitragem publicada por um dirigente de torcida organizada motivou a medida, confirmada depois que a CBF pediu investigação ao Ministério Público paulista.
O jogo vale pela 33ª rodada do Brasileirão e coloca frente a frente dois times que brigam para escapar do rebaixamento. Horas antes da bola rolar, a corporação informou que adota medidas preventivas para identificar e coibir possíveis condutas criminosas nas proximidades do estádio.
A publicação que virou caso de polícia
Na quarta-feira (28), Alexandre Domênico, conhecido como Alê, presidente da Gaviões da Fiel, criticou decisões da arbitragem em uma publicação no próprio perfil. No texto, o dirigente afirmou que a torcida organizada sabe onde os árbitros ficam hospedados antes das partidas.
A declaração circulou rápido entre torcedores e chegou à CBF no dia seguinte. A confederação avaliou que o conteúdo pode configurar ameaça e incitação à violência, conforme noticiou o ge.
Antes mesmo da representação da entidade, integrantes do Ministério Público de São Paulo já haviam pedido esclarecimentos ao dirigente, com prazo de cinco dias para manifestação.
CBF pede investigação e proteção aos árbitros
A CBF apresentou na quinta-feira (29) uma representação criminal ao Ministério Público paulista. Além da apuração, solicitou reforço na proteção dos árbitros em estádios, hotéis e deslocamentos.
O pedido contempla dois jogos do Corinthians: o duelo com o Mirassol e a partida seguinte, contra o São Paulo. A entidade também pediu medidas de proteção aos profissionais da arbitragem de forma geral.
O Ministério Público avalia agora quais medidas adota. A CBF não informou prazo para uma resposta ao pedido.
Dirigente nega intenção de intimidar
Depois da repercussão, Alê divulgou um posicionamento e negou que tivesse a intenção de intimidar os árbitros. Ele afirmou que publicou a mensagem em perfil pessoal, como torcedor, e não em nome da agremiação.
O dirigente disse que o comentário traduzia apenas sua insatisfação com decisões da arbitragem e negou ter incentivado qualquer comportamento violento. Em entrevista, resumiu que falou de cabeça quente.
Polícia Civil anuncia medidas preventivas
Em nota, a Polícia Civil informou que a Drade estará de sobreaviso durante toda a partida. A decisão leva em conta a situação do Corinthians no Campeonato Brasileiro e a repercussão das manifestações recentes nas redes sociais.
A corporação não detalhou o efetivo previsto para o estádio nem anunciou mudanças específicas no esquema de segurança. Confirmou apenas que trabalha para preservar a ordem durante o confronto.
A pressão sobre árbitros não é novidade na competição. Em outubro, o Fluminense detonou a arbitragem depois do Fla-Flu, e o episódio virou assunto nacional.
Corinthians entra em campo sob pressão na tabela
Dentro de campo, o Corinthians vive situação delicada. O time ocupa a 18ª posição, com 33 pontos, e está na zona de rebaixamento antes do fim da rodada.
O Mirassol soma 37 pontos e também briga para não cair. Uma vitória do time do interior paulista o levaria a 40 e abriria cinco pontos de vantagem sobre o Internacional, que tem 35 e ocupa a 17ª colocação.
O Corinthians vem de derrota por 2 a 1 para o Vasco, no sábado (24). O técnico Seedorf ainda busca a formação ideal, e o clube mantém a segunda melhor média de público do Brasileirão apesar da campanha ruim.
Logo aos 23 minutos do primeiro tempo, o Mirassol ficou com um jogador menos. Bruno Santos recebeu cartão vermelho direto por agressão a André Ramalho, sem bola em jogo. O árbitro Matheus Candançan havia aplicado amarelo, mas mudou a cor depois da revisão do VAR, acionada pelo assistente Daniel Luis Marques.
“Foi muito claro. O jogador falou que a mão dele bate no meu peito, mas as imagens deixam claro que a mão dele bate no meu rosto”, disse André Ramalho ainda no intervalo, em entrevista à televisão.
O comentarista de arbitragem Paulo César de Oliveira concordou com a decisão e avaliou que o lance aparece com clareza nas imagens. A expulsão deixou o time visitante com um atleta menos na luta direta contra a queda.
O que esperar daqui para frente
O Corinthians ainda tem outros confrontos decisivos na reta final do campeonato. A CBF promete manter o pedido de proteção aos árbitros enquanto durar a briga contra o rebaixamento.
O Mirassol não se manifestou oficialmente sobre a expulsão até a publicação desta matéria. O time segue na disputa por uma vaga fora do Z-4, ao lado de Grêmio, Internacional e do próprio Corinthians.
A Polícia Civil deve manter o acompanhamento das manifestações nas redes sociais nos próximos dias. Novas publicações de dirigentes podem virar alvo de apuração, segundo a corporação.
Com informações de Bolavip e ge
RedeBrasil



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