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Missão federal apura violência contra indígenas em MS

Missão federal apura violência contra indígenas em MS

Missão federal apura violência contra indígenas em MS

Uma missão do governo federal desembarca em Mato Grosso do Sul para apurar denúncias de violência contra comunidades indígenas. A comitiva sai de Brasília na noite desta sexta-feira rumo a Dourados e é liderada pela deputada federal Sonia Guajajara (PSOL-SP), ex-ministra dos Povos Indígenas.

Comitiva reúne três ministérios

A delegação será composta por representantes de três pastas do governo federal: Justiça e Segurança Pública, Direitos Humanos e Cidadania, e Povos Indígenas. Durante a visita, as equipes vão colher depoimentos e definir medidas conjuntas para reforçar a segurança nos territórios.

O Ministério dos Povos Indígenas acionou a Polícia Federal para investigar relatos de agressões e ameaças contra famílias dos povos Guarani e Kaiowá. Segundo lideranças locais, os episódios teriam se intensificado no clima de tensão política após o segundo turno das eleições.

Ameaças de envenenamento da água

Entre as denúncias encaminhadas a órgãos federais estão áudios que mencionam a possibilidade de colocar veneno na água consumida por indígenas. Os relatos citam moradores da Aldeia Sassoró, em Tacuru, e comunidades de Nioaque.

De acordo com a Polícia Federal, os áudios teriam circulado em um grupo de WhatsApp. Um servidor da Prefeitura de Tacuru foi afastado após a divulgação do material, que supostamente associava o envenenamento a integrantes do poder público local.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) afirma ter acionado os órgãos federais depois de receber as denúncias. Além das ameaças, a entidade relata mortes em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia e manifestações racistas em outras cidades do estado.

Incêndio atinge casa de rezadeira de 90 anos

Entre os episódios citados pela Apib está o incêndio da casa da rezadeira Ñandesy Roberta, de 90 anos, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru. O caso ocorreu na manhã de quinta-feira, 29 de outubro, a cerca de 427 quilômetros de Campo Grande.

Segundo a Apib, o incêndio foi criminoso e destruiu instrumentos sagrados usados em rituais tradicionais do povo Kaiowá e Guarani. Para a entidade, o ataque representa uma violação aos direitos indígenas e também à liberdade religiosa.

O que dizem as autoridades

O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul informou ter instaurado procedimentos para apurar as acusações. Em Naviraí, porém, o procurador responsável concluiu que as denúncias de supostos homicídios por conflitos políticos não passavam de boatos.

O órgão apontou que uma tentativa de duplo homicídio na região teve origem em um desentendimento familiar, sem motivação política ou étnica. Lideranças indígenas locais também negaram a ocorrência de ataques naquele caso.

Nesta quinta-feira, o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial. O grupo vai receber denúncias, apurar os casos e identificar os supostos responsáveis pelas ameaças.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul negou a existência de um cenário de genocídio no estado. Em nota, a pasta afirmou que as forças de segurança atuam para preservar a ordem pública e prevenir confrontos.

As deputadas federais Sonia Guajajara (PSOL-SP) e Célia Xakriabá (PSOL-MG) protocolaram um ofício cobrando providências. O documento foi enviado aos ministérios da Justiça e dos Povos Indígenas, ao MPF e ao Tribunal Superior Eleitoral.

Conflito fundiário e marco temporal

A escalada de violência ocorre em meio a disputas fundiárias antigas na região. Mato Grosso do Sul é o terceiro estado mais violento contra indígenas do país, atrás apenas de Roraima e Amazonas, segundo relatório de 2025 do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Grande parte dos conflitos envolve processos de demarcação paralisados por decisões judiciais. A Terra Indígena Panambi-Lagoa Rica, em Douradina, foi delimitada pela Funai em 2011, mas a demarcação segue travada na Justiça.

Lideranças indígenas apontam a lei do marco temporal como motivo do acirramento. O tema é uma pauta antiga dos povos originários no Brasil e segue sem solução definitiva.

O que esperar daqui para frente

A comitiva deve permanecer em Mato Grosso do Sul ao longo do fim de semana. A expectativa é de que as equipes apresentem um balanço das apurações e proponham medidas de proteção às comunidades afetadas.

Enquanto isso, entidades indígenas cobram respostas rápidas do poder público. A Aty Guasu, Grande Assembleia dos povos Guarani e Kaiowá, publicou uma manifestação contra o racismo e as ameaças denunciadas nos últimos dias.

Organizações do movimento indígena também pedem que os casos sejam tratados como prioridade pelas autoridades federais e estaduais. O desfecho das investigações deve definir se haverá responsabilização pelos ataques relatados.

Denúncias ganharam força nas redes

As denúncias ganharam repercussão depois de publicações nas redes sociais da Apib. Até esta sexta-feira, nem a Polícia Federal nem a Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul haviam confirmado mortes relacionadas a violência política no estado.

O Ministério Público Federal deu prazo para que a prefeitura de Tacuru esclareça os áudios e informe as medidas adotadas para garantir a segurança das comunidades.

Missão federal apura violência contra indígenas em MS

Sonia Guajajara (Pedro Ladeira/Folhapress)

Com informações de VEJA e G1

RedeBrasil

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