Irã: EUA bombardeiam defesas e falam em avanço nas conversas
Os Estados Unidos realizaram na noite de sexta-feira novos ataques aéreos no sul do Irã. O alvo foram sistemas de defesa aérea, segundo o governo americano. O episódio elevou o temor de uma nova guerra total no Oriente Médio, mas Washington e o Qatar afirmam que as negociações diplomáticas seguem em curso.
O presidente americano, Donald Trump, classificou a ação como “menor” e disse que ela atingiu defesas antiaéreas na ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz.
“Construíram ali uma pequena peça de defesa antiaérea e nós destruímos em cerca de 15 minutos, talvez cinco”, afirmou Trump a jornalistas. Ele insistiu que “não estamos em guerra” e garantiu que houve “muitos progressos” nas conversas com Teerã.
Teerã não confirma alvos e fala em dois mísseis
A imprensa estatal iraniana informou que dois mísseis atingiram a área de Suza, na ilha de Qeshm, sem detalhar alvos ou danos. Moradores usaram as redes sociais para relatar explosões na região.
Mais cedo, na própria sexta-feira, a Guarda Revolucionária Iraniana afirmou ter abatido um drone militar americano no sul do país. Os Estados Unidos não confirmaram a versão.
O ataque foi o primeiro desde a vitória do Partido Democrata nas eleições intercalares americanas. Analistas ligam o resultado eleitoral à insatisfação dos eleitores com a decisão de Trump de entrar em guerra com o Irã.
Na segunda-feira, os militares americanos já haviam descrito outra série de ações como defensivas. Na ocasião, houve explosões nas ilhas de Qeshm e Hengam e na área continental perto de Bandar Abbas. A guerra entre os dois países já dura mais de oito meses.
Qatar tenta salvar a negociação nuclear
O Qatar correu para desmentir boatos de que as conversas teriam colapsado. Em comunicado, o governo qatari disse que seus mediadores seguem em coordenação estreita com os Estados Unidos e o Irã.
Na sexta-feira, dois responsáveis do Oriente Médio disseram à agência AP que o Irã analisa propostas apresentadas pelo Qatar para resolver divergências sobre o programa nuclear. Um deles, porém, afirmou que os iranianos relutam em negociar antes de os Estados Unidos aceitarem condições centrais.
Entre as exigências de Teerã estão o fim do bloqueio militar americano aos portos iranianos, o levantamento de sanções, o desbloqueio de ativos, o pagamento de indenizações pelos danos da guerra e o fim das hostilidades na região, incluindo as operações israelenses no Líbano.
Trump telefonou ao emir do Qatar, xeque Tamim bin Hamad Al-Thani, para discutir os esforços diplomáticos. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, também falou com o homólogo qatari no mesmo dia.
Diplomacia em ritmo de emergência
O anúncio das conversas convive com um cenário de ataques intermitentes. Desde o início do conflito, Washington e Teerã alternam ofensivas militares e rodadas de negociação, quase sempre com mediação de países do Golfo.
O primeiro-ministro e ministro de Relações Exteriores do Qatar, xeque Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, disse em Oxford que o país trabalha há duas semanas com a equipe americana. Segundo ele, o objetivo é conter a escalada.
“Nunca teremos um acordo de paz perfeito, mas não podemos simplesmente esperar por esse momento e deixar de ter um bom acordo”, afirmou. “O nosso envolvimento não parou e não irá parar.”
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou ter conversado por telefone com 12 homólogos em dois dias para explicar as posições do país. Em publicação no Instagram, ele defendeu mecanismos de segurança regional sem interferência de potências de fora.
A retórica militar seguiu dura no sábado. O porta-voz das Forças Armadas do Irã, brigadeiro-general Mohammad Akraminia, advertiu que o país “nunca permitirá que as bases do inimigo na região sejam reconstruídas”.
Por que o risco de escalada continua alto
O temor dos países do Golfo é que um novo confronto interrompa o fluxo de petróleo e a navegação no estreito de Ormuz. A região concentra parte decisiva das exportações mundiais de energia, e qualquer bloqueio mexe com o preço do barril. Esse risco já vinha sendo medido nos balanços da região, como mostrou esta leitura sobre as economias do Golfo.
O ex-chefe da investigação de informações militares de Israel Danny Citrinowicz avalia que Teerã não se deixa intimidar. Em publicação na plataforma X, ele disse que, se for atacado, o Irã deve tentar ampliar a guerra desde o início, atingindo Estados do Golfo.
Citrinowicz afirmou ainda que Teerã prepara parceiros regionais para um eventual confronto. “O perigo central é que Washington possa imaginar outra operação militar curta, enquanto Teerã se prepara para uma guerra regional muito mais ampla e potencialmente prolongada”, escreveu.
A Casa Branca insiste que os ataques são limitados e que a porta da negociação segue aberta. Em discurso na Flórida, horas antes da ofensiva, Trump defendeu a decisão de entrar em guerra com o Irã.
Ele afirmou que, se tivesse permitido que o Irã tivesse uma arma nuclear, “hoje não haveria Israel”. Na mesma fala, disse que “Israel teria sido varrido da face da Terra”. O que se sabe até agora é que a ofensiva diplomática corre contra o relógio de uma guerra que já dura oito meses.
Com informações da Euronews
RedeBrasil



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