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Tarcísio promete ‘trabalhar muito em prol do Flávio’ após crise com clã Bolsonaro

Tarcísio promete ‘trabalhar muito em prol do Flávio’ após crise com clã Bolsonaro

Tarcísio promete ‘trabalhar muito em prol do Flávio’ após crise com clã Bolsonaro

BRUNO RIBEIRO

EMBU DAS ARTES, SP (FOLHAPRESS) – Em sua primeira aparição pública após o recente conflito com o grupo Bolsonaro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) se comprometeu, nesta sexta-feira (23), a aumentar o apoio à possível candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência e afirmou que nunca foi alvo de pressões por parte de Jair Bolsonaro (PL).

“O [ex-]presidente nunca me pressionou. Nunca. Por nada. Sempre tivemos um relacionamento amistoso. Ele nunca me solicitou nada, a única coisa que pediu foi para que eu me candidatasse ao Governo do Estado de São Paulo”, declarou durante um evento de entrega de moradias em Embu das Artes (Grande SP).

“Não houve qualquer pressão. Daqui em diante, vamos trabalhar incansavelmente em prol de Flávio Bolsonaro. Não haverá problemas a respeito disso”, complementou.

Depois de marcar e posteriormente cancelar uma visita a Bolsonaro na Papuda, Tarcísio tem sido alvo de críticas de aliados bolsonaristas que questionam sua falta de apoio à candidatura de Flávio e o acusam de estar articulando uma candidatura própria à Presidência, o que ele nega veementemente.

Tarcísio deu uma justificativa para o cancelamento da visita que estava agendada para quinta-feira (22), divergente dos relatos de seus aliados, que mencionam seu desconforto com a pressão de Flávio.

“O cancelamento se deve a questões de agenda, não tem relação com nada. Quando se agenda uma visita, o tribunal designa uma data e pode ocorrer de, naquele dia, por qualquer motivo, não ser possível comparecer. Eu tinha um compromisso pessoal e não pude ir naquela data, então solicitei imediatamente outra data ao Supremo, que prontamente autorizou”, explicou.

A visita de Tarcísio a Bolsonaro havia sido autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes na última segunda-feira (19). O pedido foi feito pela defesa de Bolsonaro, após uma solicitação do ex-presidente repassada pela ex-primeira-dama Michelle.

Apenas na terça-feira (20), após Flávio afirmar que a visita aconteceria para que Bolsonaro pudesse “colocar Tarcísio no lugar”, o governador decidiu cancelar o compromisso. Na ocasião, mencionou ter outros compromissos, embora sua agenda pública divulgada na quinta-feira contivesse apenas despachos internos no Palácio dos Bandeirantes.

Uma fonte envolvida na definição da data relatou que, se isso tivesse ocorrido, a defesa teria remarcado as visitas já autorizadas, pois, além de Tarcísio, Bolsonaro havia solicitado encontrar outros dois aliados.

Tarcísio foi questionado três vezes sobre suas atividades na quinta-feira e os compromissos que o mantiveram em São Paulo, mas optou por não responder.

O governador concedeu entrevista durante uma cerimônia de entrega de residências em Embu das Artes. Entre os presentes, estava o ex-prefeito Ney Santos (Republicanos), condenado a 3 anos de prisão em regime semiaberto em novembro passado por porte ilegal de arma.

Durante a coletiva, Tarcísio classificou como “especulação” os rumores de que estaria trabalhando em uma possível candidatura presidencial.

“Sempre afirmei que meu candidato é Bolsonaro ou quem ele indicar. Ele indicou Flávio. Portanto, quem é meu candidato agora? É Flávio. Não há nada diferente do que venho dizendo desde 2023. No entanto, há muita especulação, o que é compreensível, pois as pessoas frequentemente veem o governador de São Paulo como uma figura com potencial presidenciável. Não pretendo apresentar uma carta de renúncia [em abril]”, declarou.

Questionado, ele garantiu que está apoiando Flávio de forma enfática. “Mais enfático do que isso?”, questionou.

 

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