Jessé Souza diz que ‘Epstein é o produto mais perfeito do sionismo judaico’
LAURA INTRIERI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O escritor Jessé Souza divulgou e posteriormente removeu um vídeo nesta segunda-feira (9) onde associa o caso do financista Jeffrey Epstein ao “grupo de pressão judaico”.
No vídeo, Jessé declara que “Epstein é o resultado mais refinado do sionismo judaico” e afirma que o financista “foi financiado não apenas pelo grupo de pressão judaico […], mas o sionismo está por trás de todos os crimes cometidos”.
“A rede de pedofilia industrial foi criada para posteriormente ser usada para chantagear Israel em relação a políticos e bilionários, especialmente americanos, para obter apoio às práticas agressivas de Israel no Oriente Médio e na Palestina”, disse.
Jessé é doutor em sociologia pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e autor de várias obras, incluindo “A Elite do Atraso” (2017), “A Classe Média no Espelho” (2018) e “O Pobre de Direita” (2024). Ele foi presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) entre 2015 e 2016.
O escritor também afirmou que “o holocausto judeu foi explorado pelo sionismo, com a colaboração de Hollywood e da mídia global, controlada pelo grupo de pressão judaico, para rotular qualquer crítica a Israel como antissemitismo”.
“Assim como Israel, Epstein estava envolvido na violência e abuso de meninas e meninos, americanos e de outras nacionalidades, com uma aprovação tácita e às vezes explícita do poder do grupo de pressão judaico global.”
Contatado pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (9), Jessé declarou que retirou o vídeo. “Não distingui adequadamente entre o lobby sionista e o judaico. Percebi o equívoco e removi”, disse.
“Lamento o erro, pois tenho diversos amigos judeus não sionistas e críticos de Israel.”
O escritor publicou um vídeo de desculpas na tarde desta segunda-feira, sem modificar suas declarações. “Mantenho todo o restante do vídeo [anterior]. Epstein não é um caso isolado, mas sim um produto da ideologia racista e violenta. O lobby sionista na mídia e na cultura realmente distorceu a memória do holocausto judeu para justificar os abusos, genocídios e apropriação de terras cometidos por Israel.”
Em outro vídeo, divulgado na quinta-feira (6) em seu perfil no Instagram e ainda disponível, Jessé já havia abordado o caso Epstein e o comparado ao do Banco Master no Brasil.
“Um é um retrato da elite global e o outro da elite nacional. Uma elite que não respeita as leis sociais”, afirmou. No mesmo vídeo, ele mencionou novamente o “grupo de pressão judaico, especialmente o Mossad [serviço de inteligência israelense]” como “o motor por trás de toda a trama” relacionada a Epstein.



