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Justiça nega pedido de prisão de sócios de academia por morte em piscina

Justiça nega pedido de prisão de sócios de academia por morte em piscina

Justiça nega pedido de prisão de sócios de academia por morte em piscina

PAULO EDUARDO DIAS E BÁRBARA SÁ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A decisão da Justiça de São Paulo foi de negar o pedido de prisão temporária dos sócios da academia Celso Bertolo Cruz, Cesar Bertolo Cruz e Cezar Augusto Miquelof Terração, que estão sob investigação pela morte da professora Juliana Faustino Bassetto, 27 anos, causada por intoxicação por cloro. A juíza Paula Marie Kono proferiu a decisão após solicitação do delegado Alexandre Bento, do 42º DP (Parque São Lucas), na quarta-feira (11).

A recusa do pedido de prisão foi confirmada tanto pela Polícia Civil quanto pela defesa dos investigados.

Conforme relatado pelo delegado, houve utilização excessiva de cloro na piscina onde ocorreu a aula de natação, em um ambiente considerado confinado. De acordo com a investigação, “a quantidade de cloro utilizada em um dia seria suficiente para uma semana”, o que elevou a toxicidade do local.

A defesa de Celso, Cesar e Cezar Augusto manifestou contentamento com a decisão judicial que permite que os acusados acompanhem a investigação em liberdade. Eles reiteraram total disposição para colaborar com as autoridades competentes, confiando que a investigação seguirá de forma técnica, imparcial e respeitando as garantias constitucionais.

Além de Juliana, outras seis pessoas passaram mal, sendo que o marido da professora continua internado em estado grave e outras duas vítimas permanecem na UTI. As apurações indicam que o balde com cloro foi deixado próximo à raia onde a aula era ministrada. A Polícia Civil também apontou tentativa de obstruir a investigação, com alegada omissão de documentos e exclusão de mensagens trocadas no dia do incidente.

Nos depoimentos, os três sócios atribuíram ao funcionário responsável pela manutenção da piscina, Severino José da Silva, o erro no manuseio do produto químico. Celso afirmou ser o responsável pela manutenção predial da unidade da Academia C4 Gym, no Parque São Lucas. Ele descreveu à polícia o que foi registrado pelas câmeras de monitoramento interno, mostrando Severino destampando um balde com cloro em pó e agitando o recipiente, o que teria liberado uma “névoa” do produto no ambiente.

“Posso assegurar com total certeza que Severino errou ao manusear cloro em pó perto da piscina”, afirmou Celso.
A advogada do manobrista informou à Folha que existem contradições entre os depoimentos dos sócios e as imagens analisadas pela polícia. “A situação descrita por Celso não ocorreu daquela maneira. O balde estava lacrado. O balde agitado não era o mesmo”, disse Bárbara Bonvivini.

Ela acrescentou que Severino entregou voluntariamente seu celular à polícia. Segundo a advogada, o aparelho contém conversas que indicam que ele seguia instruções do responsável pela manutenção. “O celular contém diálogos com Celso, que dizia o que deveria ser feito. Ele seguia todas as ordens de Celso”, afirmou.

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