Há estabelecimentos que vendem bebida, Dona Simoa, serve encontros | Jornal Espírito Santo Notícias
Há estabelecimentos que comercializam bebidas, Dona Simoa proporciona encontros
Serena.
Sorridente.
Com uma simpatia que transborda do balcão para a calçada.
A prosa de hoje resolveu virar notícia.
O sol da manhã já indicava que a sexta-feira seria quente. Sexta-feira 13, daquelas que trazem superstição no calendário. Contudo, de forma curiosa, ela nos trouxe sorte. Sorte de depararmos com uma história que aquece mais do que o sol — uma história que combina sucesso, simplicidade e uma vitalidade que desafia o tempo.
Você jamais imaginaria a idade que consta na certidão. Na Avenida Rauta, no bairro Justiça II, na Terra de São José de Anchieta, ela é simplesmente Dona Simoa. Um nome que se tornou referência, quase um ponto cardeal.
Aos 80 anos, Dona Simoa abre, diariamente, as portas do bar que leva seu apelido — o Skema’s Bar — há 37 anos no mesmo endereço, como alguém que estabeleceu raízes na história da cidade. Sua jornada se entrelaça com a própria memória da “Cidade do Beato”. Há locais que comercializam bebidas; Dona Simoa proporciona encontros.
Ela mesma abastece o freezer, prepara os petiscos, organiza o balcão e atende os clientes, um por um, pelo nome e pela história. Conta com a colaboração de um filho que, quando ela inaugurou o bar, tinha apenas 18 anos. Atualmente, ele já está aposentado da Samarco, mas continua sendo um apoio forte e presença constante nessa jornada construída com esforço e dignidade.
A rotina é disciplinada, como quem respeita o próprio ofício: abre às 9h, fecha às 13h para o almoço, repousa um pouco, descansa o corpo sem nunca perder o entusiasmo. Mais tarde, retorna ao balcão e permanece até o cair da noite. Tudo em ordem: o MEI organizado, os fornecedores alinhados e um atendimento especial que não se aprende em cursos — nasce do coração.
Que história boa.
Que energia contagiante.
Que memória afiada, capaz de deixar muitos jovens admirados.
Não há reclamações, não há lamentos. Apenas aprendizado acumulado e uma gratidão que se espalha no ar, junto com o aroma do feijão temperado. Pois, dizem — e os clientes confirmam de forma quase reverente — que a feijoada da Dona Simoa é capaz de parar o quarteirão.
“Sou cliente assíduo do bar há mais de 30 anos. A feijoada aqui é excelente. O bar da Dona Simoa é uma tradição em Anchieta. O atendimento é muito bom, com muita simplicidade”, comentou Mauro Carvalho, que, após a conversa com o jornal, saboreou sua pinguinha, conforme manda o ritual.
Basta abrir a porta de manhã e os primeiros clientes se aproximam. A maioria, aposentados, fiéis como quem marca presença no balcão. Ali, mais do que consumo, há convivência. Ali, o tempo não é pesado — ele é vivido. Tornaram-se amigos: clientes e proprietária do bar, unidos pela rotina e pelo respeito.
No Bar da Dona Simoa, todos são bem-vindos. E ali, não há confusão. É um local de conversa, de lazer, de memórias compartilhadas — sempre com uma boa dose, mas, acima de tudo, com a medida certa de humanidade.
Não foi uma matéria planejada. A história surgiu por acaso, enquanto acompanhávamos o Bloco da Saúde desfilar pela Avenida Rauta, saindo em frente ao Estádio Joaquim Viana Ramalhete, levando profissionais, distribuindo orientações e colorindo o comércio com conscientização.
E então, quase repentinamente, paro em frente ao número 807. Peço licença. Um copo d’água. Um pouco de sombra. Enquanto compartilho a live no Instagram, encontro muito mais do que um momento de descanso: encontro história viva.
Ali vive Dona Águida Sioneth Rangel Rodrigues — mas pode chamá-la de Dona Simoa.
Algumas pessoas envelhecem.
Outras florescem.
Ela, definitivamente, floresce.
Texto e fotos: Luciana Maximo
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