Vorcaro foi cobrado por aportes em resort de Toffoli e desembolsou R$ 35 milhões, diz jornal
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, reclamou a um contato sobre exigências de pagamento que recebeu relacionadas à aquisição do resort Tayayá, do qual o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli era sócio por meio da empresa Maridt.
Conversas obtidas pela Polícia Federal através do celular de Vorcaro indicam que o banqueiro autorizou transferências que totalizaram R$ 35 milhões para o resort, conforme informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
O cunhado do banqueiro, o pastor Fabiano Zettel, atuava como seu intermediário financeiro e foi responsável por organizar os pagamentos. Em maio de 2024, Vorcaro questionou Zettel via mensagem de WhatsApp sobre o status dos repasses. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro. O cunhado respondeu: “Perguntei se poderia ser na semana que vem e você concordou”.
Posteriormente, Zettel apresentou a lista de pagamentos para a aprovação de Vorcaro. Nessa lista, havia uma linha com a descrição: “Tayaya – 15″. Para a PF, esse valor representava a transferência de R$ 15 milhões para o empreendimento. Vorcaro ordenou: “Pague tudo hoje”.
Em agosto de 2024, Vorcaro voltou a tratar das cobranças com o cunhado. “Aquela questão do Tayayá foi resolvida?”, indagou o banqueiro. Zettel informou que já havia transferido para o intermediário responsável pela efetivação do pagamento, mas que o aporte final dependia dessa pessoa.
Vorcaro ficou irritado. “Cara, isso me causou um grande problema. Onde está o dinheiro?”, questionou ao cunhado. Zettel respondeu: “No fundo proprietário do Tayayá. Transferirei as cotas dele”. Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro solicitou a Zettel que levantasse todos os aportes feitos no Tayayá. “Me informe tudo que foi realizado até hoje”. Zettel então respondeu: “Pagamos 20 milhões anteriormente. Agora mais 15 milhões”.
Procurado para comentar o assunto, Vorcaro não se pronunciou até a publicação deste texto.
Toffoli enviou uma nota, por meio da assessoria do STF, afirmando que o negócio ocorreu antes de ele se tornar relator do processo envolvendo o Banco Master, que não conhecia o gestor do fundo que adquiriu sua parte no resort e que não recebeu dinheiro de Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel.
“É importante ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as transações foram realizadas dentro do valor de mercado”, afirmou o ministro na nota.
A retirada da relatoria do caso Master das mãos do ministro Dias Toffoli teve relação com o resort de luxo Tayayá. Foi nesse local em Rio Claro (PR) que o magistrado dividiu, por meio de sua empresa familiar, sociedade com um fundo de investimentos vinculado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Conforme reportagem anterior da Folha, o resort em Rio Claro (PR) era a parte visível de uma parceria iniciada em setembro de 2021, quando a Maridt Participações S.A., empresa do ministro junto aos irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, vendeu metade de sua participação no empreendimento ao fundo de investimentos Arleen por pouco mais de R$ 3 milhões.
O Arleen faz parte de uma ampla rede de fundos apontados pelas autoridades como parte da engenharia financeira de Vorcaro e seus sócios. O controlador do fundo é o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, de acordo com o jornal O Estado de S.Paulo.
A Maridt encerrou a sociedade nas empresas do grupo Tayayá em fevereiro do ano anterior, quando o restante de sua participação foi adquirido pelo empresário Paulo Humberto Barbosa.
Os irmãos José Eugênio, engenheiro, e José Carlos, padre, levam uma vida simples em Marília (SP), conforme reportagem da Folha. A Maridt é uma empresa com capital social de R$ 150 e tem um dos filhos de José Eugênio na diretoria.


