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Mendonça tenta “esconder” a investigação sobre o Master dentro da própria PF; entenda

Mendonça tenta “esconder” a investigação sobre o Master dentro da própria PF; entenda

Mendonça tenta “esconder” a investigação sobre o Master dentro da própria PF; entenda

Mendonça busca “ocultar” investigação sobre o Master dentro da própria PF; saiba mais

André Mendonça, ministro do STF. Foto: Gustavo Moreno/STF

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que revogou restrições anteriores no caso Banco Master e determinou a retomada de perícias e depoimentos foi interpretada como uma estratégia para restringir o acesso da cúpula de Andrei Rodrigues, diretor da Polícia Federal, às informações da investigação. No despacho emitido na última quinta-feira (19), o novo relator restabeleceu o que denominou de “fluxo ordinário” das apurações, colocando a equipe técnica responsável no centro do processo.

Segundo informações de Julia Dualibi, da GloboNews, o cerne da decisão está relacionado ao controle do compartilhamento de dados sensíveis. Mendonça determinou que “apenas as autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos na análise e condução dos procedimentos” tenham acesso às informações do inquérito.

Ao delimitar a extensão do sigilo, o ministro definiu que o acesso deve ser restrito aos investigadores formalmente designados, excluindo autoridades que não participam diretamente da investigação, como o diretor da PF, que Mendonça considera aliado do presidente Lula (PT).

“Somente as autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos na análise e condução dos procedimentos compartilhados reciprocamente devem ter ciência das informações acessadas, impondo-lhes o dever de sigilo profissional, inclusive em relação aos superiores hierárquicos e outras autoridades públicas”, afirmou Mendonça no despacho.

A interpretação prática é que delegados responsáveis não precisam compartilhar dados com superiores não vinculados ao caso, incluindo membros da direção-geral da corporação.

O ministro também ressaltou que áreas administrativas da Polícia Federal devem se limitar a fornecer os recursos necessários para o andamento das investigações, sem acesso ao conteúdo das apurações.

“Em relação a outras áreas e autoridades da Polícia Federal que não estejam diretamente envolvidas nas atividades investigativas, o acesso às informações e ao andamento das investigações é restrito, motivo pelo qual as autoridades administrativas e estruturas correspondentes devem apenas prover os meios e recursos humanos e materiais necessários para o bom, rápido e eficiente andamento das investigações”, declarou.

Nos bastidores, a medida é vista como uma mensagem institucional sobre a condução de investigações sensíveis e o fluxo de informações dentro da corporação. Pessoas a par do caso afirmam que a decisão também reflete preocupações com o vazamento prematuro de dados estratégicos e com a necessidade de preservar a autonomia da equipe responsável pela apuração.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Foto: reprodução

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